Sempre te amei
(Beloved)
Diana Palmer

PRLOGO 
    Simon Hart sentou-se sozinho na segunda flleira de cdeiras reservadas para a famlia. No era parente de John Beck, mas os dois tinham sido muito ntimos na faculdade. 
    Na verdade, John fora seu unico amigo verdadeiro Agora, 
morrera, e l estava ela, sentada imvel como um anjo 
triste, o rosto coberto por um vu preto, fingindo chorar 
por um marido do qual se descartara como se fosse um 
casaco velho, depois de apenas um ms de matrimnio.    Simon cruzou as longas pernas encostando-se contra o 
banco da igreja. Sentia uma dor no brao esquerdo perto 
do cotovelo. A manga fora presa, porque detestava a prtese que tentava usar para superar sua desvantagem. Era bonito mesmo com um s brao, tinha fartos cabelos negros e sombrancelha escuras. Um belo tipo de homem. 
    Fora advogado do Estado do Texas e era conhecido em 
todo o pas como profissional de jri, e tambm como um 
dos donos das propriedades rurais Hart, que valiam milhes. 
Ele e seus irmos eram to famoss na rea de pecuria 
quanto Simon no meio jurdico. 
    Era muito rico, mas o dinheiro no evitava a solido. 
Sua esposa havia morrido no mesmo acidente em que perdera parte do brao. Acontecera logo depois do casamento de Christina e John Beck. 
    Christina cuidara dele no hospita1, e os mexericos surgiram acusando Simon como sendo a causa do divrcio. 
Idia estpida, ele pensava com raiva, pois no queria Christine nem pintada de ouro. Um ms aps o divrcio ela podia ser vista em todos os lugares com o playboy Charles Percy. 
    Decerto devia ser seu amante; Smon sentiu ainda mais raiva. Era estranho Percy no ter ido ao funeraL Talvez ainda lhe restasse um pouco de decncia. 
    Simon se ps a refletir se Christina sabia sua opinio a respeito dela. Tinha de se fingir simptico com a viva de John, pois outra atitude despertaria comentrios maldosos. Mas no fntlmo, a desprezava pelo que fizera a John.    Christina era fria e egosta. De outro modo, como pudera abandonar John aps um ms de casados, fazendo com que ele fosse trabalhar em uma perigosa plataform de petrleo no Atlntico Norte, na tentativa de esquec-la? John perdera a vida l, vitima de um trgico acidente, afogado nas guas geladas antes de ser resgatado 
    Simon no tinha dvidas de que John quisera morrer. As cartas que recebera dele vieram repletas de melaconlia e mostravam como s se sentia  s e infeliz.
Olhou na direo de Christina, querendo saber como o pai de John podia suportar t-la ao seu lado,e ainda segurar-lhe a mo como se sentisse pena dela por estar sofrendo como ele pela perda de seu nico filho. Deviam estar encenando um espetculo para o pblico, conlcuiu irritado. Fingiam para evitar mais comentrios.
Simon observou o caixo fechado e piscou. Para ele, parecia o fim de uma era. Primeira, perdera Melina, sua esposa, depois o brao. Agora, John. Era rico e bem-sucedido, mas no tinha com quem partilhar tudo isso.
Ser que Christina nutria algum complexo de culpa pelo que fizera a John? No podia imagin-la arrependida.  Ela sempre fora alegre. Simon a observava sem que Christina precebesse, odiando a si mesmo pelo que lhe ia no ntimo quando a via, alta, linda, de cabelos longos e ruivos, que lhe chegavam at a cintura, olhos verde-claros e um corpo que parecia saido de uma revista de moda. Poderia ter sido modelo, mas, para sua surpresa, era muito tmida. 

Simon j era casado quando se conheceram, e John logo se interessou por ela. Parecia que tinham realizado a unio perfeita. Simon nunca admitira que quisera ver Christina com John para que ela sasse de seu prprio crculo de amizade e no mais constituisse tentao para ele. Dizia  a si mesmo que Christina tinha tudo que ele desprezava em uma mulhr. Por isso, era o tipo de garota por quem jamais se apaixonaria. 
    s vezes funcionava; a no, ser pela dor que apertava o peito toda vez que se encontravam. 
    Quando o funeral terminou, Christina caminhava ao lado do sogro, que a segurava pelo cotovelo. O senhor sorriu com simpatia para Simon, mas Chrstina no fitou-o. Estava chorando, pde perceber mesm sob o vu. 
    Estou feliz por estar sofrendo, moa. Afinal de contas, voc o matou! 
    No mais fitou-a at entrar em sua limuisine preta e dirigir de volta ao escritrio. No ia ao enterro. J suportara demais assistindo a pattica cena representada. por Christina. No desejava mais pensar nas lgrimas descendo daqueles olhos trgicos e na tristeza do rosto plido. No se importaria mais com a culpa dela e sua prprla raiva. O Melhor era deixar tudo no passado e esquecer. Se pudesse... 
    O preo do lote de gado hereford no leilo de San Antonio era muito alto, mas Christina Beck no comentou nada com o homem a seu lado. Ela  apenas comparecera ao leilo porque sabia que Simon estaria presente. 
    Era costume os trs irmos dele, em Jacobsville, cuidar da venda dos bois. Mas Simon, como Christlna, vivia em San Antonio, onde o evento acontecia, pr isso era natural deix-lo fazer as ofertas. 
    Simon deixara de ser fazendeiro. Ainda era um homem muito bonito, de ombros largos, cabelos fartos, negros e ondulados , mas a manga vazia em seu lado esquerdo atestava o fato de que seus dias de labuta na fazenda haviam terminado. Porm, esse fato no afetara sua habilidade de ganhar a vida. 
    Era um advogado de renome, que aceitava casos de dificil 
resoluo, e era muito bem pago. Possua voz to profunda e grave que quese hipnotizava os jris populares em que atuava. Alm disso, sua presena marcante intimidava as testemunhas que ele, quase sempre, reduzia a frangalhos. Possuia uma capacidade verbal poderosa, que sabia usar com maestria.
Christina por outro lado, ocupava seus dias fazendo caridade, era independente e riqussima. Era livre e parecia ter com os homens relacionamentos platnicos. Tambm tinha poucos amigos.
Simon Hart e Charles Percy faziam parte desse crculo fechado. Charles se apaixonara perdidamente pela esposa de seu irmo. Christina era a nica pessoa que sabia disso, apesar de muitos acharem que ela e Charles fossem amantes, o que aborrecia a ambos. Entretanto, isso servia a seus propsitos para manter Simon na ignornda do seu estado emocional. 
    - Esse fez um lance muito tmido  Simon comentou quando o lote seguinte entrou no recinto  O que h de errado com voc, hoje? 
    - Meu corao no est aqui. No tenho tido muito o que fazer na fazenda de Montana, desde que papai morreu. At penseiem vender a propriedade, pois no tornarei a viver l.      Voc nunca a vender.  muito apegada quelas terras. Alm do mais, tem um timo capataz. 
    Christina ergueu os ombros e afastou uma mecha dos cabelos maravilhosos da face. 
    -  verdade, tenho sim. 
    - Mas prefere rodar por San Antonio na companhia de 
Charles Percy.  Sorriu com cinismo. 
    Christina encarou Simon e acaIentou uma esperana de que estivesse com cimes, muito embora no fosse isso o que 
demonstrava, pela expresso com que a fitava.  Era, a velha 
histria. Fazia oito anos que Simon perdera o brao e a amada esposa. Apesar das diferenas entre os dois, ningum duvidava do amr de Simon por Melina. Desde ento, nunca s Interessara de verdade por outra mulher, embora sempre se flzesse acompanhar em eventos sociais, por jovens bonitas e sofiticadas
-  Qual  o problema?  ele perguntou com um olhar frio e indiferente. 
    - Nada.. Apenas acho que voc gostaria de poder matar Charles se ele viesse para perto de mim. - Olhou para o rosto espantado de Simon e riu.  Estou brincando! 
    - Est com um humor estranho, hoje  E voltou a ateno ao leilo. 
    Christina suspirou e tornou a ler o programa. 
    - Essa  outra coisa em voc que me aborrece, Christina: 
seus comentrios imprecisos. Se tem algo a me dizer, seja direta. 
Simon, Simon,  sempre delicado... 
    - J fiz os lances que devia fazer. Vejo voc por a, Simon.  Chrissti apanhou o casaco longo de couro preto, passou pela fileira de cadeiras e se dirigiu  saida.
    Cabeas se viraram a sua passagem,no apenas por ser a nica mulher presente ao leilo, mas porque era linda, embora no se importasse muito com a prpria aparncia
    Simon permaneceu sentado, vendo-a  se afastar. A conduta de Christina o deixava curioso. No era mais a garota alegre e amiga que estivera a sua cabeceira por ocasio do acidente que matara Melina. A esposa fora tudo at aquela ltima noite, em que destrura seu  amor por ela. 
    Que tolo fora! Acreditara  que Melina se casara por amor, mas na realidade o fizera por dinheiro e mantivera um amante secreto durante todo o tempo. A confisso a respeito do longo relacionamento clandestino que mantinha e sobre o aborto de um filho o chocara e ferira demais. Simon chegou a rir de sua constenao. Por acaso no sabia que Melina no queria filhos? Isso arruinaria sua silhueta e sua vida social. Alm disso, ela acrescentara com crueldade, nem tinha certeza que o beb era do marido, uma vez que mantinha relao com o outro homem na mesma poca. 
     A verdade o ferira como uma navaIha. Simon desviara a ateno da estrada enquanto discutiam e batera em um 
de bloco de gelo, na fria noite de inverno. O carro derrapara e cara em um barranco e Melina que sempre se recusara a usar o cinto de segurana porqu achava desconfortvel, 
batera a cabea no para-brisa. Morrera instantaneamente  Simon tivera mais sorte, mas o air-bog a seu Iado no abrira, e o impacto do choque fizera com que as ferragens  da porta atingisse seu brao esquerdo. A amputao fora necessria para salvar-lhe a vida.
	Lembrava-se que Christina fora ao hospital assim que soubera do ocorrido. Ainda estava em processo de divrcio de John Beck, e sua presena ao lado de Simon desencadeara rumores maliciosos sobre infidelidade.
    Christina nunca falara a respeito de seu breve casamento. Nunca comentara sobre John, e Simon j era casado quando se conheceram.  Fora Simon quem servira de cupido entre os dois.  John era seu melhor amigo, era muito rico, como Christina e pareciam ter muita coisa em comum. Entretanto o casamento acabara em menos de um ms.
    Nunca questionara o motivo, mas no era prprio de Christina jogar a toalha com tanta facilidade. Sua atitude 
e a maneira como se portou durante o divrcio o deixaram inquieto , e fizeram com que Simon, depois de vivo.  Mantivesse um relacionamento superficial com ela. No iria arriscar seu  corao com uma muIher como Christina. Como sabia era necessrio muito mais de que uma garota bonita para se ter algo duradouro. 
    John Beck, do mesma modo que Christina, jamais falara a respeito do relacionacionamento. Porm John evitara Simon desde que se  divorciaram, e uma vez, quando havia bebido um pouco demais em uma festa na qual os dois estavam presentes, deixara escapar que Simon destruira sua felicidade, sem explicar o motivo. 
	Os dois tinham sido amigos durante anos at John se casar com Christina. Poucos aps a separao, John se mudara do Texas, e um ano depois morrera no trgico acidente na plataforma de petrleo
	Christina parecera devastada pelo passamento de John e durante algum tempo permanecera reclusa. Quando voltou a frequentar a sociedade, parecia outra. Sua personalidade alegre e vivaz tornou-se mais sria, e mostrava ter perdido o esprito de luta. Voltou para a faculdade e terminou o curso de arte, mas tres anos aps a formatura ainda usara pouco sua habilitao. Trabalhava sem parar em obras de caridade para levantar fundos, e Simon s vezes se punha a pensar se ela no se esforava tanto para evitar pensar em outras coisas.
	Talvez Christina se culpasse pelo ocorrido a John, e no quisesse admitir. Simon e Christina tornaram-se meros conhecidos, mais nada. Apesar de ela ser muito atraente, Simon no queria uma companheira igual. Christina sempre mencionava Charles Percy e observava sua reao, dizendo em tom de troa que ele tinha cimes dela. Isso o deixava muito aborrecido.
	Ser que Christina achava mesmo que Simon poderia querer uma moa que se descartou de um homem a quem, um ms antes, prometera amar, para logo depois desfilar com um don-juan como Charle Percy.
	Simon riu para si mesmo. Disso estaria salvo, pois seu corao no se deixaria mais enganar. Todos acreditavam que era devido a perda de Melinda, pois ningum sabia  como sua mulher o magoara, e at a memria que tinha dela o desagradava. Servia de proteo contra jovens como Christina Beck e qualquer envolvimento emocional.
	O primeiro passo de Christina seria vender a propriedade de Montana. Pusera a fazenda a venda e seu gerente estava juntando recursos com um amigo para compr-la. Sem as terras, Christina no teria mais motivos para frequentar leiles de gado.
	Mudara-se do apartamento. Situado  a apenas alguns querteires da residencia de Simon e adquiriu uma casa elegante  nos arredores da cidade, em Floresville Road. Eta uma construo em estilo espanhol com graciosos arcos e cerca de ferro batido em formato de arabescos. O ptio era de pedras, tinha uma fonte e um lago, inde desaguava uma cascata. Um lugar  era maravilhoso e mgico. Christina achava que nunca vira nda to bonito.
	-  o tipo idela para se montar uma famlia.  dissera o corretor de imveis.
	Christina no respondeu.
	Lembrava-se agora da conversa ao olhar para a sala vazia e sem moblia. Nunca haveria crianas ali, apenas Christina vivendo como um zumbi em um mundo que no continha mais Simon, ou a esperana de t-lo.
	Vrias semanas se passaram at Christina ter a casa mobiliada e decorada. Escolhera cada tecido, cada cor e mvel. E quando, enfim, tudo ficou pronto, era o reflexo de sua personalidade. A verdadeira, no a que mostrava para os demais. 
	Ningum que a conhecesse iria reconhec-la na decorao. A sala de visita era branca, com um papel de parede em tom azul-pastel. O carpete, cinza. A moblia, em estilo vitoriano e o sof forrado de veludo. Os outros comodos tambm mostravam estilos antigos. O quarto principal tinha uma cama de cerejeira com colunas com motivos florais entalhados.
	O resto da residncia seguia o mesmo padro de elegncia e mostrava uma pessoa introvertida, sensvel e fora de modismos. Christina era assim mesmo, sob o disfarce que usava em sociedade.
	O nico defeito era um camundongo que vivia na cozinha. Quando tudo ficou pronto e ela se mudou, percebeu a presena do animalzinho dentro de um armrio, de onde sara para comer um pedao  de bolacha que ela deixara em cima do balco.
	Comprara ratoeiras e armara, esperando que fizessem seu horrvel trabalho. Mas o ratinho escapava das armadilhas.
	Christina tentou uma gaiola e uma isca, mas tambm no funcionou. Ou orato era como aqueles dos desenhos animados que ela adorava, modificado em algum laboratrio secreto que o tornara inteligente, ou havia sido fruto de sua imaginao, e estava ficando louca.
	Apesar do camundongo, amava a nova casa e, apesar de se manter ocupada durante o dia com o levantamento de fundos para obras assistenciais, as noites eram muito solitrias, e as paredes pareciam se fechar sobre ela. Trabalhava durante horas seguidas e no tinha outros interesses. O que necessitava era de algo para fazer quando se encontrava em seu lar e manter a mente ocupada  noite, quando ficava s. Mas o qu?

	Manh chuvosa de segunda-feira. Christina fora ao mercado para comprar verduras frescas e no reparara por onde andava, quando quase esbarrou em Corrigan Hart e sua nova mulher, Dorothy.
	- Deus do cu!  Christina quase engasgou.  O que voc est fazendo em San Antonio?
	Corrigan sorriu.
     - Comprando gado.  Puxou para mais perto uma esplendorosa Dorothy.  O que me faz lembrar que no a vi no leilo, desta vez. Tambm procurei por Simon, mas ele anda afastado das veadas de boi.
     Que coincidncia! Eu tambm. Vendi a propriedade de Montana. 
      Mas voc adorava aquela fazenda, Chris! - Corrigan
ergueu as sobrancelhas. Era sua ltima ligao com seu pai. 
     Pois ... Quis mudar de vida. 
    - Entendo. Passamos por seu apartamento para cumpriment-la e no a encontramos. 
      Eu me mudei. Comprei uma casa nos arredores da cidade. 
     Algum lugar onde no possa encontrar Slmon de vez em quando, no ? 
    Christina corou ainda mais. 
     Para dizer a verdadeCorrigan, algum lugar onde eu no possa nunca encontrar Simon. Desisti de todas as minhas conexes com o passado. No haver mais encontros acidentais com ele. Cansei de me consumir por um homem que no me quer. Chega!
    Corrigan a fitou, surpreso, e Dorothy, com simpatia. 
    - Estou certa de que foi a melhor deciso, Chris
Dorothy piscou.  Voc  jovem e bonita, e o mundo est cheio de rapazes interessantes. 
     E claro que est, Dorie. Estou feliz por estar tudo bem com vocs dois, e me desculpem por quase no t-los visto. Acreditem-me, no foi intencional. 
    Chris, eu sei disso. Olhe, sinto muito por voc e Simon.
     No se pode obngar as pessoas a nos amar. Ele tem a vida dele, e eu estou tentando ter a minha.
    - Por que no faz uma coleo de esculturas e organiza uma exposio. 
     No produzo  nada h trs anos, Corrigan- Christina meneou a cabeaE, alm do mais, no sou to boa assim.
      claro que , e tem um diploma de arte.
    Christina considerou o que o amigo dizia.
    - Bem, gosto muito de fazer peas e costumo vender algumas, devez em quando.
    - Est vendo?. Corrigan a amava  No  uma idia vivel?  Fez uma pausa. .-Bem, tambm sempre h um curso de confeitaria... 
    Conhecendo a fixao dos irmos mais novos de Corrigan por pes e biscoitos, ela ergueu as mos.
   - Pode dizer a Leonard, Callaghan e Reynard que no tenho planos de me tornar uma chef de cozinha.
     Cristina fez mais a]guns comentrios sobre seu afastamento do cenrio social e chegaram at o caixa do supermercado. Deixou-os sair primeiro, para evitar mais conversa. Crrigan e Dorothy formavam um casal adorvel, e Christina gostava deles, mas Corrigan a fazia lembrar-se de Simon. 
    Nas semanas seguintes, Christina se matriculou em um curso de escultura na universidade local, que no exigia presena obrigatria desde que o aluno j fosse graduado. Em pouco tempo, j estava produzido bonitos bustos. 
    - Voc tem dom para Isso  disse-lhe seu instrutor.  Mas no  d muito dinheiro. 
    Christina sorriu e agradeceu pelo cumprimento. Exps sua pea em um evento da faculdade e a escultura foi vista pelo dono de uma galeria, que procurou-a para oferecer-lhe uma exposio exclusiva, Christina tentou dissuadi-lo, mas a oferta era boa demais para sar recusada. Acabou concordando com a condio de que o lucro fosse revertido para um hospital que cuidava de indigentes. Depois disso, ningum mais a detve. Passava horas esculpindo obras com cada vez mais detalhes, e s percebeu que estava fazendo um busto de Simon quando j estava terminando. Ao se dar conta, resolveu destrui-la, e estava prestes a fazer isso quando a campainha soou. 
    Irritada com a interrupo jogou um pano sobre o trabalho limpando a argila das mos no aventaL Seus cabelos estava  presos na nuca para evitar que se sujassem, mas suas roupas estavam imundas. 
    Girou a maaneta e gelou ao deparar com Simon na varanda. Notou que ele usava a prtese que tanto detestava. 
    Christina encarou-o, mas sua expresso no foi de boas-vindas. . 
     O que voc quer? - 
    Simon franziu a testa. No passado, visitara Christina com frequncia em seu apartamento, e sempre fora recebido com cordialidade. 
     Vim ver como voc est, Chris. Sua ausncia tem sido notada na cidade. 
     Vendi a fazenda, assim no tenho por que ir aos leiles. 
     Corrigan me contou.  Observou o jardim.   um lindo lugar. Precisa mesmo de uma casa deste tamanho?
    Christina ignorou a pergunta. 
    O que deseja, afinal? 
    Simon fitou-lhe as mos e as roupas sujas, tentou brincar. 
    Est assentando tijolos?  
    Christina no sorriu,como teria feito em outra ocasio 
    - Estou esculpindo.  
   -  Sim, recordo que fazia cursos de arte. E voc era muito boa. 
     Tambm estou muito ocupada 
    Ele ergueu as sobrancelhas. 
    Nenhum convite para um caf?, 
   O corao de Christina batia descompassado, mas conseguiu dizer: 
     No tenho tempo para distraes. Preciso aprontar peas para uma exposio.
     Sei disso, na galeria de Bob Henderson Tenho uma parte na sociedade. Antes que entenda mal, no tinha idia de que Bob tivesse visto suas esculturas. Mas gostaria de  ver o que est fezendo, Chris.  Estou muito interessado.
    Aquilo mudava as coisas, mas ela ainda no o queria em sua residncia, pois nunca mais se livraria da lembrana dele ali. Sua relutncia demonstrou que o que fosse que  estava pensando, no era nada bom. 
    Simon suspirou.
    - Christina, o que h de errado? 
    - Porque acha que h algo errado? 
    - Est brincando?  Respirou fundo, Intrigado por sentir-se culpado.  Voc vendeu a propriedade, mudou-se e desistiu de tudo o que poderia promover um encontro comigo... 
    - Oh, cus, no foi sua por causa!  ela mentiu.  Sentia-me insatisfeita, e resolvi que precisava mudar de vida. E foi o que  fiz. 
    As pupilas de Simon brilhavam ao olhar para ela. 
    - E essa mudana implica manter-me longe de seu caminho? A expresso de Christina era inescrutvel. 
    - Acho que sim. Nunca fui capaz de esquecer meu casamento. As memrias estavam me matando, e voc era um fator constante a me relembrar este passado inftiz. 
    - Porque recordar a aborrece? indagou, com sarcasmo.- Voc nunca se importou com John. Divorciou-se dele depois de um ms, sem querer saber se trnaria a v-lo. Uma semana depois j estava se ezxibindo ao lado de Charles PerCy 
    A amargura de Simon fez com que Christina percebesse uma coisa que nunca notara: ele a culpava pela morte de 
John. Fazia trs anos que John se fora, e at ento no tinha se dado conta de que Simon pensava daquele modo. 
  Christina amara Simon desde a primeira vez em que o vira. Nunca houvera outro homem em seu corao, apesar de ele t-la empurrado para casar-se com John. E agra, anos mais tarde, descobria o motivo pelo qual Simon nunca a deixara se aproximar dele. Jamais poderia ter imaginado uma coisa dessas. 
    - Bem, Simon,. quantas coisas aprendemos a respelto das pessoas que julgamos conhecer.  Colocou o pano no bolso do avental. _ Ento, eu matei John.  nisso que acredita? 
    - Afirmo que resolveu brincar de esposa, Chris. John a amava e voc no tinha nada a ver com ele. Aps trinta dias de  unio, entrou com os papis do divrcio. Deixou-o partir sem uma palavra. Ento, John decidiu ir para aquela 
plataforma de petrleo no Atlntico Norte apesar do perigo. Nem menos tentou impedi-lo. Engraado como, at aquela ocasio,  no tinha percebido cmo voc  ftil e fria. Todas as suas qualidades sto do lado de fora. Seus cabelos maravilhosos, o rosto lindo e os olhos brilhantes, o corpo bonito e.. mais nada. Nem um pouco de compaixo ou amor por ningum que no seja voc mesma. 
    Deus do cul No me deixe desmaiar aos ps dele! 
     Voc nunca disse nada sobre isso, Simon, em todos esses anos. 
     No sabia que era necessrio. Eramos am!gos, e que ainda sejamos. Apenas  no sou masoquista como John.
    Mais tarde, quando ele se fosse, ela poderia chorar, mas agora no. Tinha seu orgulho. 
    Christina escancarou a porta, deixando entrar a brisa fresca do utono. Mas no olhou para ele. Apenas ficou ali, 
Simon hesitou  soleira. A palidez de Christina o chocou. Queria Saber por que ela parecia to ferida, se ele estava apenas dizendo a verdade. 
    Antes que Sirnon pudesse falar alguma coisa, ela fechou a porta e girou a chave na fechadura. Caminhou em direo ao aposento que se tornara seu ateli, ouvindo-o cham-Ia de volta. 
    Na manh seguinte a empregada que Christina contratara, a sra. Lester, encontrou-a deitada de atravessado na cama, com um revlver carregado na mo e um garrafa vazia de usque cada sobre o carpete cinza. A sra. Lester correu ao banheiro e encontrou um vidro de tranqilizantes vazio. 
    Rpida, com as mos trmulas, ligou para o servio de emergncia. Quando a ambulnda chegou, com a sirene ligada, Christina ainda no havia feito um nico movimento sequer. 
    Christina levou o dia todo para sair do estupor e descobir o que fizera. O quarto de hospital era agradvel, mas no se lembrava de como chegara ali. Estava entorpecida e desorientada, e com o estmago muito sensvel. 
    O dr. Ron Gaines, um velho amigo da famlia apareceu  soleira, tendo ao lado uma enfermeira vestida com cala 
branca e uma blusa multicolrida,  com vrios bolsos. 
    - Verifique seus sinais vitais. 
    - Sim dtor. 
    Vendo a jovem medir a  temperatura, a presso sangunea e o pulso de Christina, o dr. Gaines encostou-se na parede. Muito calmo, tomou nota das informaes dadas pela atendente que logo aps saiu. ; . 
    Ento, Ron Gaines se aproximou do leito e sentou-se em uma cadeira ao lado. 
    - Se algum me perguntasse, duas semanas atrs, teria dito que voc era a mulher de mais bom senso que eu conhecia. Tem trabalhado sem descanso para instituies de caridade, levantando fundos e... Deus do cu, Chris o que aconteesu?!     - Passei por um mau momento, doutor. Foi algo inesperado, e fiz uma coisa estpida: me embebedei. 
    - No tente me enganar. Sua empregada a encontrou com uma pistola carregada na mo. 
    - Oh, aquilo... 
    Christina comeou a contar-lhe a respeito do camundongo que tentara caar,. sem sucesso, drante semanas assim, na noite anterior alcolizada, achou muito natural persegui-lo com uma arma. .. 
     Como v, doutor, foi apenas isso. 
    O mdico suspirou. 
     Christina, se no foi tentativa de suicdio, eu no sou um mdico. Seja franca comigo. 
    Ela piscou. 
     Eu no tentaria me matar  reagiu, - Estava apenas um pouco deprimida, e isso  tudo. Descobri ontem que Simon me responsabiliza pela morte de John
    Houve um pesado silncio. 
     Ele no sabe por que sua unio terminou? 
    Christina meneou a cabea. 
     Por Deus, por que no lhe conta?! 
     No  o tipo de coisa que se diz a um homem a respeito de seu melhor amigo. E eu nunca poderia sonhar que Slmon me culpava. ramos amigos, e ele nunca quis ser mais do que isso. Mas pensava que era devido ao amor que ainda sentia por Melina. Foi uma idiotice o qu fiz ontem  noite. 
     Ainda bem que reconhece. 
     Voc me fez uma lavagem estomacal. 
     Sim. 
     Por isso estou me sentindo to estranha. Por qu? Eu tinha ingerido   apenas usque. 
     A sra. Lester encontrou um vidro vazio de tranquilizantes no banheiro, Chris. 
     No havia comprimidos no frasco porque nunca jogo nada fora. A medicao me foi receitada h anos. O Dr. James  o que prescreveu quando eu estava prestando exames na faculdade. Fiquei muito nervosa naquela poca. Oua, Dr. Gaines, no sou uma suicida, todas as pessoas passam por complicaes. Nunca havia bebido. Talvez seja este o motivo de ter chegado a desmaiar. 

O mdico pegou-lhe a mo com delicadeza. Naquele instante, a porta se abriu, e Simon Hart apareceu com uma  
expresso furiosa. 
    - Saia daqui, Simon!  ela gritou, sentando-se. O mdico estranhou. Nunca ouvira Christina erguer a voz para Simon. O rosto dela estava vermelho como seus cabelos, e os olhos verdes faiscavam. 
    - Chris... 
    - Saia!  repetiu, envergonhada por ter sido acusada de tentar suicdio. J era pssimo haver perdido o controle 
e se embebedado.  Fora! 
    Simon no a obedeceu, e ela rompeu em prantos, de frustao e raiva. 
    O dr. Gaines se posicionou entre Christina e Simon e apertou a campainha para chamar a enfermeira, observando Simon, que continuava imveL 
    - V  disse o mdico, sem prembulos.  Falarei com voc alguns minutos. 
    Simon deu um passo para o lado para deixar passar a atendente que trazia uma injeo de certo de calmante Deixou os aposentos ainda ouvindo os soluos de Christina atravs da porta. Foi para a sala de espera, onde se encontrava seu irmo Corrigan. 
    Fora Corrigan qem a empregada chamara ao encontrar. Christina naquele estado. E ele avisara a Simon; que ela fora levada inconsciente para o hospital 
    - Ouvi o que Chris disse. O que aconteceu, Simon? 
    - No sei.  Simon encostou-se na parede, ao lado do irmo. A manga da camisa vazia despertava a ateno das pessoas que passavam, mas pouco se incomodava.  Assim que me avistou, ela comeou a gritar. Nunca a tinha visto desse jeito. 
    - Nem voc, nem ningum. Jamais pensei que uma mulher como Chris pudesse tentar se matar. 
     O que - Simon arregalou os olhos. 
    - Como se chama a combinao de lcool e tranqilizantes? A sra. Lester disse que havia uma pistola  carregada na mo dela. 
    Simon cerrou os olhos o passou a mo pelo rosto ainda plido. No podia suportar o que escutara, e tinha certeza que fora ele o culpado de tudo. No conseguia esquecer o olhar de Christina quando a acusara de ter levado John
 morte. No devia t-la deixado sozinha. Na verdade jamais deveria ter dito nada daquilo. Achava que Christina 
era forte e autoconfiante o bastante para ouvir crticas. Agora, porm, descobrira, quase tarde demais, que se enganara.
     Fui  casa dela ontem, Corrigan. Falei como condenava a atitude irresponsvel dela em relao a John, divorciando dele depois de apenas um ms de casamento e por t-lo deixado ir para a plataforma de petrlo, onde veio a perder a vida.  Achava que ela era to fria que nada poderia atingi-la. 
     Cus, voc  cego! 
     O que quer dizer com isso? 
    Corrigan encarou o irmo e tentou falar. Por fim, sorriu, timido, e se virou. 
     Esquea. 
    O dr. Gaines se aproximou. 
     No volte aqui. Chris est muito fragilizada e no pode ser pressionada. 
     Mas eu no fiz nada, doutor, a no ser ficar parado aqui fora. 
    O dr. Gaines apertou os lbios e fitou Corrigan, que deu de ombros e meneou a cabea. 
     Estou tentando faz-la ir a um terapeuta amigo meu. Acho que Chrls precisa de um acompanhamento psicolgico. 
     Ela no  louca, doutor. 
    O mdico lanou-lhe um olhar frio. 
     Voc  advogado, Simon. E conhecido como um timo profissional e homem muito inteligente. Como pode ser to estpido? 
     Algum poderia me dizer o que esta acontecendo? Simon parecia aflito. 
    O dr. Gaines se voltou para Corrigan, que,  com um gesto, o autorizou a falar. 
     Ela nos matar se descobrir que revelamos alguma coisa, Corrigan. 
    -  melhor do que deix-la morrer, doutor. 
     Muito bem. Simon, Chris  apaixonada por voc h anos. Tentei faz-la desistir da fazenda, porque mant-la era apenas um meio de ficar por perto, mas Chris dizia que se 
ficasse a seu lado talvez um dia acabasse eentindo 
alguma coisa por ela. Porm, eu sabia que isso no ia acontecer.  Tudo que tive de fazer foi ver os dois juntos para 
ver que Chris no tinha chance. Estou certo? 
    Simon no conseguia, nem falar. 
    - Chris precisa de algum que a faa entender que tem de tocar a vida para a frente  continuava o dr. Gaines.  No pode viver numa mentira, e as mudanas que tem feito so prova de que tomou conscincia e sabe o que voc sente por ela. Com o tempo, acabar aceitando, e isso ser o melhor para Chrlstina, que tenta ajudar a todos enquanto se reduz  a nada. Mas ficar bem. No  culpa sua. Chrls tem 
bom senso a respeito de tudo, exceto no amor. Mas, se quer ajud-la, fique longe, ok? 
    O mdico despediu-se e se afastou. 
    - Simon ainda no se movera, nem falara. Estava quase verde, atnito com a revelao de Gaines. 
    Corrigan o pegou pelo brao e o afastou dali. 
    - Vamos tomar uma xicara de caf em algum lugar antes de voltar para o escritrio. 
    Minutos mais tarde, os dois irmos estavam sentados em um bar. 
    - Chris tentou se matar por minha causa, Corrigan. 
    - No tentar de novo, Simon, ela me assegurou. Christina tem estado nervosa faz tempo. Nenhuma mulher poderia ter feito tanto quanto ela sem rriscar sua sanidade fisica ou mental. Se no  fosse voc, teria sido outra coisa que desencadearia o colapso nervoso do qual foi Vtima. Talvez at mesmo a exposio para a qual tem trabalhado muito. 
    Simon se esforava para respirar direito. Tmou um gole de caf.
    - Voc sabia como Chris se sentia? 
    - Ela nunca me confessou, se  isso o que quer saber, Simon, mas  bvio, pelo modo como fala de voc. Sinto por Chris. Todos ns sabemos como amava Melina, meu irmo, e que nunca mais se aproximou de outra garota desde o acidente. Christina tem de tomar conscincia de que no h esperana. 
    Tudo parece to claro agora. Chris sempre me rodeava, at quando no havia motivo. Trabalhava em organizaes e comits dos quais eu participava. Mas jamais percebi. 
    Eu sei. 
     John sabia  Simon afirmou, de repente. 
    Corrigan hesitou por m momento, depois. assentiu. 
     Deus, eu estraguei o casamento deles! 
     Pode ser. No tenho certeza. Christina nunca fala sobre John. Diga-me, nunca notou que ela e o pai de John ainda so amigos? Ele no a culpa pela morte do filho. No acha que o faria se a culpada fosse Cbris? 
    Simon no queria mais pensar naquilo. 
     Eu a empurrei para John, Corrigan. 
     Ora, eles pareciam ter tanto em comum! 
     O que eles tinham em comum era eu.  Simon sorriu com amargura.  Era a mim que Christina amava!
    - Chrs no pode saber que lhe contamos. A pobrezinha precisa salvaguardar um pouco de seu orgulho. Os jornais noticiaram a histria, Simon. Est na edio da manh com manchetes mais ou menos assim: SociaIite local tenta o suicdio. Christina vai ficar furiosa. No podemos deixar que teia o jornal, mas algum contar, isso  quase certo. H pessoas que adoram pr lenha na fogueira. 
    Simon descansou a cabea entre as mos. 
    Durante anos viu os olhos de Christina se iluminarem quando ele se aproximava e seus lbios Sempre se abriam num sorriso terno. Ela ficava radiante s de estar perto dele, que no percebera nenhum desses sinais. 
    No hospital o ftara com tanto dio... Nunca a vira daquela maneira. 
    - No leve isso to a srio, Simon. Chris se recuperar e ficar bem. 
     Ela me amava... 
    - Voc no pode fazer com que as pessoas no o amem. 
Engraado, Dorie e eu a encontramos no supermercado, algumas semanas atrs, e Chris disse isso mesmo. 
    Corrigan, eu a acusei de ter matado John, de no se preocupar com a felicidade dele e de t-lo deixado ir para um servio perigoso, no qual no tinha experincia. --- Seus lbios tremiam. - Disse que era fria, egosta e ftil e que eu jamais deixaria uma mulher de seu tipo se aproximar de mim.... 
    - Como pde, Simon Por que no carregou o revlver para ela? Teria feito o mesmo efeito. 
    - E no carreguei? 
    - Bem, so guas passadas. Chris est fora da seu caminho e aprender a viver sem voc, com alguma ajuda.  Poder voltar a sua carreira de advogado, meu irmo, e em breve tudo isso ter se tornado passado. 
    O desepero de Simon impedia-o de falar. 

    Christina dormiu o resto do dia. Quando despertou, o dormitrio estava vazio e na penumbra,o que lhe proporcionava uma agiadvel sensao de sonolncia. 
    A enfermeira da noite entrou sorrindo para conferr seus sinais vitais,e deu-lhe outra dose de medicamento. Minutos mais tarde, sem lembrar-se do que havia acontecido de manh, voltou a dormir. 
    Quando acordou, um homem alto, bonito, loiro, de olhos escuros, estava sentado a seu lado. 
    - Charles..  Christina sorria,  Que bom que veio !
    - Com quem eu conversaria se voc tivesse se matado, sua idiota? resmungou, fitando-a com ternura.  Que coisa mais estpida de se fazer! 
    Christina ergueu-se sobre um dos cotovelos e tirou os cabelos ruivos dos olhos. , . - 
    - No tentei cometer suicidio. Apenas me embebedei, e a Sra. Lester encontrou um vidro vazio de tranqilizantes. Bem , no posso culp-la. Eu tambm segurava, uma pistola e havia um buraco na parede... 
    - Uma pistola?! 
 Calma, Charles. Ai, como minha cabea di! Eu ia atirar em um rato que insiste em morar em minha cozinha. 
    Ele arregalou os olhos. 
     Querida, me perdoe, mas no entendi. 
     H um camundongo em minha casa. J armei ratoeira. e armadilhas, mas o danado continua l. Depois de umas doses de usque, me lembrei da cena de um filme, em que John Wayne atirava em um ratinho, e, quando estava na metade da garrafa, achei muito lgico tambm tentar atirar nele. Voc tinha que estar l para ver... 
    - , acho que sim. Para ser franco, estou surpreso de que no tenha tido um colapso nervoso semanas atrs com tanta atividade. Tentei avis-la, voc sabe disso. 
     Sim  Chrlstina suspirou.  No havia percebido que estava trabalhando tanto. 
     Nunca percebe, meu bem. Precisa se casar e ter filhos, Chris. Isso a manteria ocupada de outra maneira. 
    Christina ergueu as sobrancelhas. 
    - Est se ofercando em sacrifcio? 
    - Talvez essa fosse a melhor atitude para ns dois. Estamos apaixonados por pessoas que no nos querem Pelo menos, gostamos um do outro. .
    - Certo, mas casamento tem de ter mais que isso. 
     Deixe para l.  Charles ergueu os ombros.  Fique boa logo. H um baile na prxima semana, e ter de ir comigo. Ela vai estar l. 
    Christlna sabia quem era ela: a cunhada dele, mulher de seu meio-irmo. Percy morreria para casar-se com ela, que nunca o notara, apesar de sua maravilhosa aparncia. 
    No tenho vestido adequado, Charles. 
    Compre um. 
Chrlstina hesitou. 
    Eu a protegerei dele. Juro por meu Mark VllI vermelho que no sairei de perto de voc um instante sequer 
    Christina olhou-o com uma expresso preocupada.. A fixao de Cbks por aquele carro era muito conhecida. Ele o lavava e polia com desvelo de amante, polegada por polegada, e o chamava de Big Red.  
    - Bem, se est jurando por seu belo autom6vel, eu concordo
    - Pode at dirigi-lo.  Esboou um amplo sorriso. 
    - Estou honrada pela deferncia! 
    - Eu lhe trouxe algumas flores, anjo. Uma das enfermeiras se ofereceu para coloc-las em um vaso. 
    - Do jeito que olha para elas, garoto, no me surpreende. As moas se digladiariam para conquist-lo. 
    - No aquela que eu quero...... E agora,  tarde demais. 
    - Sinto muito.  Christina apertou-lhe a mo. 
    - Eu tambm. No  uma lstima? Olhe o que eles esto perdendo! 
    Chritina sabia que Chrles se referla a Simon e  mulher que amava e riu, apesar de tudo 
    - Azar o deles. Adorarei ir ao baile com voc. Vo me dar alta hoje. Gostaria de me levar para casa? 
    - Claro!
    Mas quando o mdico a examinou, relutou em deix-la sair. 
   - Eu no estava mentindo, dr. Gaines. Suicidio seria a ltima 
coisa em que pensaria. 
    - Com uma pistola carregada onde faltava uma bala, Chris?
    - Ningum percebeu onde o projtil se alojou? No foi em um buraco no rodap? 
   O mdico franziu as sobranseIhas
    - O rato, doutor! Estou atrs dele h semanas. 
    - Ia mesmo atirar em um camundongo? 
    - Tenho boa pontaria quando estou sbria. Na prxima vez no errarei. 
    - Arrume uma ratoeira. - 
    - Ele  muito eperto. J armei ratoeiras e armadilhas.                                                                                                                                                                                                                                                                                        Compre um gato. : 
    - Sou alrgica a plos 
    - Que acha daqueias coisas eletrnicas que se ligam na parede?
    - Ele cortaria o fio eltrico em dois. 
    - Mas no levaria um choqu mortal? 
     No. Na realidade, o diabrete parece mais saudvel a cada dia que passa. Aposto que lamberia os beios se bebesse arsnico. No, tenho que abat-lo a tiros. 
    O mdico e Charles se fitaram e acabaram rind* 
    O dr. Gaines ficou sozinho com Christina durante alguns minutos, euquanto Charles foi buscar o carro para a entrada do hospital 
     Mais uma coisa, Chris. Em relao ao que Simon disse...
voc no matou John. Ningum, mulher nenhuma, teria evitado o que aconteceu. Ele nunca deveria ter se casado com voc. 
 Simon continuaria a nos jogar um nos braos do outro, dr. Gaines, porque achava que formvamos o casal perfeito. 
    -- Simon nunca soube querida. Tenho certeza de que John no lhe disse nada, e voc tambm se manteve em silncio. 
     John era o melhor amigo de Simon. Se qulesse que Simon soubesse, le mesmo teria contado. Por Isso sempre achei que no tinha o direito de revelar nada. E ainda acho. E voc tambm no vai contar. Simon merece ter algumas iluses Sua vida no tem sido um lmar de rosas. Alm de ter perdid um brao, ainda chora a perda de Melinda. 
     S Deus sabe por qu. 
     Porque ele a amava. O amor no se explica, no  mesmo? 
     , acho que no. 
     Voc  um homem multo bom, dr. Gaines. 
      Minha mulher sempre diz isso  concordou, sorrindo. 
    O dr. Gamos acenou em despedida, para Charles e Christina. 
     Vejam s.O doutor est babando por meu Big Red. 
 Charles pisou no acelerador.  Todos o querem.
    -  Voc est ficando obcecado por este carro. 
    No estou, no. Ei, cuidado, Chris! Est deixando marcas de dedos na janela. Espero que tenha limpado os sapatos antes de entrar. 
    Christina no sabia se ria ou se chorava. 
 Estou brincando, sua boba! 
Ela respirou fundo, aliviada. 
   - O dr. Gaines quer que eu faa terapia.. 
    - Eu no preciso disso. Homens tm seus carros. Um sujeito at escreveu uma cano a respeito de quanto amava seu caminho.
    Christina comeou a prestar ateno ao acabamento do veculo e em todo o conforto que ofrecia 
    - Bem, acho que tambm. poderia amar o Big Red  
    Charles deu um tapinha no volante.
    - Ouviu issO, rapaz? Voc a est conqistando. Christina o encarou, divertida.  
    - Vou ligar para o psiclogo assim que chegar em casa.     -         - Ele gosta de carros?  Charles ergueu as sobrancelhas loiras.
    - Ah, eu desisto! 
    Quando chegaram, Christina estava sendo esperada por uma sorridente empregada. 
    - Era um  vidro vazio de tranquilizantes, sra. Lester. E a pistola no era para mim, mas para o camundongo que mora na cozinha. No consigo peg-lo.  Christina abraou-a. - Fique sossegada, eu apenas estava bbada. 
    - Voc nunca bebe, Chris. 
    - Mas fui obrigada. 
    A sra. Lester encarou Charles. 
    Por ele? Se esse moo a faz beber, voc no deveria deixa-lo vir aqui. 
    - V, Chris? Ela tambm quer meu carro, por isso quer que eu me v. No consegue ficar olhando para o Big Red dia aps dia. Est  obcecada de cime, corroda pela inveja...          Do que ele est falando? 
    - Charles acha que voc quer o automvel dele, sra. Lester.      Aquela coisa grandalhona e vermelha? Tente me imaginar andando por ai numa coisa daquelas!
    - Vai me dizer que no quer? Charles piscou, maroto. 
    - Pode apostar que sim!  A empregada riu.  Mas sou velha demais para carros esportes, rapaz. Ficar melhor com Christina a dirigi-lo. 
     Sim,  verdade. E Chris precisa se animar. 
     Eu a farei engordar um pouco e a menina melhorar.  No devia ter tirado minhas frlua.  a primeira vez que me
ausento, e olhe o que acontece! E os jornais... - parou to rpido de falar que pareceu ter mordido a lngua.
    Christina gelou 
     Do que se trata? 
    A sra. Lester fez uma careta e olhou para Charles, desconsolada. 
    Voc no viu as manchetes, no ? 
     Pelo amor de Deus, sra. Lester! L se vai minha exposio... 
     Nada disso, criana.  Charles tomou-lhe a mo -  Conversei com Bob antes de ir at o hospital, que me disse
que atendeu ao telefonemas a manh toda para falar sobre o  evento. Bob acha que voc far fortuna com essa publicidade. 
     Eu no preciso... 
     Ora, anime-se, Chris. Amanh a notcia j ser velha. Apenas no atenda as ligaes durante um ou dois dias. Logo tudo ser esquecido e outra tragdia ocupar o noticirio 
     Voc pode ter razo. 
     No prximo sbado eu a pegarei para irmos ao baile, no se esquea. 
     E onde estar at l, Charles?  ela perguntou, surpresa, pois o amigo costumava passar em sua residncia, s tardes, para tomar caf. 
     Em Mempbis.  Suspirou, desanimado.  um negcio de que tenho de cuidar peesoalmente. Estarei fora da cidade durante uma semana. Cuide-se. 
     No se preocupe comigo Charles. A sra Lester estar aqui. 
     Espero que sim. Sabe que me preocupo com seu bem- estar. Tambm no tenho famlia, Chris.  Voc  como se fosse meu nico parente. . 
     O mesmo se d comigo, Charles. 
    Os dois amigos se fitaram com carinho. 
     Formamos urna boa dupla, no , Chris? Alm de tudo, amamos quem no nas ama. 
    - Como voc mesmo diz, o prejzo  deles. Faa uma boa viagem. Vai com o Big Red? 
    - No ,pois no me deixariam lev-lo no avio. Walteir tomar conta dele na garagem, armado com um revlver, para impedir a aproximao de estranhos. 
    Christina achou graa. 
    - Sou muito sortuda em t-lo do meu lado... 
    - Isso  uma faca de dois gumes. Tome cuidado.Telefonarei durante a  semana para saber se est bem, querida. Se precisar de mim... 
    - ...tenho o numero de seu celular. Mas tudo estar em ordem, pode ter certeza. 
    - Ento at a prxima semana.
    - Obrigada pela carona. Charles. 
    -  sempre um prazer estar com voc. No importam as condies.
    A semana passou sem novidades at o baile e caridade, no sbado  noite. Seria um evento muito concorrido, organizado pela familia Carlisle, fundadora da cidade, que praticamente sustentava o hositl local com trabalhos filantrpicos. 
     enorme manso de tijolos aparentes dos Carlisle ficava ao sul do perimetro de San Antonio, no meio de um arvoredo de nogueiras e sequias, com um lago e um enorme jardim. No pssado, Christina sempre adorara ir quela casa para agradveis reunies, mas sabi que Simon estaria na lista de convidados. Seria dificil enfrent-lo de novo depois do que acontecera. 
    Christina tencionava mostrar-se natural, como se nada houvesse acontecido. Escolheu um vestido longo de veludo negro com aplicaes de renda. Seus cabelos foram presos em um elegante coque, e estava usando colar e brincos de brilhantes. 
    Chrles lhe sorriu quando ela entrou na sala de visitas. Tambm se mostrava muito elegante, pensou Christlna ao v-lo. Usava um smoking que ressaltava sua beleza loira. 
     No fazemos um belo par, Chris? 
    - Sem dvida. Quero pedir-lhe uma coisa, Charles: no me deixe sozinha com Simon, est bem? 
     Pode ficar tranquila. Afinal, para que servem os amigos? 
Christina sorriu. 
    No caminho para a manso dos Carlisle, Charles bservou que Chrlstina parecia nervosa, e tentou acalm-la. 
    - No se preocupe, querida. Voc j  notcia velha. H um escandlo poltico em andamento, 
    - No me diga! E como sabe, se estava fora da cidade?      - Porque nosso governador estava partIcipando de uma conferncia em Memphis, e eu me sentei ao lado dele no vo de volta. Parece que o procurador-geral interveio em favor de um amigo. O criminoso que o procurador libertou cumpria pena por assalto  mo armada, e, quando libertado,  foi direto para casa e matou a ex-esposa por ter testemunhado contra ele, e agora est de volta  priso. A oposio vai usar esse fato para crucificar o procurador-geral. Acho que  no demorar a renunciar. 
    - Que penal: Est fazendo uma boa administrao. Encontrei-o em uma festa no comeo do ano e pensei em como tivemos sorte  por eleger algum to capaz.. Creio que ter de indicar algum para terminar seu mandato, no caso de se resolver pela renncia. 
    - Decerto  o que far. 
    - Mas pode  ser que se livre disso Muitos polticos conseguem.
    - Desta vez, temo que no, Chris. O homem  fez muitos inimigos desde que tomou posse; e eles no perdero a oportunidade de se  vingar. 
    Ao chegarem, um manobrista veio estacionar o carro de Charles, que  ficou dividido entre acompanhar Christina ou a ter certeza de que Big Red no sofreria nenhum arranho. 
    - V Charles. Eu o esperarei na escadaria. 
    - Voc  um amor. Quantas mulheres no mundo entenderiam a paixo de um homem por seu automvel?  Virou-se para o  manobrista.  Espere a, companheiro, iremos juntos at o estacionamento. 
    O jopvam pareceu ficar um tanto indignado, mas no disse nada.
    - Ele est apaixonado pelo carro!  ChrIstina comentou com o moo. - No d importncia. Cada louco com sua mania...
    O rapazinho sorriu e entrou no Big Red com CharIes.- 
    Ento, Simon e sua acompanhante, JilI Sinclair saram do elegante automvel dele para que o outro empregado o estacionasse. 
    Jill era uma socialite milionria, divorciada duas vezes. Usava os cabelos negros curtos, tinha olhos escuros e despertava muito interesse nos homens. Trajava-se de vermelho e Simon precia contente a seu lado, pois sorria para ela enqUanto a segurava pelo cotovelo para ajud-la a subir os degraus. 
    Ele no viu Christina at que quase chegou ao topo da escadaria. Quando a notou, pareceu assustar-se, como se no esperasse v-la ali. 
    Christina no deixou que seus sentimentos transparecessem, apesar da dor que sentia, sobretudo agora que sua vida pessoal fora invadida pela imprensa. A prpria Jill Sinclair, proprietria do maior jornal das redondezas, fizera questo de estampar na primeira pgina o que houvera com ela. Mas conseguiu disfarar o embarao. Sorriu, cumprimentou o casal com polidez e se virou, dirigindo-se para onde Charles estava. 
     Ora, como Chris  corajosa!  JilI falou para Simon alto o suficiente para que Christina ouvisse.  Eu nunca teria coragem de enfrentar todas essas pessoas depois daquela histria humilhante. 
    Parou de falar, mas Cbriatina no olhou na direo deles. 
Seu rosto parecia, em chamas, seu corao disparara. Ela 
e Jii nunca tinham gostado uma da outra, mas a mulher 
parecia estar procurando um modo de mago-la, e era visivel o orgulho e a satisfao por ter, enfim, conseguido ser notada por Simn e convidada para ir ao evento em sua companhia. Jill andava atrs dele fazia anos. As noticias a respeito de Christina decerto a tinham favorecido. . . 
    Charles se aproximou e pegou o brao de Christina. 
    - Desculpe-me, meu bem. 
     No h por qu. 
    Christina- sentiu-o lhe apertar a mo, e quando olhou para dentro do salo percebeu o motivo. Seu meio-irmo estava l, acompanhado da esposa, que parecia infeliz. 
    - Gene...  Charles cumprimentou o irmo. Prazer em v-lo. 
    Gene era alto, tinha expresso severa e cabelos grisalhos. A jovem ao lado dele era peqena, loira e adorvel, mas tinha os olhos mais tristes que Christina j havia visto. 
    - Ol, Vanessa. - Charles esboou um doce sorriso. 
    - Como vai, Charles? Christina? Vocs parecem muito bem. Este no  um grande acontecimento? Eles faro muito dinheiro cobrando  quinhentos dlares por casal. 
    - Sim. Christina meneou a cabea. - O hospital, na certa conseguir comprar duas vans e contratar o servio mais enfermeiras.
    - Para indigentes que no pagaro um centavo pelo servio!  Gene fez um esgar, com evidente mau humor. Todos trs encararam-no como se Gene tivesse ficado louco. Ele ruborizu e tratou de mudar o teor da conversa: 
    - Se me derem licena, preciso procurar Todd Groves para falarmos de um contrato que estamos almejando. Vamos Vanessa, no fique ai parada. 
    A moa cerrou os dentes quando Gene tomou-lhe o pulso com rudeza. 
    Charles teve vontade de agredir o irmo. Christina resolveu intervir.
    - Estou morrendo de fome, Charles. Vamos comer algo? 
    Charles hesitou um instante, durante o qual Vanessa e Gene se afastaram em direo a outro grupo de pessoas.      -         
    - Cretino!!!  Charles resmungou. 
    - Voc est dando na vista, querido. Vamos, antes que cause a ela mais problemas do que j tem. 
    - Por que Vanessa se casou com Gne? Por qu?
    - Qualquer que seja a razo, no faz muita diferena agora. 
    Charles deixou-se conduzir at o grande buf, onde pratos deliciosos e champanhe eram servidos. 
    Charles valsava muito bem. Ele e Christin danram quase o tempo todo. 
    As pessoas observavam os dois e faziam comentrios relativos  tentativa de suicdio. 
    No inicio, Christina sentiu-se incomodada, mas depois percebeu que a opinio da maioria do presentes no importava. Estava a par do que acontecera, na realidade, e Charles tambm. Se os demais preferiam crer que ela era to insensata a ponto de querer morrer a enfrentar seus problemas, pacincia. 
    - No a preocupa ser visto na companhia de uma mulher famosa, Charles? 
     No quando se trata de uma garota fascinante. 
    Charles estudou o meio-irmo e a cunhada, e cerrou os dentes. Os dois se dirigiam para a porta, e Vaness  a parecia estar chorando. 
    Christina deteve Charles, que parecia querer segui-los. 
    - Voc no pode. 
     Ela deveria deix-lo, Chris. 
    Vanessa ter de tomar essa deciso sozinha. - 
     Charles encarou para Christina com preocupao. 
     Vanessa no  como voc, independente. No passa de uma garota timida e gentil, e certas pessoas tiram vantagem disso. 
    -Quer proteg-la, Charles, eu entendo. Mas no pode. No esta noite. = 
    - Droga 
    Christina afagou-o, com afeio. 
    - Sinto muito, querido. 
    Charles passou o brao pelos ombros dela. 
    Um dia... 
     Sim, um dia, Charles. Voc ver. 
    - Charles, como est bonito!  Jiilr Sinclair se aproximava. - Est gostando da festa? 
     Estou me divertindo muito, Jill. E voc? 
     Oh, Simon  uma companhia muito agradvel! Suspirou e se virou para Christina.  Temos sado muito de uns tempos para c. H tantos eventos de caridade nesta poca do ano... E voc, Chris, como vai? Fiquei multo triste por quase ter protagonizado uma tragdia. 
    Jill parecia estar apreciando muito a postura sria e fria de Christina. Ergueu mais a voz, para chamar a ateno dos outros casais que se serviam no buf. 
    - No  uma pena os jornais terem feito tanto estardalhao de uma simples tentativa de suicdio? Quero dizer, a humilhao de ver seus sentimentos virem a pblico deve ser terrvel. E as maledicentes, que esto dizendo que quis morrer porque Simon no pode retribuir seu amor. Ele est muito aborrecido por t-lo feito passar pelo vilo da historia, mas sabe que no  culpa dele no poder am-la! 
    Christina  estava por demais chocada para responder ao 
ataque grosseiro, mas Charles no. - 
    - No imaginei que voc pudesse ser to desagradvel e indelicada, Jill.  A expresso de desprezo de Charles a fez prender a  resplrao.  Algum com sua falta de educao e mente to estreita pode at apreciar sua presena. Como esse no  nem de longe nosso caso, favorea-nos com sua ausncia.
    Charles  enlaou Christina e a afastou dali. - 
    Simon conversava com um homem perto da porta para onde Charles conduzia Christina. Ao v-los, parou de falar e olhou, curioso, para o rosto plido de Christina. 
    - No se preocupe em dizer alguma coisa, Simon, pois sua amiguinha j o fez por voc.  Charles continuou seu caminho sem soltar Christina  Serpente!  Charles mara: raiva, ao descerem a escadaria. 
    - O mundo est cheio delas. Sua maior diverso  pisar nas pessoas quando esto frgeis. 
    - No h nenhum manobrista por aqui. Terei que ir pegar o Big Red. No sala daqui, eu j volto. 
    Charles se afastou, Christina ouviu passos atrs de si, e seu corao disparou, porque sabia se tratar de Simon. Fechou os olhos desejando estar longe dali. 
    - O que Jill lhedisse? 
    Christina no se virou, nem respondeu. 
    - Diga, Chris.
    - Pergunte a ela. 
    Silncio.
    - Essa no  voc, Chris. No  seu costume correr, chorar e no reagir ao que as pessoas lhe falam. Sempre foi lutadora. Por que est fugindo? 
      No me importo com a opinio do outros sobre mim, Simon. Muito menos a de sua maldosa amiga. Estou cansada de tudo,  apenas isso. 
     Voc no pode ficar preocupada com o que o jornais afirmam, Chris. 
     Por que no? Toda essa gente que est a acreditou em cada palavra.  E indicou o salo com um gesto de cabea. 
     Eu conheo voc melhor do que eles. 
     Engano seu, Simon. No faz a menor idia de quem sou. 
    - Imaginei que conhecesse... at que se divorciou de John. E at ele morrer. 
     Certo, sou uma assassina. 
     Eu no disse isso! 
     Mas insinuou! Se Melina tivesse morrido de modo semelhante, eu jamais o julgaria culpado pelo ocorrido, pois o conhecia o suflciente para ter certeza de que no seria capaz de causar mal a outro ser humano. Contudo, eu... eu estava desvairadamente apaixonada por voc. 
    Ele baixou a cabea. 
    -No finja que no leu os jornais, Simon. Sim,  verdade, por que eu no deveria admitir? Estava obcecada por ficar a seu lado de qualquer modo. Nem me importava que voc apenas me tolerasse. Que tola eu era! 
     Chris... 
     JIll falou o qu ouviu de voc, que me culpava por t-lo feito passar por vilo, devido a minha tentativa de suicdio, assim como me culpa pela morte de John. Prossiga...me odeie! No me importo mais!  ela estava, descontrolada.  Nem sequer estou surpresa em v-lo com Jill. Ela  medocre como voc, e tambm sabe como ferir uma pessoa. At ouso dizer que formam um casaI e tanto! 
   - No se importa por eu estar com outra mulher que no voc esta noite?  Simon sorriu. 
     No. Toda essa notoriedade tem seu aspecto positivo. Fez-me ver como perdi tempo durante todos esses anos sofrendo e  ansiando por um homem que no me merece. Acabou me prestando um favor quando revelou sua opinio a meu respeito. At que enfim, estou livre de voc, Simon. E nunca me senti  to feliz! - 
    Deu-lhe as costas e foi andando devagar ao encontro de Charles, deixando Simon parado, rgido, com uma expresso chocada que agradou muito seu orgulho ferido. Quando Charles a acomodou no banco do passageiro, Christina viu Simon entrar na manso. Conhecia bem sua postura. Ele estava furioso. 
    - Calma, meu bem... Corre o risco de explodr. 
    - Sei como voc se sentiu h pouco, Charles. Simon e Jill so dois hipcritas! 
    - O que ele falou? 
    - Ele queria saber o que Jill havia me dito, e ento repetiu a opinio que tem sobre meu carter. Porm, agora, ele no soube o quanto me magoou. - 
    - No passamos de dois bobos apaixonadas.  Simon  um Idiota. 
    - Jill e Gene tambm. Ns todos somos. Talvez pudssemos arranjar  emprego num circo 
    Ao chegarem  casa de Christina, Charles desligou o mo tor e fitou-a preocupado. A amiga parecia to Infeliz que ele sentiu muita pena. 
    - Entre, troque de roupa e faa uma mala, Chris. 
    - O que?
    - Vamos voar para Nassau para um fim de semana.  sbado temos trs dias de frias. Tenho um amigo que possui uma vila em  Nassau. Ele e a esposa adoram companhia. Tomaremos sopa de mariscos, jogaremos-no cassino e deitaremos praia. Que tal? 
    - Ser que podemos?  Christina perguntou, com um brilho no olhar.
    - Sem dvida. Voc precisa de um descanso, e eu tambm;
    - Combinado, ento! 
    - No demore muito. Estarei de volta em uma hora. -. 
    timo! 
    Foi estupendo. As breves frias fizeram com que Christina visse a vida de outra maneira. 
    Charles era maravilhoso, um companheiro sem exigncias,  
muito mais um irmo do que um namorado. Andaram por toda Nassau, apreciaram os navios nas docas, no porto e nos grandes mercados. Para Christina, Nassau era a mais cosmopolita e excitante cidade que j conhecera. E naquele momento, era uma ddiva de Deus. Odiava lembrar as palavras de Jill e as acusaes de Simon. Fora muito bom viajar. 
    Resolveram, aproveitar cinco dias em vez de trs, e voltaram para San Antonio bronzeados e de bom humor, embora Charles confessasse que sentira saudade do Big Red. E provou isso correndo para a residncia assim que deixou Christlna em casa. 
     Eu telefonarei amanh cedo, querida.Pderiamos jogar uma partida de tnis no sbado, se voc quiser. 
    - Quero, sim. Obrigada, Charles.
    - Que bom!  Ele sorriu.  At mais. 
    Ao v-la entrar, a sra. Lester a cumprimentau entusiasmada: 
    - Que bom que voltou, Chrisl O telefone comeou a tocar um dia depois que partiu e s parou h pouco. No sei por que o pessoal do jornal quer desenterrar aquele assunto, mas acho que o acontecimento de tera-feira  tarde lhes deu algo novo para ir atrs. 
     A que se refere? 
    -  Lembra-se daquele homem que o promotor havia libertado? Bem, ele estava na corte, sendo julgado. De repente, se levantou da mesa, se dirigiu ao juiz e quase o matou. Conseguiram seugur-lo e desarm-lo. Tiveram que atirar nele... Tudo sob as cmaras de tev. Foram cenas pavorosas! 
     Deus do cu! 
     O sr Hsrt estava no meio, tambm. Ele tinha audincia, e esperava para ser chamado quando o prisioneiro se soltou. 
     Simon? Ele se feriu? 
    - No. Foi o ar. Hart quem ergueu o brao do preso, e um delegado desferiu o tiro. Mas voc precisava v-lo dando entrevista. Parecia frio como ao. 
    Christina sentou-se na beirada do sof e agradeceu aos cus pela vida de Simon. Gostaria que ainda fossem amigos, mesmo que distantes, para que pudesse lhe telefonar. Mas havia grande barreira entre os dois. 
    - O sr. Hart quis saber por que no entrou em contato com ele depois do ocorrido. 
    - Simon telefonou? 
     - Queria saber se voc ficara sabendo do incidente e se estava preocupada. Tive de lhe dizer que viajou e que no sabia de nada. Ele quis saber de seu paradeiro. Espero no ter feito mal em inform-lo.
    - No dou a mnima! 
    - O qu? 
    - Fez bem em contar-lhe, sra. Lester. Diverti-me muito em Nassau.
    - Espero que o sr. Percy seja um bom homem. I
    - Charles  excelente. Estou cansada. Vou me deitar um pouco, por iso no precisa preparar nada para eu comer, est bem ? 
    - Claro querida. Descanse. Quando acordar prepararei sanduches. 
    - Obrigada. 
    Chovia no dia em que Christina levou suas esculturas para a galeria de arte de Bob Henderson. 
Carregou a ltima caixa com cuidado pela entrada dos fundos onde Lillian Day, a gerente da galeria, mantinha a porta aberta para ela passar. 
     Esta  a ltima, Lillian.  Christina sorriu.  Nem acredio que tudo isso foi feito por mim. 
      bastante trabalho! 
    Lillian abaixou-se para abrir uma das caixas e franziu as sobrancelhas ao ver a pea. 
     Pretende incluir essa? --- perguntou apontando para o busto de Simon. 
     Sim. Quero me livrar dela. 
    Lilian no teceu nenhum conentrio. 
     Vou coloc-la junto com as outras, Chris. Os catlogos j esto prontos, e ficaram perfeitos. Eu mesma os conferi. Tudo est organizado, inclusive o coquetel e a cobertura pela imprensa. A decorao do buffet ter motivos natalinos. 
    Christina ficou contrariada. A ltima coisa que queria no mundo era ver um reprter. 
    Lilian, que era uma mulher muito sensvel, encarou Christina e procurou anim-la. 
     No se preocupe, os jornalistas sero orientados por mim. No lhe faro nenhuma indagao embaraosa, e me certificarei de que apenas escrevam a respeito da exposio. 
    - O que eu faria sem voc, Li1lirn? 
    - Estamos muito contentes em ter voc e suas obras conosco , Chris. 
    Christina se preocupara com a reao de Simon, j que era scio de Bob Henderson. No tinham mais conversado, e ela at esperara que ele cancelasse o evento. 
    Contudo, Simon no o fez. Talvez a sra. Lester estivesse enganada, e ele, na realidade, no se importara por ela no 
ter ligado depois do incidente na corte de Justia.  Mas o fato de no ter ligdo no queria dizer que no se preocupara. Christina passara algumas noites sem dormir imaglnando o que poderia ter lhe acontecido. Apesar, dos
esforos, os sentimentos em relao a Simon no haviam mudado. Cntinuava apaixonada. 
    A noite da exibio chegou. Christina se sentia muito 
nervosa, mas contente por ter Charles a seu lado. No que 
esperasse que Simon aparecesse, ainda mais com a mdia 
presente. Ele no iria querer dar mais munio  imprensa. Porm  o destino s vezes muda os acontecimentos. Charles telefonou no ltimo minuto, muito preocupado, para dizer que no poderia comparecer. 
    - Gene teve um ataque cardaco. 
    - Oh, Charles, sinto muito! 
    - No fique triste. Voc sabe que no h amor entre ele ns, mas ele  meu meio-irmo, e no tem ningum mais cuidar dele. Vanessa est em estado de choque. No posso deix-la sozinha. 
    - Qual o estado de Gene? 
    - Estvel no momento. Irei para o hospital. Vanessa est com ele, que lhe d o trabalho usual. 
    - Se houver alguma coisa que u possa fazer... 
    - Obrigado pelo apoio. Sinto deix-la s, mas  muito provvel que  Simon no aparea. Fique perto de Lillian, ela cuidar de voc. 
    - Sim, eu sei  Christina achou graa.  Mantenha-me informada.
     Pode deixar. Boa sorte. 
    Charles desligou, e Christina ficou olhando para o aparelho durante alguns instantes. 
    Quando entrou em seu Jaguar, sentiu-se confortada pelo fato de no ter de acrescentar Simon a outras complicaes que pudese vir a ter. 
    A galeria estava repleta de possveis compradores, alm dos curiosos. No era dificil reconhecer as pessoas que tinham  condies de adquirir as esculturas daquelas que no tinham. 
    Christina fingia no perceber. Pegou uma taa do caro champanhe que serviam e bebeu metade de um s gole, antes de ir juntar-se a LiUlan e misturar-se aos convidados. 
    Sentiu um arrepio ao avistar Jill e Simon. 
     Oh, Deus...  murmurou, por entre os dentes.  Por que eles tivram que vir?! 
    Lillian segurou-a pelo brao com gentileza. 
     No deixe que percebam que a perturbam. Sorria, garota. Conseguiremos sobreviver, voc ver. 
     Acha mesmo? 
    Recomps-se ao ver que Simon e Jill vinham em sua direo. 
     Quanta gente!  ele disse a Christlna, olhando-a de cima abaixo, com um interesse que no era usuaL 
     Foi muita gentileza sua ter vindo . Lillian falou. 
    Simon voltou-se para ela. 
     Seria imperdovel que eu no comparecesse, uma vez que sou scio da galeria. E voc, Chris, est sozinha? Onde est sua sombra? 
    Christina sabia que Simon se referia a Charles 
    - No pde vir. 
     Faltou  primeira noite de sua exibio? 
     O irmo dele teve um ataque cardaco, como voc deve saber. Gene est no hospital. 
     E voc tem de estar aqui, e em vez de ficar ao lado dele. Que pena! 
     Charles no precisa de consolo, mas sua cunhada, sim. 
    Jill se aproximou mais de Simon. 

    - Apenas paramos para dar uma olhada em seu trabalho, Estamos indo  pera. 
    Christina evitou encar-la. Adorava pera, e, no passado, Simon a acompanhara a diversas apresentaes. Doa recordar como  tudo parecia distante. 
    - Voc no vai mais a peras, Chrls? 
    - No tenho tempo.. 
    - Percebi. Nem se incomodou em me telfonar ao saber que um luntico ameaou de morte o juiz e as pessoas presentes ao julgamento. 
    - No  possvel se magoar algum frio como o gelo. 
    - Alm disso, voc estava fora do pas quando o fato conteceu no ? 
    - Sim, viajei para Nassau com Charles. Divertimo-nos muito
    Antes que o confronto pudesse ir mais longe, Lillian, sempre diplomtica, interveio: 
    - Tem algum tempo para olhar a exposio, Simon? 
    - J vlmos quase tudo  Jili respondeu por ele.  Inclusive o busto de Simon. Estou surpresa por Chrls querer vend-lo. Mas, devido s circunstncias, seria uma recordao dolorosa manter essa pea em casa, no , querida? 
    Christina fez meno de atirar o contedo da taa no rosto de Jill mas, antes que o fizesse, Simon segurou-lhe o pulso.
    - Sem brigas. Jill, espere-me l fora, por favor. 
    - Se  assim que voc prefere... Cus, ela parece violenta! 
    Vendo-a sair, apressada, Simon dirigiu-se a Christina: 
    - Controle-se! No v que os reprteres esto observando? 
    - No dou a mnima para eles. Se ela chegar perto de mim outra vez , juro que no respondo por mim! 
    Simon soltou-a, e alguma coisa animou seu olhar triste. 
    - Essa atitude  mais prpria de voc  
    Christina percebeu que Lillian estava para abandon-la, deixando-a s com Simon. 
    - Por que veio? - - 
     -- Para que a mdia no especulasae em cima de minha 
ausncia, Chris. No seria bom para nenhum de ns, aps o que j escreveram a nosso respeito. 
     Bem, cumpriu seu dever. Pode ir, agora. No se esquea de levar junto aquela bruxa. 
    Est com cime? 
    -  EM certa ocasio eu lhe fiz essa pergunta. Pode dar 
mesma resposta que me deu. Lembra-se de qual foi? 
    Simon continuava a estud-la. 
     Voc emagreceu. Parece mais uma viva do que uma celebridade. Por que sempre usa preto? 
     , acho que est certo. Eu devia chorar por meu marido Ento, estou de luto, e estarei at morrer, e nunca mais olharei para homem nenhum. Isso o faz feliz? 
     Chris...  Simon franziu as sobrancelhas. - Christina! 
    Era Larry Deck, o sogro de Christina, que vinha se aproximando, muito alegre, para abra-la. Depois, cumprimentou Simon. 
    - Que bom ver os dois! Rostinho de anjo, voc est realizada. Sempre soube que tinha talento, mas est exposio  coisa de gnio! 
    Simon pareceu surpreso com o honesto entusiasmo de Harry e com a afetividade em relao a Christina. Ela matara seu filho. Como ele no se importava? 
     Estou feliz em v-lo, Simon. Faz tanto tempo! 
     Simon j est indo embora, Harry: No est, Simon? 
 Christina pergunto. 
     Parece que algum a est chamando.  Harry notara Lililan acenando para Christina. 
     Por favor me d licena por alguns minutos, Harry 
    E se afastou, ignorando Simon. 
     Estou feliz por v-la melhor.  Harry susplrou e enfiou as mos nos bolsos.  Preocupo-me muito com Christina desde que estava no hospital. 
    Voc gosta muito dela, no ? 
    Harry pareceu surpreso. 
     E por que no seria assim? Chris  minha nora, e sempre a amei. 
    - Chris divorciou-se de John um ms depois do casamento e o  deixou partir para um trabalho perigoso no meio do oceano. E ele morreu l. -- 
    - Mas no foi culpa dela. 
    - No?
    - Por que  to amargo, Simon? Pelo amor de Deus, no pense que Chris no tentou mud-lo. Jobn deveria ter dito a ela antes do casamento, e no ter deixado que descobrisse daquela maneira. 
    - Descobrisse o qu? 
    Jill chamava Simon, que lhe fez um sinal para que esperasse mais um minuto, e virou-se para Harry. - Descobrisse o que, Harry?  repetiu. 
    - Que John era homossexual, Simon. 
    O sangue pareceu fugir das faces de Simon, que ficou encarando Harry, atnito. 
    - Ela no lhe contou?  Harry meneou a cabea. -E bem prprio de Chris... Na certa quis preservar suas iluses a respeito de John, mesmo sacrificando seu respeito para consigo. Se ao menos John aceitasse o que era... Mas no conseguiu se assumir. E nunca pareceu entender que eu o amava acimade tudo. 
    Simon procurou por Christlna com o olhar. 
    - Jesus amado!  ele gemeu quando se deu conta do que havia feito. 
    - No fique assim, Simon. John fez sua prpria escolha. Eu deveria ter percebido que meu filho andava perturbado e feito alguma coisa. 
    Simon sentiu-se miservel. John estivera doente na alma. Como fora tolo em nada perceber! 
    - Ns deveramos ter lhe contado  Harry continuou a falar- Voc  adulto, no precisava ser protegido da verdade. Chris sempre foi assim, mesmo com John, sempre querendo proteg-l, e teria prosseguido com o casamento se ele no tivesse insistido no divrcio. 
    - Eu pensei... que... ela tivesse querido se separar. 
    - Meu filho pediu em nome dela e alegou crueldade mental.. Acho que John no se importou com o que os outros poderiam imaginar. Quis tornar as coisas piores para si e salvar a reputao dela. Isso foi logo depois de seu acidente, quando Christina tentava cuidar de voc. John achou que todos poderiam achar que vocs dois tinham um caso e que ele tinha descoberto. 
     Nunca toquei em Christina! 
     Nem John, Simon. No conseguiu, e chorou em meus braos um pouco antes de procurar um advogado. John queria am-la. Pode-se dizer que a amou, do jeito dele. Mas no era um modo convencional. 
    Simon afastou da testa uma mecha dos cabelos escuros. 
     Voc est bem? 
     Estou, Harry. 
    Mas no estava. Nunca mais ficana. Sentia-se angustiado. 
Jili, pressentindo algum problema, veio at ele e o tomou pelo brao. 
     Vamos perder o primeiro ato, Simon. 
    Ele fitou-a. Ocorreu-lhe que estava ajudando a pior inimiga de Christina, e de propsito,  claro, para faz-la sofrer. Entretanto, ficara a par de toda a verdade, e era ele quem estava sofrendo e sentindo-se culpado 
    - Ol! Sou Jill Sinclair. J nos conhecemos? Sorriu para Harry. 
     Temos de ir.  Simon no queria fornecer a ela mais munio do que j tinha.  At mais, Harry. 
     Certo. Ba noite, Simon. 
     Quem era?  Jili quis saber, ao se aproximarem da a sada. 
    Um velho amigo. Espere um minuto. H algo que tenho de fazer. 
    - Simon! 
    - Ser apenas um minuto. 
Simon se dirigiu a um dos funcionrios encarregados das vendas. Voltou, ento, at Jili, no sem antes enderear um ltimo olhar arrependido para Christina, que conversava com um grupo de socialites no fundo do salo. 
    - Metade das peas j esto vendidas  Jill murmurou. - Chris far uma fortuna. 
    - Est doando a renda para uma entidade fllantrpica. 
    - Isso ser muito bom para a imagem dela. Deus sabe que est precisando... 
    - No  esse o motivo, Jill. 
    - O que quiser, querido! Ai, estou com frio. O Natal ser daqui a uma semana. Espero que me compre alguma coisa bem bonita. 
    - No conte com isso, pois decerto estarei fora da cidade.                    Ah...Ora, poderei passar os feriados com minha tia, em Connecticut. Eu adoro a neve! 
    Simon mal a ouvia. Tinha o peito apertado pelas revelaes de Hay. 

    Christina vira Simon sair com Jill. Estava, contente por ele ter ido embora. Talvez agora pudesse aproveitar a noite. Lillian lhe lanava olhares estranhos, e,quando Harry foi se despedir, tambm parecia esquisito. 
    - O que est errado, Harry? 
    O ex-sogro ia comear a falar, mas mudou de idia. Seria melhor queSimon decidisse qual a melhor hora para ela saber. Estava cansado de se referir ao passado, era muito doloroso.
    -  uma grande exposio, criana. Voc  um sucesso! 
    - Obrigada, Harry. Gosto de fazer isso. Mantenha-se em contato ouviu? 
    Harry beijou-lhe o rosto. 
    - Sabe que eu o farei. Como est Charles? ,
    - O irmo dele sofreu um infarto. No est nada bem. 
            - Sinto muito. Sempre gostei de Charles, e ainda gosto. 
    - Direi a ele. 
    - Faa isso, pequena, e cuide-se. 
    - Voc tambm, Harry. 

    Horas mais tarde, Christina estava mais calma, apesar da discusso que tivera com Simon e das observaes maldosas de Jill. Tambm no conseguia aceitar a idia dos dois sozinhos, no apartamento de Simon, deitados, abiaados. 
     Que sucesso!  Lillian a desviou dos pensamentos.  Voc vendeu trs quartos das obras expostas. O restante ficar em exposio durante algumas semanas. 
     Estou muito feliz. Ser tudo doado ao programa do St. Mark. 
     Eles ficaro agradecidos, tenho certeza. 
    Christina caminhava pela galeria ao lado da gerente. A maioria das pessoas j se retirara, e mais algumas se dirigiam  porta. Notou que o busto de Simon tinha uma placa de vendido, e ficou curiosa. 
     Quem o comprou, Liiian? -No foi Jill Sinclair, foi? 
     No. No recordo quem foi, mas posso checar, se voc quiser. 
    No  necessrio. Tanto faz quem adquiriu a escultura. S quero tir-la de minha frente. No me importo em no ver mais Simon Hart. 
    Simon passou a noite sentado em uma poltrona, e estava tomando a segunda dose de usque em meia hora. Levara Jill para casa, evitando o convite para passar a noite com eia. 
Depois do que ouvira de Harry Beck, precisava ficar sozinho para pr as idias em ordem. 
    Muito se falara a respeito do sucesso da exposio e de que o dinheiro seria doado, mas nada foi dito sobre a tentativa de suicdio de Christina. Simon esperava que os jornais tambm no mencionassem o fato. 
    Bebeu um gole e pensou em todas as coisas desagradveis que dissera a Christina a respeito de John. Como a pobrezinha devia ter sofrido com o fracasso daquele caSamento e que coisa horrvel, se amara John! Nesse caso, teria visto suas esperanas e iluses destruidas. 
    Mas Simon tomara o partido de John e a punira como se fosse culpada pela morte do amigo. Alm disso, pusera-a fora de sua vida, proibindo-a de chegar perto dele. 
Fechou os olhos, angustiado. Christina nunca mais o deixaria se aproximar, mesmo que pedisse mil perdes. Ofendera-a muito. E a troco de qu? Ela era inocente, afinal. 
    Terminou a bebida, e o arrependimento parecia fazer aumentar  sua solido. Fitou a rvore de Natal, perto da janela, que a empregada arrumara com entusiasmo. Passaria essa data sozinho. Christina pelo menos teria a companhia de 
Charle Percy. Gostaria de saber por que os dois ainda no tinham casado, visto que estavam sempre juntos. Lembrou-se que Charles sempre a acompanhara e a protegera. Fora amigo dela quando Simon lhe dera as costas. Como poderia culp-la por preferi-lo? Ps o copo sobre a mesa e levantou-se. Sntia um trapo.  Estava com quase quarenta anos, e no havia realizado nada do que qulsera. A criana que poderia ter tido se fora com Melina, que nunca o amara. Vivera na iluso durante muito tempo, quando a realidade do amor estava perto dele, mas dera-lhe as costas. 
    Se tivesse deixado que Christina o amasse... 
    Gemeu alto. Ela o odiaria para sempre, e ele era o nico culpado. Tinha conscincia de que merecia isso, pois a magoara muito.. - - 
    Foi para a cama e se deitou, mas no pde conciliar o sono. S conseguia ver diante de si Christina e seus olhos tristes norosto plido e belo. 
    Simon no estava de bom-humor na manh seguinte, ao sair para o trabalho. A sra.Mackey, sua secretria, uma senhora de meia-idade, parou-o  soleira do escritrio com o recado de telefonar com urgna para o gabinete do governador. Sabendo qual era o assunto, Simon resmungou. No queria ser promotor do Estado, mas sabia que era isso o que Wallace iria lhe oferecer. Era dificil dizer no a Wallace Bingley, um governador muito popular e tambm seu amigo.   Tanto Simon quanto Christna haviam se envolvido ativamente em sua campanha.. 
     Est bem, sra. Mackey. Faa a ligao para mim. 
Minutos mais tarde, Simon ergueu o fone. 
     Ei, Wally! Em que posso servi-lo? 
     Voc sabe por que estou  telefonando, Simon. Sua resposta  sim ou no? 
     Gostaria de pelo menos uma semana para pensar a respeito, Wally. Trata-se de uma parte de minha vida que eu no tinha planejado reassumir. No gosto de ficar em evidnda, e ouvi dizer que no Texas h muitos candidatos a promotor. 
    Wallace riu. 
     Voc no tem tantos inimigos polticos e  mais astuto que a maioria deles. Mas est bem, pondere sobre o assunto at o final do ms. Duas semanas  tudo o que vou lhe dar. Aps os feriados natalinos, seu afastamento terminar, e terei de indicar algum para o cargo. 
     Prometo que at l lhe darei uma resposta definitiva. 
    - Bem, mudando de assunto, ir  festa de Natal de Stark?           - Gostaria muito, mas meus irmos vo celebrar em Jacobsville. Jurei que compareceria. 
    - Por falar em seus irmos, como vo eles? 
    - Desesperados!  Simou riu.  Corrigan me ligou para dizer que Dorie suspeita estar grvida. Se estiver, os rapazes tero de achar uma nova vtima para fazer biscoitos para eles. 
   -  Por que no contratam uma cozinheira? 
   - Porque no podem, e voc sabe a razo. 
    - Acho que sei. Ele no mudou, no ? 
    - Nunca mudar. 
    Eles se reteriam ao outro irmo de Simon, Leopold, que era irascve1 e s vezes mal-educado no trata com as empregadas. Ao contrrlo de Corrigan, Callaghan e Reynard, Leopold gostava de bancar o valente. 
    - Como vai Christina, Simon? Ouvi dizer que a xposio foi um enorme sucesso. 
    A meno do nome dela o fez sentir-se desconfortvel e tornou vvida demais todos os erros que cometera. 
    - Acho que est bem
    - Ah... Bem, havia me esquecido. A publicidade deve ter sido desagradvel para vocs dois. Mas ningum leva esse tipo de coisa a srio, e decerto isso no afetar suas chances na politica, s  esse o motivo de hesitar em aceitar o cargo que estou lhe oferecendo. 
    - No  por Isso Wally, e agradeo o convite. 
    - Espero que aceite. 
    - Eu o avisarei. 
    Simon despediu e desligou. Era penoso falar sobre Christina, que demoraria muito para perdo-lo. Se  que o perdoaria um dia. 
    Se ao menos houvesse um modo de persuadi-la a escut-lo... Tentara telefonar, mas, assim que Christina ouvira sua voz, desligara, e a secretria eletrnica respondera quando tentara de novo 
   Ento lembrou-se de Sherry Walker, que fora amiga comum dos dois no passado, adorava pera e tinha cadeira cativa no camarote bem em frente ao de Simon. Sabia que Sherry quebrara uma perna esquiando e dissera que no siria de casa at que estivesse completamente recuperada. Talvez ali estivesse um modo de fazer com que Christina conversasse com ele. 
    Christina tentou se animar com o telefonema que recebera de uma velha amiga que oferecera seu ingresso para que assistisse Turandot, sua pera favorita, na noite seguinte. 
Aceitara com prazer, pois iria lhe fazer bem passear um pouco e fazer algo de que gostava muito. 
    Colocou um lindo vestido preto com listras, e um blazer de veludo. Chamou um txi, que a levou ao centro da cidade pois estacionar o prprio carro perto do teatro seria complicado. Ao descer do carro, misturou-se  multido, e a dor da solido foi eliminada pela excitao de esperar pela apresentao de espetculo. 
    Seu lugar era no camarote. Lembrou-sede quantas noites estivera ali com Simon, mas sentiu-se aliviada ao ver que o lugar dele estava vazio. Se houvesse alguma possibilidade de que estivesse presente, Chrlstina no teria ido. Contudo, sabia que Simon j assistira com Jili quela apresentao, portanto, era improvvel que viesse de novo. 
    Ouviu-se um sinal, e o teatro fIcou escuro. A cortina comeou a erguer-se, e a orquestra iniciou a abertura. Christina relaxou e sorriu. 
    Ento, tudo comeou a dar errado. Houve um movimento a sua esquerda, e quando se voltou para olhar deparou com 
Simn sentad a seu lado.  
    Ele lhe deu um sorriso, meneou de leve a csbea e voltou a ateno para o palco. 
    Christina apertou a bolsinha. Os ombros d Simon tocaram os seus quando se ajeitou na cadeira, o que lhe transmitiu uma energia singular. Desejou beijar-lhe a boca e pressionar-lhe o corpo com o seu. A vontade era to premente que Christina estremeceu. 
    - Est com frio?  
     No. - Ela cerrou os dentes e fechou mais o bIazer. 
    Simon passou o brao pelo encosto da cadeira de Christina, que  prendeu a respirao. Tentou levantar-se, mas Simon a segurou com firmeza. - - 
    - Fique onde est. - - 
    Christina hesitou, porm, apenas por um instante. Estava preparada para fugir dali. 
    - Preciso ir ao banheiro, se no se importa.
    - Oh, desculpe-me... 
    Simon suspirou e soltou-a. - - 
    Christina, alguns passos longe dele, sentiu-se a salvo. No olhou para trs, e foi at o saguo.  Seria fcil sair e pegar um txi. Aquele horrio, havia muitos deles cruzando as ruas da vizinhana. Fez parar o primeiro que surgiu, entrou, deu o endereo e acomodou-se suspirando, aliviada. 
    Chegou em casa mais infeliz do que nunca, vestiu a camisola branca e soltou os cabelos. No podia culpar Sherry Walker pelo fiasco. Como algum poderia saber que Simon decidira ver a pera de novo, justo aquele dia? Tinha sido uma coincidncia cruel.  
    Apesar de ser tarde, fez caf, e estava sentando-se na sala de estar quando a campainha da porta soou. 
    Devia ser Charles, Christina imaginou. Portanto, abriu a porta, sem verificar de quem se tratava. 
    Simon mostrava uma expresso furiosa. 
    Empurrou-a de leve, entrou e girou a chave. 
    - Por que fugiu?  Simon perguntou, num sussurro,
    - No esperava que voc estivesse l. Voc j havia visto o espetculo. 
    - Sim com Jill
    - Pois ...Quer um pouco de caf? 
    - Se prometer no pr arsnico nele... 
    - No me tente. 
    Christina conduziu-o at a cozinha, pegou uma xlcara e a encheu. No ofereceu nem creme nem acar; porque sabia que Simon s tomava caf puro. 
    Simon puxou uma cadeira e sentou-se, antes de pegar a xcara e tomar um gole, olhando-a de uma maneira desconcertante. 
     O que voc quer; Simon? 
     Dizer-lhe como me sinto. 
     No me importo nem um pouco com seus sentimentos. 
     Sim, eu sei. Perdi voc, no ? Nada ser o mesmo. 
    0 corao de Christina disparou, mas ela manteve os olhos baixos para que ele no percebesse ;quanta alegria lhe dava aquela afirmao. 
     Ns ramos amigos, mas tenho certeza de que voc tem muitos outros, incluindo Jill. 
    No havia percebido o quanto voce Jill se detestam. 
     E que diferena isso faz, Simon? No fao parte de sua vida. 
    - Mas fazia. Tambm no tinha notado o quanto voc era importante at ser tarde demais. 
      melhor deixar isso tudo de lado. Mais caf? 
    - No, obrigado. WaIly me ofereceu o cargo de promotor do Estado. Tenho duas semanaspara me decidir. 
     Voc era um bom advogado estadual. Chrlstlna o lembrou. - E wna opInio unnIme. 
     Mas vivia em uma gaiola dourada. E no gostei. 
    - Tem de analisar os prs e os contras, antes de tomar uma deciso. 
    Ele mudou de assunto, de repente 
     Conte-me o que aconteceu na noite em que foi levada para o hospital. 
    - Bebi demais e perdi os sentidos. - Christina, deu de ombros.  No foi nada nais. 
    - E a pistola? 
    - J falei sobre o rato. Ela apontou a geladeira.  Estava l debaixo. No conseguia peg-lo, ento me embebedei e resolvi imitar John Wayne. Mas errei. 
    Simon esboou um sorriso. 
    - Achei que deveria ser uma coisa desse tipo. Sei que no tem o perfil de uma suicida. 
    - Voc  a nica pessoa que pensa dessa maneira. Nem o Dr. Gainesacreditou em mim. Chegou a sugerir que eu fizesse terapia. 
    - Os jornais tiveram um dia cheio, e creio que Jill ajudou a por lenha na fogueira. 
    - Ficou sabendo logo? 
    - No at que ela comentasse, e quando j era tarde demais para fazer qualquer coisa.. Mas acho que no valeria a pena. Creio que muita gente acredita nos comentrlos da coluna que Jii tem no jornal do primo dela. 
    - Pensei que o peridico pertencesse a ela. 
    - Jill resolveu vend-lo, por razes que desconheo. Continua trabalhando l, mas no  mais proprietria.     Christina recostou-se na cadeira e olhou para ele. 
    - No acreditaram que tentei me suicidar por am-lo?  esboou um sorriso malvolo. - Voc partiu meu corao ao me acusar de ter matado meu marido. Estava mesmo 
sobrecarregada de trabalho e fiz uma coisa estpida, mas espero que no creia que passo noites em claro chorando por um amor no correspondido. 
    O tom irnico o atingiu at o fundo da alma. 
    - Bem, j  tarde, Simon. Gostaria de ir me deitar, 
    -  mesmo?  Fitou-a de cima a baixo.  Christina levantou-se, e quando passava por ele, Simon segurou-lhe o pulso e colocou a palma sobre seu peito. 
    - Veja o que faz comigo. 
    - Simon, deixe-me ir... 
    Ele no a obedeceu. No podia. Aspirou perfume dela e sentiu que Christlna tremia. Sua mo escorregou pelo cabelos macios e pela nuca delicada, impedindo-a de se afastar. A respirao de Simon se acelerou. Ele esfregava a face na dela como se quisesse sentir a textura de sua pele. Ela no protestava mais, e Simon, sentindo-a render-se, aproximou e comeou a beijar-lhe os cantos da boca. 
    - No
      tarde demais, Chris. So anos de atraso. 
    Os lbios quentes de Simon pousaram sobe os dela, explorando-lhe a boca com a lngua. Ambos foram percorridos por um estremecimento, como se tivessem sido atingidos por uma descarga eltrica. 
    Simon enlaou-a pela cintura. De sbito, Christina percebeu que o beijo com que sempre sonhara se tornara realidde. Tinha gosto de caf, e era exigente e sensuaL Agarrou-se a Simon, certa de que nunca mais Iria vivenciar uma sensao to poderosa. 
    A atitude de Christina surpreendeu Simon, porque no era 
a reao de uma mulher experiente. Ela permitira que ele a 
beijasse, pareceu gostar de seu ardor, mas no respondeu  
sua sensualidade. Era como se no soubesse como faz-lo. 
    Simon afastou-se um pouco e olhou-a bem dentro dos olhos com uma sensual arrogncia e um pouco de curiosidade. 
    Era um Simon que Christina nunca vira, que noconhecia; um homem sexy,que entendia de mulheres. Christina 
o temia porque no tinha defesa contra aquela volpia, e 
o medo fez com qu o empurrasse. 
    Simon a soltou. 
    Christina se afastou dele, e os dois ficaram se encarando como se no entendessem o que estava acontecendo. 
Simon jamais pudera sonhar que ele e Christina viriam a ser protagonista de uma cena to ardente. Em todos aqueles anos de amizade, nunca se aproximara dela flsicamente, at aquela noite. Sentia que mergulhavam em guas desconhecidas. 
    Christina caminhou at a saida dos fundos e abriu a porta, aparentando uma calma que no devia estar sentindo. Parecia, para Simon, mais bela do que nunca 
    Ele entendeu a mensagem ms parou no batente para olhar mais mas vez para ela, que estava muito perturbada para uma jovem que tinha um amante. Simon sentiu-se atingido por um Inesperado ciume de Charles. 
     Charles  um homem de sorte, Chris.  assim... com ele? 
    - Saia daqui! 
    Simon passou por ela e hesitou durante um momento, mas Christina o trancou do lado de fora com extrema rapidez. Voltou  cozinha, passou pelo vestbulo e dirigiu-se ao quarto antes de deixar que a lgrimas escorressem, livres, pelas faces e sentia-se tensa demais para tentar entender o motivo daquele beijo to ardoroso. No entanto, sabia que tinha de ser um tipo de vingana pelo amigo John. 
    Bem, no funcionaria! Simon no tornaria a mago-la, jurou a si mesma. S desejava no ter sido to tola a ponto permitir que ele a tocasse. 
    Simo ficou do lado de fora, perto do carro, sob a garoa, deixando que o frlo noturno esfriasse seu sangue. Estremeceu quando encostou a testa na capota gelada e agradeceu a Deus por ter conseguido sair antes de fazer alguma coisa mais estupida do que j fizera. 
    Christina se submetera. Poderia t-la possudo. E era incrvel como uma mulher que ele conhecia havia anos podia despertar nele tanto desejo e tanta paixo. Nem Melina conseguira este efeito, nos dias em que achava que era amado pela esposa.
    No tinha vindo  casa de Christina com inteno de seduzi-la, mas suas belas formas o atraram, cobertas apenas pelo robe, que deixava vislumbrar a camisola de renda. No conseguira se conter, e ainda sentia o calor dos lbios dela.      Forou-se a se recompor e relaxar. Pelo menos Christina na estava vendo como o perturbara. Se soubesse o quanto Simon ficara vulnervel, poderia sentir-se vingada, e seu no permitiria que isso acontecesse.
    Christina poderia seduzi-lo para depois desprez-lo com crueldade. Simon sabia que ela e Charles eram amantes, e tinha vises de Chrlstiria contando a Charles o que se passara entre os dois, rindo e gargalhando ao verificar como fora fcil abalar  sua fleuma. 
    Agora sabia por que Charles no conseguia manter-se afastado dela, e ficava contrariado ao imaginar que poderia t-la afastado de Charles se no tivesse sido to cego e preconceituoso. 
    Christina poderia ter sido sua. Em vez disso, porm, pertencia a Charles e s poderia odiar Simon pelo modo como a tratara. Por fim, entrou no carro e foi embora, contrariado por ter perdido a cabea e se recusando a admitir que fora ele quem comeara tudo.
    Depois de ter consumido mais usque do que deveria, Simon acordou com a vvida recordao de Christina em seus braos. No sabia como iria superar e esquecer o que acontecera entre eles. Jill telefonou, convidando-o para almoar, e notou seu mau humor. Simon se desculpou dizendo que havia ido  pera e discutido com Christina, mas no entrou em detalhes. Jill quis saber se ele sabia que Christina estaria l, mas Simon no respondeu, mudando de assunto e dizendo que tinha mauito trabalhao por fazer.
Jill ficou lvida ao ficar a par de que Christina  estava  invadindo seu territrio, justo quando a situao parecia estar a seu favor. Telefonou para a casa dela e ouviu da sra. Lester que a patroa sara para fazer comprar. O resto foi fcil...
Ao entrar em uma lancohonete no centro da ciade para comer um sanduche, Christina ainda se perguntava como se deixara trair daquela maneira nos braos de Simon. O destino parecia estar contra ela, pensou com fria resignao, quando viu Jill Sinclair entrando no estabelecimento e acenando-lhe no exato momento em Christina comia a sobremesa e pedia uma xcara de caf.
- Ol, como vai, Chris.  Jill endereou-lhe um sorriso de fingida inocncia.  Apenas lanches na hora do almoo? Que horror! Simon vai me levar ao Paul para comer crepes com cerejas.
     Ento por que est aqui?  Chrlstina no tinha a menor disposio para se mostrar simptica. Afinal de contas, Jili era sua maior inimiga. 
    Jill arqueoi as sobrancelhas perfeitas. 
     Bem, eu estava, ali ao lado e a vi aqui  mentiu.  Aproveitei a coincidncia para dar-lhe uma palavrinha. Simon me disse que ficou aborrecido por t-la encontrado na 6pera, ontem. Voc poderia ser mais cuidadosa ao arquitetar esse encontro acidental com o objetivo de persegui-lo, querida. Por causa disso ele est de pssimo humor hoje! 
     Que bom!  Christina mal controlava a ira.  Gostaria, de tomr caf coniigo, Jili? Deixe-me apresent-la  srta. Xcara! 
    Jill, num reflexo se afastou, e a xcara passou por ela e se espatifou no cho, a poucos centmetros de distncia. Arregalu os olhos e escancarou a boca. No esperava tal reao por parte de Christina. 
     Oh, meu Deus, como sou desajeitada! Deixei a srta. Xcara cair e derramar meu caf! 
     Eu j estava de sada....  Jiil engoliu em seco. 
    - Olhe!  Christina ergueu o bule.  O sr. Bule e a srta Xicara vo se encontrar de novo! No quer esperar para ver? 
    Jill se afastou quase correndo. Se Chrlstifla no estivsse se sentindo to infeliz, poderia ter dado boas risadas ao v-la fugindo, assustada. Desculpou-se com a garonete e deixou uma boa gorjeta para compensar o trabalho que daria  mulher. 
    Mas, na realidade, estava triste. Voltou para casa e comeou a esculpir uma nova pea para a galeria. No tinha necessidade do trabalhar naquela escultura, mas precisava fazer alguma coisa para no passar o dia todo recordando os bejjos de Simon e a maldade de Jili. 
    No dia seguinte, Christina foi convidada a participar de um comit para organizar a festa de Natal de uma creche. Como era Simnon quem o dirigia, ela declinou, com polidez, para, depois de algumas horas, receber um telefonema dele querendo saber qual o motivo da recusa. 
    Christina ficou furiosa.. 
    - Voc no sabe?! Fez com que eu ouvisse de Jill que o persegui na pera. Como pde dizer uma mentira dessas?! 
    Houve uma longa pausa 
    - Pedi a Sherry que lhe desse o convite do espetculo, j que ela no poderia us-lo, Chris. Se algum estava perseguindo alguma, essa pessoa era eu. 
    - O qu? -O corao de Christina batia forte. 
    - Voc me ouviu.  Simon deixou escapar um suspiro.  Trabalhe comigo no comit. Garanto que gostar. 
    Sim, ela gostaria mas estava relutante em aproximar-se dele. 
    - No sei se seria uma boa idia, Simon. Voc no me parece ser mais a mesma pessoa. 
    - No podemos comear de novo? 
    Ela hesitou mais uma vez. - 
    - De que  modo? 
    - Como colegas de trabalho. Colaboradores.., amigos. Como quiser, Chris. 
    Pelo menociera uma rendio, ou algo parealdo. Ou ser que Simon estava tentando faz-la pagar pela morte de John? Porm, de qualquer modo, sua vida no tinha o menor sentido sem ele.
    - Jill tambm est nesse comit? 
    - No!
    - Muito bem, ento aceito. 
    - Pego voc para a reunio, amanh  noite. 
    - No ser preciso,   Sirnon. Irei sozinha. Onde ?
    Simon lhe deu o endereo, e nada em sua voz indicou que estivesse irritado por Christina no ter querido ir com ele. Mas Simon se aborrecera, sim, mas com a interferncia de Jill. Cometera um erro grave ao sair com algum que detestava Christina. Andava deprimido e JIll era uma tima companhia, mas  iria acabar com aquele relacionamento, pois era uma coisa que Christina no perdoaria. 
    Christina foi  reunio, onde encontrou diversos velhos amigos. Trabalharam durante trs horas na preparao do evento e tiveram a colaborao dos habitantes mais velhos da cidade, que concordaram em se vestir de Papai Noel. 
    Christina se ofereceu para levar e servir dois bolos, pois no tinha outros planos para a vspra de Natal a no ser arranjar outra armadilha para o rato que morava em sua cozinha.    Outra mulher, uma viva, tambm quis colaborar, bem como mais dois homens, incluindo Simon.. 
    Assim que o encontro chegou ao fim, Simon parou ao lado do carro de Christina. 
     Meus irmos esto planejando comemorar a noite de Natal em Jacobsvilie. No gostaria de ir conosco? 
    Eu no... 
    Simon ps o indicador sobre os lbios dela, surpreendendo-a. Aquele tipo de intimidade no era comum, partindo dele. 
    Charles pode passar sem voc um sbado, no pode? 
    No tenho visto Charles, pois Gene, o irmo dele, est internado. Se no em engano, j lhe disse isso.. Vanessa no est bm, e Charles no pode deix-la sozinha. 
     Vanessa? 
     A mulher de Gene. 
    Christina quis contar-lhe a respeito de Charles e Vanessa, mas no era um segredo que lhe pertencia, e deix-lo pensar que ela e Chales eram ntimos era o nico trunfo com que contava no momento. No podia baixar a guarda e, alm do mais, ainda no confiava nele. A atitude de Simon em relao a ela era nova, e no conseguia. entender por que mudara. 
     Ah... sei. 
     No, na realidade voc no sabe. Bem, vou para casa, estou com frio. 
     Poderia lhe oferecer uma alternativa - Simon afirmou, com suavidade 
    Christina encarou-o com indiferena. 
    - No costumo ter encontros casuais, Simon. Isso para o caso de essa possibilidade ter lhe passado pela cabea.   Simon fitou-a como se tivesse sido esbofeteado. Franziu 
o cenho. 
     No mesmo? Ento se seu caso com Charles Percy no  casual, por que ainda no se casaram? 
    - No quero me casar outra vez. Nunca mais! 
    Simon entendia o motivo daqula averso dela ao matrimnio. Christlna fora trada da pior forma possvel..Harry lhe contara tudo, mas no tinha multa certeza se devia dizzer-lhe que conhecia o motivo da separa dela. 
    Christina dirigiu-lhe um olhar gelado. 
    - Jill no sabe que voc ainda chora por sua mulher, Simon? Ou ela  apenas algum com quem costuma se divertir? 
    - Que comparao horrvel!  Ergueu s sbrancelhas. 
    - Voc acha?  Sorriu com falsa candura.  Se me d licena,  vou paracasa. 
    - Venha para Jacobsville comigo. 
    - Para trabalhar  como escrava na cozinha? Sei tudo a respeito da mania de biscoitos de seus irmos, e no tenho a menor inclinao para sacrificios desse tipo. 
    - Eles no chegaro perto de voc, Chris. Corrigan est contratando Uma nova cozinheira que sabe tudo sobre forn e fogo. 
    - No ficar no emprego nem duas semanas. Leopold vai pr a coitada para correr.  
    Simon achava delicioso Clistlna conhecer to bem cada um de seus irmos, ter interesse por sua famlia. Ela e Corrigan haviam  sido amigos e at namoraram, muitos anos atrs. Lembrou-se que Charles Percy sempre estivera no caminho de Christina.  Como no notara Isso antes? 
    - Voc tem estado na companhia de Charles desde que John morreu no  mesmo? 
    - Charles  meu amigo, Simon. 
    - Amigo.  assim que se chama agora esse tipo de relacionamento?
    - Voc deveria saber. Como rotula o seu com JiIl? 
    - Pelo menos ela  honesta a respeito do que quer de mim, Chris. E  no  meu dinheiro, posso lhe garantIr 
    - Que bom que tem tanta certeza! 
    - Mas na noite passada voc retribuiu meu beijo. 
    Chrstina corou e baixou a cabea. 
    - Preciso ir embora. 
    Estavam lado a lado. Simon no a tocara, mas Chrisitna podia sentir o calor de seu corpo apesar do ar frio de dezembro.
    - Pare de fugir, Chris!
    Ela fechou os olhos por um instante antes de segurar a maaneta da porta do carro.
    - Um dia, chegamos a ser bons amigos,  Simon. Mas na somos mais.  E eu estou surpresa de como fui cega durante tanto tempo por no perceber a averso que tem por mim.
    - Christina...
    Ela ergueu a mo.
    - No o estou acusando. S quero que saiba que no ficarei desesperada e cheia de cime par v-Io andar por ai na companhia de Jill. 
    Simon percebera que Christina perdera muito peso. Parecia muito frgil
    - O que est querendo dizer? 
    - Que no preciso de sua compaixo, Simon.  Ergueu o queixo com visivel orgulho.  No quero nada que me aproxime de voc, nem me interessa o que Jill pensa ou diz. Estou reorganizando minha vida e no quero voltar a ser como eu era.
    Simon sentiu como se uma faca tivesse penetrado seu peito. Pela expresso de Christina, ela estava sendo sincera. 
    - Entendi.
    - No, acho que no entendeu, Simon. Voc  como uma droga. Eu estava viciada. Venho me recuperando, mas at pequenas doses so perigosas para meu restabelecimento.
    - O que quer dizer com isso?
    - Voc me entendeu muito bem. No vou me viciar de novo. Tenho Charles, e voc tem Jill. Seguiremos nossos caminhos, cada um o seu. Fui sincera a respeito da pistola e do camundongo. No foi uma desculpa. Nunca tive inteno de me matar por sua causa.
    - Eu sei disso!
    _ Ento por que...
    - Prossiga.
    - Por que fica arquitetando situaes que nos coloquem juntos? Isso no faz sentido.
    Simon acariciou os cabelos midos de Christina, que recuou fazendo com que ele  baixasee o brao ao longo do corpo, exalando um longo suspiro. 
     Voc no pode esquecer, no  mesmo? 
     Estou tentando, Simon. No entanto toda vez que estamos juntos as pessoas comentam. As histrias dos jornais so duras. No quero sobre mais especulae sobre mim.
     Nunca antes se importou com mexericos. 
     Porque jamais fui atormentada de medo to selvagem. 
Passei por uma mulher estpida e desequilibrada que chora e tenta o suicdio por um homem que no a quer. Minha vaidade est em frangalhosl 
     Como sabe que eu no a quero, Chris?  Christina ficou olhando para ele, emudecida pela pergunta inesperada. 
     Pegarei voc sbado s seis horas para irmos a Jacobsville  ele afirmou com determinao sem esperar resposta.  Vista alguma coisa elegante A festa ser formaL 
    No irei. 
     Ir, sim.  Simon se virou para afastar-se. 
     Voc  que pensa! 
  
    Faltava apenas uma semana para o Natal. Christina tinha a  festa das crianas para preparar e esperava por ela com
ansiedade para tentar preencher seu corao com o esprito
natalino. 
    Tinha tambm uma rvore natal artificial que montava na sala todos os anos. Acabara de enfeit-lla, e se afastou para admirar sua obra. 
    Christina usava um cafet branco e dourado que combinavam com a decorao do pinheiro, sobretudo devido aos seus cabelos vermelhos soltos sobre os ombros. 
    Era sbado. Decidira no ir  propriedade dos Hart. De fato, quando Simon tocasse a campanhia nem sequer o deixaria  entrar. Queria evit-lo. 
    - Muito bonita!  algum exclamou s suas costas. 
    Christina virou-se e deu com Simon em roupas sociais, olhando para ela, parado  soleira.
      Como... como entrou? 
     A sra. Lester, sempre gentil, deixou a porta dos fundos destrancada para mim. Eu lhe disse que amos sair e que voc, na certa, esqueceria. Ela foi muito amvel. A sra. Lester  romntica. 
    - Eu a demitirei na segunda-feira, assim que ela voltar da casa da irm! 
     Voc no pode fazer isso. Aquela mulher  um tesouro.    Christina o encarou. 
    - No irei a Jacobsvifle. Est perdendo seu tempo. 
     Vai, sim. E se vestir agora, ou eu mesmo o farei.    Christlna cruzou os braos e enfrentou-o. 
    Simon pareceu ter gostado, pois pegou-a pelo pulso e a empurrou atravs do vestibulo at o quarto, fazendo com 
que ela entrasse. 
    Christina percebeu que Simon j estivera ali, porque achou sobre a cama um vestido de noite e alguns acessrios que combinavam. 
    - Voc invadiu meus aposentos! 
    - Sim,  verdade. E foi muito educativo. AfinaI de contas, no se veste como uma sereia, querida. A maior parte de seu guarda-roupa consiste em roupas de algodo, jeans, camisas, blusas e outras peas bsicas.  Virou-se para ela, medindo-a com os olhos.   Gosto desse caft que est usando, mas no  apropriado para as festividades de hoje. 
    - No vou usar isso! 
     Pode apostar. Mais cedo ou mais tarde...  Simon sorriu. 
    Christina se dirigiu  sada, mas Simon a deteve. 
     No vou machuc-la, Chris. Mas voc vai se vestir como quero. 
     Eu vou... O que voc esta fazendo?! 
    O cafet era fechado na frente por um ziper, que Simon abriu, fazendo com que o traje caisse ao cho deixando-a seminua, a no ser pela calcinha branca. 
    Simon ficou apreclando o corpo de Christina, a suave curvatura dos seios, os mamilos rosados; a cintura delgada, as pernas longas o bem torneadas. 
    - No olhe para mim!  ela gritou, tentando cobrir-se. 
    - No quer que eu olhe?  provocou-a. 
    A indagao a surpreendeu. Fitou Simon e viu-o apreciando sua  nudez, mais uma, vez, e parecia estar gostando muito. Estremeceu. 
    - Est bem  ele disse, com gentileza, surpreso pelo modo como Chrlstina reagia.  No vou toca-la, prometo.  Simon ainda a segurava, afagando-lhe no rosto e os cantos dos lbios.
    Que criatura controvertida ela era! Estava embaraada, e at um pouco envergonhada. Corara como uma adolescente inexperiente. Simon sabia que Christina no era nenhuma donzela, mas se portava como se fosse. 
    No dormitrio reinava um silncio sepulcral. Chrlstina tinha at medo de respirar e perturb-lo a ponto de ele no saber escolher entre seu pescoo e sua boca. 
    Estremeceu e olhou para ele como que para pedir-lhe piedade.
    Simon se moveu levemente para que seus corpos ficassem colados um no outro e delxou-a sentir sua ereo. Isso a chocou, ele percebeu e perguntou 
    - Chris, diga-me o que voc quer. 
    - Eu no sei. sussurrou, empalidecndo.  No sei! 
    Simon viu seus lbioa se mover apenas e seus quadris se arquear para trs. 
    - Voc no me deseja, Chris? Seu corpo quer. Posso 
ele est pedindo que eu faa? 
    Christina no conseguia preferir uma nica palavra, mas Simon parecia no se importar. Com um sorriso sexy, tocou-lhe a pele delicada do ventre e foi sublndo devagar at os seios redondos. Christina estremecia e prendia a respirao, sua expresso mostrando desejos e pavor. 
    - No machucarei voc.  Simon passando os dedos pelos bicos rosados dos seios maravilhosos. 
    Christina apoiou  a cabea no ombro dele, mergulhada em um tormento de sensaes, gemendo ao toque Intimo que estava experimentando. 
    Simon hesitou
     O que est errado?  Com gentileza, Simon forou-a a encar-lo, e encontrou em seu semblante a submisso das pessoas vencidas. Aquilo o fez enrijecer. 
    Christina inclinou-se para trs e baixou as plpebras. Tremia e mordia o lbio para no gemer, tanto era o prazer que desfrutava., 
    Christina reagia como se seus corpos estivessem unidos. A resposta dela era inesperada e chocante. 
     Venha aqui.  Simon levou-a para a cama 
    Deitaram-se ao lado do vestido estendido sobre o colcho. Simon procurava a boca de Christina, enquanto a mo, cada vez mais atrevida, acariciava-a. 
     Simon... 
    Christlna o puxava contra si. Entreabria a boca e erguia-se, para facilitar os movimentos de seu amado. Estava enlouquecida de desejo. 
     Simon era um homem experiente, mas nunca sentira nada parecido, to quente e ertico. Queria fazer com ela coisas que nunca sonhara fazer como outra mulher.. 
    Continuou beijando-a, e os dedos seguraram o elstico da calcinha de renda branca de Christina, comeando a abaix-la. 
    Christina afastou as pernas para Simon e comeou a soluar. Estava pronta, e ele mal havia comeado.  
    Simon sabia que agia errado, porm, sua capacidade de raciocnio cedera lugar ao instinto, e no conseguia se dominar. Fazia muito tempo que no dormia com uma mulher, e o momento era to mgico, to sensual e... Seria a primeira vez com ela.. E se Christina no gostasse? 
Bem, j no poderia parar. 
    - Chris... No querida, agora no. No desse jeito. Deus, ajude-me... me d foras! . 
    Simon parou de falar, comeou a beijar-lhe o pescoo, deitou-se sobre ela, e todo o seu ser tremeu de desejo e paixo. 
     Christina mal o ouvia. Seu corpo tremia sob sensaes novas, que a faziam vislumbrar o prazer que Simon poderia lhe oferecer. Sentia-o em seus braos e isso era o que importava. 
    Aos poucos, sua respirao voltou ao normal. Christina tomou conscincia de que seus dedos se emaranhavam nos cabelos escuros e ondulados dele, e tambm de que estava 
nua e ele a tocava... 
    - Simon! 
    - O que foi, meu bem? Est chocada por estarmos juntos desta maneira?
    - Sim, estou. 
    - Eu tambm. Mas no a quero deste jeito, no desta forma louca e impensada. 
    Simon afastou-se dela com bvia relutncia e sentou-se na cama, de costas para Christina, tentando respirar normalmente. Ela pegou a colcha, se cobriu e mordeu o lbio mido, envergonhada e embaraada. Como aquilo fora acontecer? Se Simon no tivesse parado... 
    Simon ficou de p e virou-se para ela, que continuava deitada, as mechas maravilhosas esparramadas sobre a fronha, olhando para ele quase com medo. 
    - No h necessidade de ficar assim, Chris  Simon dize muito suave, com a expresso to terna que a deixou confusa. Tirou  a colcha que a cobria e a ajudou a levantar-se.. 
    - O mundo no vai acabar. 
    Simon caminhou at a cmoda, de onde tirou um suti que a ajudou vestir. 
     Voc tem que aboto-lo, pois no consigo fazer esse tipo de movimento. 
    Christlna obedeceu, como se fosse um animalzinho de estimao recebendo ordens. 
    Enquanto ela punha a calcinha, Simon pegou o vestido de noite e a auxiliou a coloc-lo. Christina ergueu a cabeleira para que ele fechasse o zper e foi at a penteadeira pegar uma escova. 
    Christina sentou-se em frente do espelho e prendeu os fios. Passou um batom cor-de-rosa e um pouco de blush nas mas do rosto. 
    Simon permaneceu de p, observand o que ela fazl. 
Quando Christina terminou, tomou-a nos braos e a fez erguer-se. 
     Desde qando nos conhecemos, Chris? 
    - Faz muito tempo. Anos. -- No conseguia encar-lo. Sentia-se fraca e dependente, como se no tivesse vontade prpria. Respirou fundo, antes de dizer.  Precisamos ir. 
    Simon percebeu um vislumbre de remorso na voz dela. 
     No se envergonhe do que acontceu entre ns. 
     Mas voc nem gosta de mim! 
    Simon a puxou para si e beijou-lhe o alto da cabea. Forou-a encar-lo, e viu que tinha os olhos marejados de lgrimas. 
    Simon nunca sentira tanto carinho por outra mulher.   Recordou a pele macia sob seus lbios e seu arfar vluptuoso, dominada  que Christina estava pelo desejo, e deu um passo para trs para que ela no percebesse que voltava a ficar 
excitado. . ., 
    Christina apanhou um leno de papel para enxugar o pranto. 
     Meu nariz est to vermelho quanto os olhos  concluiu, ao ver seu reflexo. . 
     Como seus cabelos incrveis, isso sim  ele murmurou, suspirando.  Quero voc comigo, hoje, Chrls, mas, se no quiser ir, no vou for-la. 
    - Disse que ia me levar de qualquer maneira, Simon. 
    - No quero faz-la chorar. At bem pouco tempo, eu no tinha conscincia de que a magoava, e no  bom saber que fazemos algum sofrer. 
    - Tive uma semana longa e cansativa. 
    - Ambos tivemos. Venha comigo. Sem compromissos. Voc se divertir. 
    Christina hesitou, mas apenas por um momento.
    - Est bem, irei. 
    Simon chegou perto dela e tomou-lhe a delicada mo. O contato foi excitante, e Christina fitou-o, confusa. 
    -- No pense em nada, querida. Apenas venha comigo. 
    Saram do quarto. Era uma sensao nova para Christlna, 
ter Simon agindo de maneira possessiva e terna com ela. De certa maneira, isso era triste, pois permitia que Chrlstina percebesse o que perdera. 
    Simon poderia ser tudo o que Christina queria, mas ela o amava demais para aceitar ter com ele apenas um caso. 
    A longa viagem a Jacobsvilie no foi to desagradvel quanto  Christina imaginara. Simon conversara sobre poltica, e comeara a fazer perguntas a respeito de levantamento de fundos  para obras assistenciais. 
    Christina no se sentia confortvel com esse novo relacionamento entre os dois. Assim, quando ele lhe perguntou se gostaria de ajud-lo em alguns projetos para o governador, se Simon aceitasse o cargo de promotor, ela logo suspeitou que estava usando a atrao que sentia para vencer sua resistncia. 
    Christina baixou os olhos para a pequena bolsa sobre seu colo.
    - Se eu tiver tempo...  respondeu, evasiva. 
    Simon observou-a quando passavam pela entrada de Jacobsville, enfeitada com uma enorme rvore decorada com lmpadas. 
    - Com o que mais vem se ocupando, Chris? 
     Pretendo fazer outra exposio. Estou me esforando com esse objetivo. 
    Simon nada comentou, mas fitou-a, pensativo. 

    A fazenda dos Hart impressionava pois era imensa. A manso era protegida por uma cerca baixa e decorada com um extenso gramado com canteiros de flores. 
     Est diferente, Simon! - 
     Andaram fazendo alguns melhoramentos. 
    Seguiram pelo camlnho asfaltado que levava at a frente da residncia. 
    Foram feitas modificaes desde o casamento de Dorie e Corrigan, no ultimo Natal, e eles se mudaram para aquela 
casa prxima da principal. . - 
    Se bem conheo Corrigan, no deve ter sido fcil para ele encarar essas mudanas. 
      verdade, ele no gosta de mudanaa.  Simon riu. 
     Corrigan aind no come carne de porco? 
    - De jeito nenhum. Meu irmo afirma que, alm de ter altssimo colesterol, ingerir carne suna pode nos atrasar espiritualmente.. 
     Talvez esteja certo... 
    Simon estacionou e desceu de carro, notando que Christina fizera o mesmo, sem esperar que ele lhe abrisse a 
porta. O jeito independente dela s vezes o irritava, mas a 
respeitava por Isso. 
    Quando Christlna subi as escadas na frente de dele, Simon a pegou pela mo, obrigando-a a se colocar a seu lado.
   Corrigan e Dorothy os cumprimentaram, abraando-os e beijando com efusividade. Christina sorriu, sentindo-Se nas nuvens por estar de mos dadas com Simnl. 
     Chegaram na hora! Coriigan disse. Leopold reforou o ponche com bebida alcolica e no disse a Tess, que fol criticada por Evan Treymaine . Agora est na cozinha tentando fazer as pazes com  ela, que ameaa nunca mais fazer biscoitos. 
     Ele deve estar em prantos  Slmon brincou. 
    - Na realidade, est de joelhos. Leopold merece passar por isso.
    Ao entrarem cumprimentaram Evan Tremayne e sua esposa Anna, grvida doprimeiro filho, os irmos Ballenger, Calhoun e Justin e suas esposas, Abby e Shelby. Eram famlias ricas e  poderosas, que viviam nas redondezas. Christina os conhecia de vista, mas era a primeira vez que se encontravam. No ficou surpresa por haver convidados, pois,apesar da tendncia  recluso dos irmos de Simon, eles s vezes faziam amizades, mas estranhou que j estivessem indo embora. 
    Olhou ao redor, procurando por Corrigan e Reynard, e os avistou passando peIa porta de vaivm da cozinha, que quando foi aberta a deixou ver Leopold de joelhos aos ps de uma mulher magra e ruiva que, parecendo ultrajada, o encarava. Christina riu, no que foi acompanhada por Simon, que tambm vira a cena. 
    - Isso  bom demais para estar acontecendo. No podemos perder essa chance. Simon fez  sinal aos outros para irem at l.
    Ao notar que era alvo das atenes, Leopold ruborizou e levantou-se.
    - No me importo como que esto pensando.  Irei embora.  Tess afirmou, muita nervosa. Apontou para Leopold.  Ele despejou duas garrafas de vodca em meu ponche .Evan Tremayne bebeu e no percebeu at que termnou a segunda taa e caiu sobre uma cadeira. Evan me disse coisas terrveis! E Leopold achou engraado!  
    - Evan Tremayne caindo sobre uma cadeira faria a maioria do povo de Jacobsville gargalhar, Tess, pois todos sabem que ele odeia lcool. 
    - Vocs ainda no sabem o pior  Tess continuou, ignorando o comentrio de Christina, afastando uma mecha de  cabelos dos olhos azuis, que faiscavam . Evan achou o ponche to bom que deu uma taa para Justin  Ballenger!       - Oh, Deus! - Simon gemeu.  Dois dos mais fanticos abstmios do municpio.  
     Justin pegou um violo e comeou a cantar uma cano espanhola. Shelby tirou o instrumentos das mos dele no mesmo instante.  Tess cobrlu o rosto com as mos.  Naquele momento, Evan percebeu que o ponche tinha lcol e falou que eu deveria ser amarrada no celeiro por fazer esse tipo de coisa com os convidados. 
     Eu conversarei com Evan. 
     No agora, Leo  Chrlstina ergueu urna sobrancelha. 
     Acabamos de nos despedir dos Tremayne e dos irmos Ballenger. 
     Oh, Deus! 
    - Telefonarei para pedir desculpas, Leo  Reynard prometeu.  Mas voc no poder nos deixar, Tess. 
    -Sim, posso. E vout  Tess tirou o avental e o jogou em Leopold.   melhor que aprendam a fazer biscoitos e,  tudo o que posso dizer. Corrigan e Reynard de certo mataro Lo quando eu me for, e ficarei muito contente. Espero que o joguem no currao e os urubus o devorem. Assim se livraro de duas pragas, pois os urubus morrero envenenados ao com-lo, tenho certeza. 
    E Tess se foi. 
     Leopold, como pde fazer isso?! 
    No foram duas garrafas de vodca, Rey, mas apenas uma! E eu apenas quis irritar Tess, mas a reao de Evan e Justin... bem, vocs sabem. Pelo menos Calhoun no experimentou o ponche  acrescentou, como se esse fato tornasse as coisas melhores. 
    Calhoun, antes um playboy, depois que se casara tambm no bebia mais. 
    - Mas Tes partiu do mesmo jeito. Acho melhor voc ir atrs dela  Simon observou. 
     E rpido!  Os olhos negros de Rey brilhavam. 
     Como um tufo! Se Tess nos deixar, voc vai ter de fazer o trabalho dela sozinho. 
    Estou indo Corrigan, estou indo!  Leopold correu atrs da empregada. 
    - Tess no  jovem demais para esse servio?  Simon perguntou aos irmos.  Parece no ter nem dezenove anos. 
    -Tem vinte e dois. O pai dela trabalhava para ns e morreu de repente de um ataque cardaco. Tess no tem famlia e sabe cozinhar.  Corrigan deu de ombros.  Parecia a soluo ideal. Se pudssemos mant-la afastada de Leo, as coisas teriam dado certo.  
   - Ele sempre tem de atormentar as empregadas! 
    - Um dia nosso irmo tomar jeito, Rey.  Corrigan se virou para a porta da cozinha.  E melhor no falar nada com Tess agora. Alis vou me certificar de que L no o faa. 
    - Ele era at gentil com essa moa, apesar de no admitir. Acha que Tess  muito nova, e ela morria de medo dele. Dava qualquer tipo de desculpa para sair daqui quando Leo era o primelro a se levantar, de manh. Que ironia! Acho que Leopold no percebeu que poderia t-la de joelhos ,diante de si com apenas um sorriso.
     Tess  muito jovenzinha, Rey. 
    - Sim, Chris, e  disso que Callaghan precisa, alguma coisa para cuidar. Est sempre trazendo gatos e outros animais de estimao para casa. Apontou para um gatinho enrolado em uma caminha. Pegou aquele ali na rua e comprou a cama para ele. Call paecia nas nuvens, mas Lo tinha de arruinar tudo! E Lo sabia que o irmo estava encantado, pois tentou avisar Call antes que Tess percebesse como ele passava o tempo observando-a. 
    - Isso no  problema nosso, Rey. Mas, se fosse eu, mandaria Leo para a cozinha aprender a fazer comida. Assim, vocs vo poder ficar sem cozinheira. 
    - Est brincando, Simon?! Lo fez ovos mexidos em uma manh em que Tess teve que ir a uma consulta. Nem os cachorros comeram. Bem, ainda temos alguns convidados. Deixe-me apresent-los. 
    Reynard os estava conduzindo at a sala quando parou de repente.
    - Esperem um mlnuto. Corrigan disse que vocs no estavam se falando, depois daquela noticia dos jornais.
    - Foi apenas um mal-entendido, Rey. Fizemos as pazes, no , Chris? 
    Ao ver Christina corar, Rey assobiou e achou melhor mudar de assunto. 
    Corrigan e Dorothy se aproximaram da poncheira, que agora continha ponche sem lcool. Dorothy parecia estar grvida do mesmo tempo que Anna Tremayne, e estava radiante. Nem a pequena cicatriz que tinha no rosto diminua sua beleza. 
     J havamos perdido a esperana  Dorothy murmurou; sorrindo para o marido amado.  E de repente... surpresa! Engravidei. - 
    - Estamos nas nuvens. Corrigan, que mancava um pouco em conseqncia de um acidente que sofrera anos atrs, retribuiu o sorriso. 
    - Eu vou ser tio.  Acho que gostarei. E alguns dias atrs, vi um maravilhoso trenzinho eltrico em San Antonio, em uma loja de brinquedos. Crianas adoram trens. 
    -  verdade, Simon, tanto meninos como meninas. 
   - Sabiam que um casal de mdicos locais tem diversos 
trens? .Trata-se do dr. e da dra. Coltrain.  Eles convidaram crianas do orfanato para passar o Natal em sua companhia, e vo deix-los montar os brinquedos e brincarcom eles. 
    - Eu tambm gosto, Corrigan. Fazem-me recordar aquele que papai nos comprou. Lembra-se dele? 
    - Sim. 
    E os dois irmos ficaram trocando reminlscncias 
     O ponchei est forte agora, Corrigan? 
     Eu Juro que no Chris. Sirva-se. 
    Christina encheu uma taa para Simon tambm, e se puseram a conversar sobre assuntos gerais. 

    A banda local tocava msicas lentas, e Simon tirou Chrlstina  para danar segurando-a forte entre os braos. -. 
    Est muito apertado?-  Simon perguntou, com suavidade, e afrouxou um pouco a presso.  
    - No se preocupe, voc no me machuca. 
    Ele a encarou. 
    - Sabe que voc  a nica mulher que j me viu sem a prtese? No hospital, quando perdi meu brao. ..
    - Perdeu parte dele, mas est vivo, Simon. Se no tivesse sido encontrado a tempo, nada poderia t-lo salvado, pois 
perdera muito sangue.  
   - E voc permaneceu a meu lado. Fez-me lutar e desejar viver. Na ocasio, eu s queria morrer.
    Christina desviou o olhar. 
    - Sei o quanto Melinda significava  para  voc, Simon. No precisa me lembrar disso. - - 
    Simon mantinha tantos segredos que ela nem poderia imaginar. Talvez isso tivesse servido para mant-los distantes e j  era tempo de encurtar essa distncia.
    - Melina havia feito um aborto, Chris. 
    No comeo, Christina pareceu no ter percebido a gravidade da confisso. 
    - O qu?
    -  Melina tinha engravidado, e abortou sem me avisar. Minha mulher no quis estragar o corpo. Mas, na realidade, no sabia se o filho era meu. Podia ser de um de seus amantes. 
    Christina parou de danar e fitou-o, estarrecida.
     - Ela me confessou na noite do acidente. -  Simon continuou a contar  Foi por isso que perdi o controle do automvel em uma curva. Estava chovendo, eu bati. Melina morreu. Desisti de viver tendo minhas iluses mortas tambm.    - Iluses? 
    - De que minha esposa era perfeita. - Simon tinha a voz embargada.  De que me amava, queria me dar filhos e viver a meu lado para sempre.  Riu, com ironia.  Casei-me com uma Interesseira egosta, cuja nica preocupao era viver no luxo e na riqueza. Mas se excitava tendo amantes se, que eu soubesse. Deitava-se com eles em minha cama!
    Simon soluou. Christina estava chocadssima com o que acabara de ouvir. Ela e todas as outras pessoas pensavam que Simon enterrara seu corao junto com Melina e que chorava por ela fazia anos. 
     A criana foi o que mais me feriu. Acreditei quando ela me disse achar que era estril. Tudo o que Melina dizia era mentira, e eu, multo ingnuo, acreditava. Melina me fez de bobo! 
     Sinto muito que tenha sofrido tanto!  Christina sentia uma terrvel vontade de chorar.  Deve ter sido terrvel. 
     Voc estava casada com John naquela poca, e ia ao hospital todos os dias. Segurava minha mo, conversava comigo e me forava a reagir, a me levantar, e isso me fez sentir culpado. Achava que tinha estragado seu casamento. 
    Chrlstina baixou a cabea. 
    - No, voc no estragou nada. 
    Simon apertou-lhe os dedos, com ternura.
     J era apaixonada por mim, Chris? 
    - Eu estava atrada por voc. Porm, tambm queria muito fazer com que minha unio desse certo.  Estremeceu, e Simon a apertou mais entre os braos.  Eu achava... que no era mulher suficiente para isso. 
    A respirao de Simon era audveL Ele j sabia a verdade a respeito do casamento dela,  mas hesitava em tocar no assunto quando as coisas pareciam estar se desenrolando to bem entre eles. Beijou as plpebras de Christina
     No chore. Voc  muito mais do que pensa. Chegue mais perto, e eu lhe provarei isso aqui mesmo. 
    - Simon.. 
    Ela tentou se afastar, quando ele a apertou, mas no conseguiu. 
     Sente o quanto a quero, Chris? Mal a toquei e j estou pronto. 
     Voc  homem. 
     Entretanto, Isso nunca aconteceu com tanta rapidez em nenhuma ocasio  afirmou por entre os dntes.  Eu a quero tanto que at me causa dor. Chris, voc  magnfica. Perfeita para qualquer homem. Sinto muito que seu marido no... Ora,  mentira, no sinto coisa nenhuma. At gosto   que John no tenha conseguido t-la. 
    Christina ficou pasma com o que ouvIu. Fitou Simon, confusa, e depois observou ao redor para ver se algum 
prestava ateno. 
    - No precisa ficar to tensa, querida. 
    Christina ofegava e sentia-se fraca. Encostou a testa no peito de Simon. 
    - Ns nos encontramos em seu quarto, sobre seu leito, como se tivesse sido a primeira vez que nos vamos. Ns nos desejamos, Chris. 
   Eu no posso, Simon. 
    Por qu? 
   - No costumo ter casos. 
    -  claro que costuma, querida. AfinaI, como se chama o que mantem com Charles Percy? 
   Christina parou de danar. No entendia por  que ficara com raiva, pois Simon nunca escondera que achava que ela dormia com Charles e, pelo visto, quando quase haviam feito amor, achara que era uma mulher experiente. Gostarla de saber como ele reagiria se soubesse a verdade, que esperara por Simon durante todos aqueles anos e que no queria outro homem, 
     V em frente, Chris. Negue. 
    Christina o encarou. 
    Pense o que quiser. No adiantaria negar, pois no acreditaria em mim, mas quero lembr-lo de uma coisa: voc no tem o direito de me questionar a respeito de Charles. 
    - No tenho o direito? E o que deixou que eu fizesse com voc?!
     Foi um momento de fraqueza...  Ela corou. 
    Sei... Duvido! Voc estava ansiosa e louca de paixo, Chris. Charles no faz mais amor com voc? 
     Simon, por favor, no quero brigar. No esta noite. 
    Simon apertou-lhe a mo. 
    - Est pensando nele, ento? 
    - Por Deus,  no  nada disso! 
    Simon a fitou durante um longo momento, at que Christina ficou ainda mais vermelha. . 
     Eu no era a nica a morrer de desejo, Slmon. 
      verdade, no era  Simon baixou as plpebras, embalado pela msica 
    Christina ficou surpresa por ele ter admitido. Estavam comeando um relacionamento novo, e ela no sabia muito bem como agir, e se devia confiar nele. 
    Porm, tinha certeza de que estava se sentindo muito bem e que no poderia lutar contra isso. Relaxou entre os braos de Simon e aspirou o suave perfume da colnia que usava, afagando-lhe o peito. 
     E melhor voc parar com isso, garota. 
    Christina obedeceu e perguntou, timida: 
     Voc  assim... todo coberto de plos? 
    - Em alguns lugares. 
    Chrlstins apoiou a face sobre o trax dele e suspirou. 
    - Estou com sono. 
    - Quer voltar para casa? 
    - Mas estamos aqui h to pouco tempo.. 
    - Isso no importa. Tambm tive uma semana dura. Vamos, apresentaremos nossas desculpas e iremos embora. 
    Acharam Corrigan e pediram que ele desejasse feliz Natal 
aos demais por eles.  
    - Ainda esto tentando Impedir que Tess v embora  Corrigan murmurou, secoEspero que consigam.O cheiro dos biscoitos deixa Dorie enjoada. Por isso tero de passar sem eles, se no conseguirem convencer Tess a ficar 
    - Desejo-lhes sorte, irmo. Apreciamos muito a festa. No prximo ano, a comemorao ser por minha conta, em San Antonio. 
    - Cobrarei Isso de voc. --- Corrigan obervou Simon e 
Christina com ateno.  Vocs desistiram de brigar? 
    - Por enquanto. 
    - Para sempre, Chris. 
    - Isso  o que veremos, Simon. - 
    Disseram adeus, e Simon se ps a dirigir de volta a San Antnio. Mas, em vez de levar Christina para sua residncia, 
decidiu-se por seu apartamento. 
    Christina no entendia por que no protestara, e estava curiosa para saber por que Simon tomara tal deciso. 
    _ No vai me fazer nenhuma pergunta?-- Simon quis saber, quando o elevador parou na cobertura.    
     Suponho que voc v me dizer, quando for o momento. 
     No h necessidade de preocupar-se  disse, ao destrancar a porta.  Voc no ser seduzida... a menos que queira. 
    Christina tornou a enrubescer, e detestou sua timidez e ingenuidade. Entrou logo atrs dele. 
    O apartamento era enorme e mobiliado em tons marrom, creme e alaranjado. Havia muitos quadros, a maioria de paisagens, e a mobilia era em estilo mediterrneo, pesada, antiga e muito bem conservada.  
    Christina passou a mo pelo encosto do sof de veludo da sala de estar. 
      muito bonito, Simon.  
    Houve uma longa pausa, na qual Christlna se sentia cada vez mais desconfortvel. Fitou Simon, que tambm olhava para ela, sem nada dizer e sem nem piscr.. 
     Voc est me deixando nervosa. Christina sorriu, sem graa. 
     Por que? 
     No sei. No consigo entender. 
    Simon caminhou at ela num passo to sensual quanto se proferisse palavras sedutoras. Tirou o xale dos ombros de Christina e a bolsa das mos, colocando ambos sob o sof. Despiu o palet e atirou-o longe. Pegou os pulsos delicados e levou os dedos dela a sua gravata. 
    Christina hesitou por um instante, mas em seguida comeou a desatar o n, e a pequena pea de seda foi fazer companhia s demais. Ento, Simon a guiou para que desabotoasse sua camisa. 
    O silncio reinante era tenso, como tambm as feies bonitas e msculas de Simon. Porm, quando Christina tentou tirar sua camisa, quis impedi-la. 
     Ver a sua prtese no me incomoda, Slmon
     Mas incomoda a mim. 
    Simon a puxou e a fez acariciar seu peito forte e coberto de plos. 
    Seu beijo foi terno e lento, como se a estivesse reverenciando.  Seus narizes se tocaram de leve, provocando o desejo de prossegulrern com as carcias. 
    Os dedos de Christina se contraam sobre o trax  de Simon. Ps-se na ponta dos ps para que pudesse ser beijada com mais intensidade. 
    Instantes depois, j no quarto, Simon terminou de se despir, e Christina o imitou, ambos enlouquecidos de volpia. Sem perda de tempo, ele se posicionou entre longas  pernas dela, beijou-lhe os lbios e a penetrou.  A sensao foi chocante e assustadora. Christina passou do estado de  tenso para a dor  lancinante. Fincou as unhas nos ombros fortes de Simon e gritou  seu nome. Simon deu inicio aos movlmentos, apertando-a cada vez mais e sussurrando frases ininteligiveis.
           - Oh...  ChristIna soluava, agarrando-se a ele que ficou quieto durante um instante para olh-la nos olhos. 
     Estou machucando voc? Deus meu... no... Querida! 
No se mexa dessa maneiral.
    Christina ergueu os quadris num esforo de aliviar a dor, e 
seus movimentos o levaram ato limite do que podla suportar. O rosto de Simon se contraiu. Ento, intensificou-as investidas e aprofundou a penetrao, por completo, sem conseguir se dominar. 
     Por favor, me desculpe, Chris. Sinto muito!- murmurou por entre os dentes, os olhos cerrados e o corpo em xtase.       Continuou a murmurar e a movimentar-se e, segundos depois, arqueou-se, gemeu alto e chegou ao climax. Exausto, Simon se deitou sobre ela. 
    Christlna sentiu que ele relaxava sobre sua pele mida e mal podia respirar sob seu peso. Cbarava ante a realidade do ato. No era uma coisa gloriosa e que causava alegria. Na realidade, era uma maneira dolorosa de dar prazer a um homem. Sentiu raiva de Simon e de si mesma por ter aceitado fazer amor com ele. 
    - Por favor, Simon, deixe-me ir. 
    Simon exalou um longo suspiro. 
    -Nunca mais a deixarei partir.  Ergueu a cabea para olhar para ela e viu nos olhos de Christina uma expresso que no conseguiu definir.  Charles Percy no  seu amante... 
     Eu nunca disse que era. 
    Simon se ergueu um pouco e observou as curvas sedutoras. Tocou-lhe o ventre e deslizou a mo para a parte interna das coxas rolias. Havia um pouco de sangue misturado ao suor. 
    - Simon, isso di!  Virou o rosto embaraada. Ele tornou a fit-la. 
    -Eu sei, meu anjo. 
    Tentou afagar o meio das pernas de Christina, que agarrou-lhe o pulso. 
    - Calma, querida.  E, ignorando seus protestos, continuou a acarici-la. 
    Christina admirou-se da sbita sensao que a carcia dele suscitava. Abriu a boca para tentar respirar melhor, apoiou-se nos ombros de Simon e, mais uma vez enfiou as unhas em sua carne. 
   Baixou as plpebras, e seus gemidos passaram a ecoar 
por todo o ambiente. 
    Isso, Chris. Assim, relaxe. No vai doer... Quero que me sinta por inteiro. Vou ensin-la a ser feliz; 
    Christina ps a perna ao redor dos quadris fortes de Simon para que ele ficase ainda mais perto dela, e soluou quando foi penetrada de novo. A dor ainda estava presente, mas ela no se importou, porque era era acompanhada de tantas delcias que desejava que Simon no parasse nunca mais. Queria-o com paixo! 
    O ritmo de Simon ficava cada vez mais violento. Christina sentia-se sendo tragada por ondas gigantescas, at que comeou a gritar, e seu corpo foi tomado por tremores e convulses, at o pice total e Insupervel 
    Dessa vez, no sentiu o peso de Simon quando tambm ele atingiu o auge, e desfaleceu de paixo sobre ela.
    Segundos depois, s o que ouviam era a respirao ofegante um do outro. 
    Muito tempo depois, Simon ergueu a cabea e encarou os olhos verdes de Christina, que brilhavam na penumbra do quarto. Sorriu e perguntou, num sussurro: 
    - E ento? Foi bom, no foi? - 
    ChristIna sentiu-se envergonhada e escondeu o rosto no peito dele 
     Pensei que nunca mais fosse acabar. Simon afasto alguns fios dos cabelos dela da boca.  Nunca me senti to 
completo em minha vida. 
    Christina procurou o olhar dele e viu muita ternura e muito calor em seu semblante.  
     Voc devia ser a nica mulher de vinte e oito anos virgem, no Texas. Guardou-se para mim, Chris? Durante todos esses anos? 
    Christina no querla admitir por isso respondeu, evitando uma resposta direta. 
     Nunca conheci um homem que eu desejasse o suficiente para me deitar com ele. Mas voc deve ter perdido a conta das garotas que levou para a Cama.  
    - Nunca mais fiz amor depois que Melina morreu. Namorei Jii, mas no houve nada Intimo. - 
    - Verdade?! 
     Um homem que possui apenas um brao no  o amante que a maioria das mulheres quer. Sempre senti  uma certa relutncia da parte delas.  Fitou-a bem dentro dos olhos. 
    - Com voc, sempre me senti  vontade. Sabia que, se eu 
fizesse algum movimento desajeitado, voc no iria rir. 
     Jamais riria, Simon. 
     Bem, agora voc sabe.  Esboou um clido sorriso. 
     ... sei, sim. 
     Desculpe-me por t-la machucado. Fiquei muito tempo sem  sexo, e perdi o controle. No pude me conter. 
     Entendo. 
     Quero tambm, de todo corao, que me perdoe pelas 
insinuaes maldosas que fiz a seu respeito Chris. 
    Christina enrubesceu. 
    Simon beijou-lhe a testa com muita ternura. 
     Voc no pode imaginar como me sinto em saber que sou seu primeiro amante. 
    De repente, Christlna franziu as sobrancelhas. 
    Simon notou sua expresso de preocupao e indagou: 
     O que foi? Alguma coisa errada? 
     Voc no tomou nenhuma precauo. 
     No. Deduzi que estivesse tomando plula. Sempre acreditei que tivesse um caso com Charles, e, como nunca engravidou... 
     Pois . No estou tomando plulas... 
    Simon afagou a barriga lisa e suada como se quisesse proteg-la. 
     Se eu a engravidei... 
    No teve de terminar a frase. Christina sempre soubera o que Simon pensava a esse respeito. Ergueu o brao e ps os dedos frios sobre os lbios dele. 
    - Voc me conhece sussurrou, antecipando a pergunta que ele temia fazer. 
    Simon suspirou e deixou a preocupao de lado. Beijou-a de leve e acrescentou: 
     Complicaria as coisas. 
Christina apenas sorriu e assentiu: 
     Sim,  verdade. 
    Simon tornou a beij-la e mexeu os quadris sugestivamente.    Christina gritou. 
    Simon parou no mesmo instante, porque no fora um grito de prazer. 
     Est desconfortvel para voc, agora? 
     Sim, est confessou com relutncia.  Sinto muito, Simon. 
     No, eu  que peo perdo por t-la machucado.  Afastou-se.  A penetro em muitos casos, pode ser desconfortvel. Serei o mais cuidadoso possvel. 
    Simon, fitando o teto, fazia algumas ponderaes. De re pente afirmou: 
     Querida, ns vamos agir da maneira certa. Se voc estiver esperando um beb, no haver a mnima possibilidade de cri-lo sozinha. Vamos nos casar assim que pudermos obter uma licena. 
    Christina respirou fundo e nada disse. 
    - Voc iria querer o meu filho? 
    Christina teve um calafrio de emoo. Havia tanta ternura na entonao de Simon que seus olhos ficaram marejados de lgrimas. 
    - Sim, muito! 
    Ele  ficou olhando para ela at que sua respirao voltasse ao normal, admirando-lhe o corpo submisso e os seios pequenos e belos de maneira possessiva. Tocou-lhe os seios com delicadeza. 
    - Ento, no vamos usar nada para nos precaver, Chrls.      Christina entreabriu os lbios. Tinha tantas coisa que ela queria lhe perguntar, mas no conseguia lembrar-se de nenhuma. 
    - Por que voc se entregou a mim?  Simon passou um dedo sobre os lbios de Christlna. 
    - Pensei que soubesse. 
    - Espero que sim. Na verdade, eu no tinha inteno de seduzi-la. Ia beij-la, talvez avanar um pouco mais... -acrescentou um tanto malicioso.  Mas voc veio at mim mansa como um carneirinho, sem protestar, e acabei perdendo a cabea e causando-lhe sofrimento. 
    Pegou-lhe a mo e beijou-a. 
    - Nunca imaginei que a machucaria daquela maneira! 
Voc gritou e comeou a se movimentar, e eu... no consegui mais me segurar. No fui capaz de parar. 
    -Mas  normal ser um pouco desconfortvel na primeira vez no ? Simon, algumas garotas so um pouco sem sorte. Acho que sou uma delas. Mas est tudo bem. 
   - Nunca a magoaria de propsito, meu bem. Quero que sinta o que estou sentindo, como se o sol explodisse dentro voc.  Afagou as mechas vermelhas. Nunca foi... assim Jamais pensei que poderia ser desse modo.  Beijou-lhe os lbios com ternura. Deus meu, eu queria ser carinhoso, e acabei metendo os ps pelas mosl Deveria ter havido doura, a mesma que sinto quando a toco. Mas foram anos de abstinncia, e acabei agindo como um animal. Pensei que voc tivesse experincia, Chrls! 
    Christina aproximou-se mais dele e beijou suas plpebras, o rosto, o nariz e a boca. Beijou-o como se Simon necessitasse de conforto. 
     Voc me queria  ela murmurou ao ouvido dele.  Eu o queria tambm. No doer da prxima vez. 
    Smon passou o brao sob o corpo de Christina e prometeu: 
    - Nunca mais vou feri-la. Juro. 
    Christina ps as pernas no meio da dele e sorriu. Simon podia no am-la, mas sentia alguma coisa alm de desejo fsico. 
    A conversa gostosa que tiveram depois do amor a convencera pelo menos de uma coisa: Christlna se casaria com ele. Isso j era o suficiente. 
    Simon? 
    - Hum? 
    Eu casarei com voc. 
    Claro que sim! 
  Christina fechou os olhos, enlaou-o, e seus dedos encostaram na tira de couro da prtese 
     Por que no tira isso, meu querido? 
    Simon franziu as sobrancelhas. 
    - Chris... 
    Ela sentou-se na cama, nua, e o fez sentar-se tambm para que pudesse tirar-lhe a brao postio. 
  Christina observou que Simon contraa a a mandbula, vendo-a tirar-lhe o aparelho e p-lo de lado. 
     Voc ainda no encara isso com normalidade, no  mesmo, Simon? 
     No. Mas no me torture com essa questo. 
     Est certo.  Abraou-o e se afundou no peito largo, com absoluta confiana. 
    Christina parecia uma fada, deitada bem perto deIe to natural como a chuva ou o sol. Simon a estudou com curiosidade. 
    . Isso no a incomoda mesmo, Chris? 
   Ela se achegou mais. 
    - Simon, voc me desprezaria se eu no tivesse um brao?           Ele pensou durante um minuto. 
    - No.
    - Isso responde ao que perguntou.  Sorriu.  Estou com sono...
    - Eu tambm. 
    Simon desligou o abajur e puxou as cobertas sobre eles.        - Simon? 
    - O que , meu bem? 
    - Voc tem uma empregada? 
    -  claro. Ela vem s teras e quintas-feiras. , Beijou-lhe 
 Hoje  sbado, querida. E ns estamos noivos. 
   - Est certo. 
    Simon trouxe-a para mais perto ainda. 
    - Entraremos com os papis logo na manh de segunda e nos casaremos na quinta. Quem voc quer convidar? 
    - Acho que seus irmos. 
    - Agradea aos cus por no ter se recusado a casar-se comigo. Lembra-se do que aconteceu com Dorie? 
    - Estou agradecida  Christina disse, sonolenta.  Simon , voc tem certeza? 
    - Tenho certeza, sim. E voc tambm tem . Agora, durma. 
    Simon e Christina acordaram, tomaram banho e, juntos, prepararam o desjejum. Christina ainda se mostrava tmida, e Simon achava isso encantador. Observava-a fritar bacon e fazer ovos mexidos enquanto preparava o caf. Ela estava usando uma das camisas dele que cobria-lhe apenas as coxas. 
     Formamos um casal econmico Simon brincou.  Gosto do jeito como voc fica com minha roupa. Precisa experimentar mais algumas. 
     E eu adoro-o sem roupas....  Christina falou sorrindo.  Simon no estava usando a prtese, e franziu as sobrancelhas como se no tivesse certeza de que aquilo no fosse uma provocao. 
    Christina jogou os ovos sobre o bacon e desligou o fogo. 
     Por que ficou quieto, Simon? Seu problema nunca teve importncia para mim. E nunca ter. Apenas sinto que isso lhe tenha acontecido.  Tocou o peito de Simon com delicadeza. - Gosto de voc como que . Tudo me agrada, e no tentei provc-lo. 
    Simon a olhou com uma expresso preocupada e tocou os cabelos ruivos de Chrlstina com ternura. 
     Isso est errado, querida. Eu deveria te-la levado para casa, comprado rosas e bombons para voc e telefonado s duas da madrugada apenas para conversarmos. Ento, iria lhe comprar um anel e a pediria em casamento. Estraguei tudo por no ter podido esperar para fazer amor com voc. 
   Christina ficou surpresa por esse detalhe t-lo deixado aborrecido.. Encarou-o. 
    - Est tudo bem, Simon. Nada disso teria sido to importante. 
    Ele respirou fundo e baixou a cabea para beijar-lhe a testa.
   - De qualquer modo, desculpe-me. 
   - Eu te amo.  Christina sorriu. 
   Simon pousou a mo no ombro dela e apertou-o. Sem se conter, pensou em todos os anos perdidos em que a manteve a distncia, tratara com indiferena ou a ignorara. -          - Ei...- Christina achou graa da seriedade dele.   Pare de se preocupar, j disse! 
    Simon no parecia em nada, com um noivo feliz. Assemelhava-se mais a um homem torturado. 
    Simon se afastou com um sorriso forado que no poderia enganar  nem a um estranho, muito menos a Christina. 
    - Vamos comer, Chris. 
    Comeram em silncio. 
    Simon tomou uma segunda xcara de caf, pediu licena para deixar a mesa, e Christina ps a loua na mquina de lavar. Ela achou que ele ia se vestir e que gostaria que fizesse o mesmo. Voltaram para o quarto e juntaram seus trajes.       Christina gostaria de saber o que havia de errado com Simon, a no ser que tivesse se arrependido de tudo o que haviam feito, inclusive da proposta de casamento. Todos diziam que os homens cstumam dizer coisas que no esto sentindo quando querem seduzir uma mulher. Devia ter sido fcil conquist-la, pois sua paixo por ele era bvia, e no sabia que Christina no resistiria. 
   Na vspera, tudo parecera bonito e certo. Pela manh, porm, poderia parecer srdido, e Christina viu-se como uma presa frgil demais. 
    Olhou-se no espelho e notou uma nova maturidade estampada no semblante e olhar, e lembrou-se da jovem esperanosa que viera para o apartamento com Simon. 
   Ele parou  soleira, estudando-a. Estava completamente vestido, inclusive com a prtese. Levou-a para casa em um silncio to profundo quanto o que partilharam no caf da manh. 
   Quando chegaram, Simon levou a mo  chave para desligar o motor, mas Christina o deteve. 
    No precisa me levar at l, Simon. Eu... Ns nos veremos por a. 
    Saiu do autom6vel e correu em direo da entrada. Mal conseguiu achar a fechadura,  pois seus olhos estavam cheios de lgrimas. 
   No percebera que Simon a seguira,  at que sentiu-o fagar-lhe as costas, empurrando-a de leve para dentro. 
     No, por favor, Simon... 
   Ele puxou-a de encontro ao peito e estreitou-a. 
    Querida, no faa isso. Est tudo bem! No chore! 
    Isso apnas serviu para que Christina chorasse ainda mais. 
Depois de muito tempo, quando Simon, enfim, ergueu o queixo dela e Christina viu-lhe o largo sorriso,quase caiu em prantos de novo. 
     Eu gostaria de carreg-la.  Simon tomou-lhe a mo e a conduziu para a sala.  Nessas horas  que se percebe ainda mais a vantagem de ter dois braos. 
    Sentou-se no sof e a fez acomodar-se em seu colo. Enxugou-lhe o rosto com um leno. 
     Nem preciso perguntar o que voc est pensando, Chris. Vi tudo em meu espelho. Diga, n acha que tambm estou aborrecido? 
     Eu sei que est. Mas no tem de se sentir culpado. Eu poderia ter dito no. 
Simon ficou quieto por um instante. 
     Culpado por qu? 
     Por ter me seduzido! 
     No eetou me sentindo culpado. 
    Christina arregalou os olhos. 
    - Claro que est! 
     Voc nenhuma vez me disse que no queria. Na realidade, no procurou evitar. 
    - Bem, e da? 
    - No tenho culpa a respeito daquilo. 
    - Ento est preocupado com o qu? 
   - Por voc ter voltado para casa com a mesma roupa de ontem, como uma mulher a quem eu tivesse pago para passar a noite comigo . Explicou, irritado. Tocou-lhe os cabelos.  Nem tinha uma escova de cabelo ou aIgum material de maquilagem, Chris. 
    Christina observou o rosto de Simon com ateno. Ele a surpreendia a cada instante. - . . - - 
    Simon tocou-lhe com os dedos os  lbios sem pintura.      
    --- Agora est em seu lar, Chris. Vista um jeans e uma camiseta e vamos para Jacobsville andar  cavalo e fazer 
piquenique. 
    Christina suspirou. 
    - Voc quer me levar para cavalgar?l- 
   Ele esboou um sorriso malicioso. 
   - Pensando bem acho que h coisa melhor para fazer.    Christina entendeu ao que ele se referia e gritou, corando 
    - Simon! 
    - Ora, o que adianta negar? Voc est dolorida no est? 
    - Sim... 
    - Ento, vamos fazer apenas o piquenique. 
    Christina ergueu a cabea para fit-lo. Simon parecia mais velho,  mas nunca o vira to relaxado e to calmo. Tinha alguns fios grisalhos nas tmporas, que ela tocou com carinho. Beijaram-se com ternura. Ento, a campainha soou. 
Os dois levantaram-se ao mesmo tempo, assustados.  
    -Deve ser a sra. Lester. 
    - No domingo, Chris? Achei que ela passasse os finais semana com a irm. 
    Christina se soltou dos braos dele, tendo em mente que, quando fosse abrir aquela porta, sua vida inteira iria mudar. 
    E mudou. 
    Deparou com Charles Percy palido, com as duas mos nos bolsos, parecendo arrasado e dez anos mais velho... 
    - Charles!
    O amigo olhou-a de cima a baixo e ergueu as sombrancelhas. No  um pouco cedo para usar vestido de noite? Claro que no est chegando agora, est?  
     Na realidade, est  Simon disse da sala, com a expresso mais perigosa que Chrlstina j vra. Aproximou-se de Charles bastante irritado  No  cedo para voc aparecer aqui? 
     Preciso falar com Christina.  urgente. 
    Simon encostou-se no batente e fez com a mo um sinal para que ele entrasse. 
     Em particular  Charles falou, sem vacilar.  Alis, que est fazendo aqui, Hart? 
    Charles estivera to ocupado com Gene e Vanessa que ainda acreditava que Chrlstina e Simon eram inimigos. 
     Depois do que voc e aquela idiota da sua amiga disseram a Christina naquela festa de caridade, ela nunca mais deveria falar com voc. 
    Jill nem passara pela cabea de Christina nas ltimas vinte e quatro horas. Naquele momento porm, lembrou-se de que Simon tinha outra mulher. 
    Simon viu no olhar de Christina um brilho de que no gostou. Ela no havia falado em Jill ate ento, mas, graas  presena de Charles, estava recordando. Encarou o homem com vontade de esgan-lo 
     JiII  parte do passado, Percy. 
      mesmo? Que engraado! Ela tem dito para todo o mundo que voc est para pedi-la em casamento.  
    Simon soltou urna imprecao. Charles sentiu um frio na espinha. 
     Acho que esta  uma boa oportunidade para deixar que Chris decida, Hart. No acha? - 
     Chris, voc quer que eu saia?  Simon a encarava. 
     Acho que seria melhor, Simon... 
    A antiga Christlna teria batido nele com um taco de beisebol, mas aquela, diante dele, estava enfraquecida, pois achava que fora trada. 
    Jiil mentira, e se Christina o amasse teria entendido. Bem, Afinal, por que estava to pronta para acreditar em Charles? 
    A no ser... - 
    Simon observou Charles. Christina amaria aquele rapaz? Teria se entregado a Simon apenas por uma atrao fisica e agora estava envergonhada e usando Jill como desculpa? 
    - Por favor, Simon, v Christina pediu, ao v-lo hesitar. Ela    no agentava pensar que ele a seduzira e que tudo que falara fora mentira. Mas como Jill poderia ter inventado uma histrla to sria? - -  - - 
    Christina levou a mo  testa. No conseguia raciocinar 
direito. 
    Simon fitou-a com frieza. No disse uma nica palavra ao
dar-lhe as costas e se dirigir ao carro.
    Christina serviu caf na sala de estar, depois de ter vestido jeans e uma malha. No queria pensar, ou ficaria louca. 
    Simon e  Jill. Simon e Jill... 
     O que aconteceu, Chris? 
    - Um minuto atrs, estvamos noivos e no instante seguinte ele se foi.  
    - Noivos?! - 
    Christina fez que sim, sem olhar para ele. 
    - Oh, no! Por favor, Chris, diga-me que eu no estraguei nada! 
    Christina deu de ombros. 
    - Se Jill disse que Simon quer se casar com ela... Acho que
fui uma idiota. 
    - Eu no deveria ter vindo, e muito menos ter aberto minha boca.  Passou a mo pelos cabelos em um gesto desalentado.  Sinto muito. 
    - Pr que veio, Chades? - 
    - Gene morreu esta manh. Acabei de deixar Vanessa com  uma enfermeira e vou arrumar as coisas para o funeral. 
Vim perguntar-lhe se pode passar esta noite com ela. Vanessa no quer ficar sozinha, por razes bvias, eu no posso ficar com ela em minha casa, pelo menos hoje. - 
     Quer que eu fique com ela em sua residncia? 
    - Voc pode? - 
     Charles,  claro que sim!  Christina deixou de lado, um momento, seu problema com Simon, pois o amigo estava precisando dela.  Apenas pegarei alguma roupa, 
     Eu levarei voc at l, Chris. No precisar de seu automvel. Amanh eu a trarei de volta. 
     Vanessa poder vir comigo. Eu e a sra. Lester tomaremos conta dela. 
     Isso seria bom. Mas esta noite ela no poder sair de l. Est sedada e acabou de dormir. 
     Tudo bem. 
    - Chris, antes de irmos, quer que eu telefone para Simon e explique tudo? 
     No. Isso pode esperar. 
     Era Charles quem estava com problemas naquele momento, e Christina recusava-se, portanto, a pensar em sua prpria situao. Arrumou uma maleta, deixou um bilhete para a sra. Lester, e saram. 
    Na manh. seguinte, a sra. Lester encontrou a mensagem, que dizia que Christ.ina fora com Charles para a casa dele, mas sem esclarecer o motivo, Assim, quando Simon ligou, ela lhe informou, com bvia relutncia, que, pelo visto, Christina resolvera dormir na casa de Charles, e ainda no voltara. 
     Suponho que seja a vez dele  Simon afirmou, com raiva, agradecendo, desligando o aparelho. 
    Arrumou a mala e pegou um avio para Austin, para ver o governador e dar-lhe uma resposta a respeito do emprego que havia lhe oferecido. 
    O funeral de Gene se deu na quarta-feita, e, pelo modo como Vanessa se apoiava em Cbarles, Christina soube que pelo menos a relao deles ia terminar bem. 
    A sra. Lester  avisara do telfonema de Simon, deixando claro que ficara furioso ao saber que Christina passara a noite na residncia de Charles. Assim, Chrlstlna no conseguia imaginar o que o futuro lhe reservava. 
    Passou os dias seguintes ajudando Vanessa a arrumar os pertences de Gene, e a sua prpria sltuao. Charies fazia tudo o que era possivel por ela. 
    Quando a vspera do Natal chegou, Christina se viu sozinha e sentindo-se to infeliz que s tinha vontade de chorar.  Apesar disso, reagiu como pde, vestiu-se e foi ao orfanato para ajudar na festa de que havia prometido participar. 
    Levou dois bolos que ela e a sra. Lester tinham feito e 
outras guloseimas comuns a essa poca do ano. Outras pessoas do  comit trouxeram ponche e doces, e tambm muitos presentes. 
    Christina no esperava ver Simon, e realmente ele no apareceu. Mas Jill chegou com os braos repletos de pacotes. 
    - Ol! Que bom ver voc, Christina  JiU exclamou, ao se aproximar, decerto lembrando-se do incidente com a xcara de caf
    -  muito bom v-la tambm, JillChristina dirigiu-lhe um sorriso cnico.  Junte-se a nossa alegria. 
    - Oh, no posso ficar. Irei ao apartamento de Simon. Ele est  com uma terrivel dor de cabea e no pde vir. 
    - Simon no tem dor de cabea. Eleas causa. 
     Pensei que vo soubesse que Simon costuma ter enxaqueca quando voa  Jili murmurou, condescendente.- Eu o acompanhei em vrias viagens de avio. Eie acaba de voltar de Austin. Aceitou o convite do governador para 
ser promotor do Estado. Vamos juntos ao baile de Ano Novo do governador, e ainda tenho de comprar um vestido.     Christina teve vontade de sumir, de ir para casa e no mais sair de l. Sua vida se traformara em um pesadelo. 
    - Preciso correr, querida. Jili piscou.  Tenho de comprar algumas coisas para Simon, tambm.  Espero que o evento seja um sucesso. At logoI 
    Jill sumiu de vista num segundo. 
    Christina participou da festa da mefhor maneira que pde, distribuindo bolo e presentes para os rfos com um sorriso falso estampado no rosto. 
    A imprensa aparecera para filmar o acontecimento para o 
noticirio das onze horas, e Christina agiu de modo a 
ficar todo o tempo de costas para as cmaras. No queria que Simon  visse como se sentia na verdade. 
    Ao final, vestiu o casaco de coure, voltou ao lar e passou 
mal durante meia hora. Aquela nusea era novidadade, pois no costumava ter enjos. Poderia haver apenas uma razo, e no era alguma coisa que comera. Sua me lhe dissera que quando estivera grvida enjoara j com duas semanas de gravidez, muito antes dos mdicos diagnosticarem seu estado. 
    Christina foi para a cama e chorou at dormir. Queria a criana, mas estava com tanta raiva de Simon que poderia dar-lhe um tiro. Pobre beb. Que tipo de pai iria ter! 
    Ao ouvir um ruido caracterstico, Christlna olhou na direo do som e pde ver o camundongo, que estivera ausente durante duas semanas. Ele correu at o vestbulo e Christina foi atrs. Agora tinha uma misso outra vez. Ia pegar aquele invasor e depois seria  a vez de Simon. 
    Preparou um milkshake e fi para o ateli.  Usava jeans, um suter e meias grossas. Escovara os cabelos e no usava nenhuma maquiagem. Sentia-se enjoada, e o milkshake era a nica coisa que conseguia ainda ingerir sem passar mal. 
    Charles e Vanessa a convidaram para passar o Ano-Novo em sua companhia, mas ela recusara.  ltima colsa que queria era ver gente. 
    Andou pelo ateli estudando suas ultimes criaes. Sentou-se  mesa onde esculpla e ficou olhando o trabalho coberto por um pano, que comeara naqueIa manh. No estava com disposio para fazer nada. 
    Ps a mo sobre o ventre e suspirou. Ali estava seu beb. Sabia estar grvida. Faria o  teste, mas nem era necessrio, pois seu instinto lhe dizia que havia outra vida dentro dela, e se ps a pensar se a criana se pareceria com ela ou com Simon. 
    Ouviu baterem nos fundos e franziu as sobrancelhas. A maioria das pessoas tocava a campainha da frente. No podia ser Charles e Vanessa, e era fora de questo que fosse Simon. Quem seria? 
    Levantou-se com o milk-shake na moe dirigiu-se at l. Tirou a corrente e abriu a porta. 
    Simon a encarou com uma expresso inescrutvel. Tinha olheiras escuras e novas rugas no rosto. 
      Natal, Chris. Posso entrar? 
    Seu terno e a gravata eram muito elegantes. 
    - Entre.  Christina deu-lhe passagem, olhando atrs para ver se estav sozinho, 
     Esperava que eu trouxesse algum? - Pensei que Jill estivesse com voc, 
    Simon a fitou, perplexo. . 
    - Sinto muto, Smon. Sua vida particular no me diz 
respeito. 
    Quando ela se virou para entrar, Simon pegou-lhe o braoe apertou-o. . . . 
    - Por falar em vida particular, onde est Charles? 
     Com Vanessa,  claro .  
    - O que ele ainda est fazendo ao lado dela?
     Gene morreu e Vanasa precisa de Charles agora, 
mais do que nunca. Charles  apaxonado por ela h anos 
Gene casou-se com Vanessa esperando herdar a companhia 
do pai dela, mas a firma faliu, e ele fez da coitada seu bode 
expiatrio. Ela no o deixou porque sabia que Gene sofria do corao, mas Charles quase enlouqueceu. Agora que Gene se foi, eles se casaro assim que puderem. 
    Simon parecia eetarrecido: .. 
    - Voc foi para a casa dele.. 
    - Para ficar com Vanessa na noite em que Gene morreu. Charles achou que no ficaria bem para ela ficar sozinha com ele, e Vanessa no aceitou ficar no apartamento dela. 
    Simon evitou o olhar de Christina. No podia encar-la. Mais uma vez, parecia ter feito tudo errado. 
    Por que voc est aqui?  Christina perguntou, tentando parecer indiferente, Acrescentou, com sarcasmo   Caso esteja pensando tolices, no vou me suicidar. No enlouquecerei por sua causa. . 
    Simon enfiou a mo no bolso e observou-a, percebendo que estava de meias, sem sapatos e com um copo na mo. 
    O que  isso? 
    Meualmoo.  
    Ento, Simon percebeu a tristeza dela e a palidez das faces. 
     Nem vai comer peru? 
     Estou sem apetite. 
    Simon ergueu uma das sobrancelhas e olhou para a barriga dela. 
     Verdade? 
Christina jogou o milk-shake nele, que desviou bem na hora, e o copo acabou batendo no armrio da cozinha. 
     Eu o odeio, Simon! Voc me seduziu e depois me abandonou! Deixou Jill cuidar de suas dores de cabea, passou a vspera do Natal com ela! Espero que se casem, pois os dois se merecem! Voc... voc... 
    Christina estava soluando, descontrolada, o pranto descendo livre pelo rosto vermelho de raiva. 
    Simon a pxou para si e a estreitou em seus braos, acariciando seus cabelos longos, tentando acalm-la. 
     Isso, isso, querida... Os primeiros meses so dificeis mas depois se sentir melhor. Comprarei picles e sorvete pera voc, e lhe farei torradas e ch quando acordar com enjo. 
     O que... 
     Meu bem, est quase certa de estar grvida, no est? Pelo jeito, est esperando um filho meu., e eu tenho vontade de danar de alegria! 
    Christina olhou para Simon, indecisa entre beij-lo ou quebrar-lhe o pescoo. 
     O que o faz pensar que estou grvida? 
     O mIk shake  afirmou, sorrindo 
     Mal se passaram duas semanas desde... 
     Que foram to solitrias!  ele disse, quase num sussurro. Tocou os cabelos e o rosto dela, que ansiava por seu toque na mesma intensidade. - Parece que nunca paro de meter os ps pelas mos. 
     Voc estava acompanhado. 
    Simon ergueu-lhe o queixo. 
     Jli gosta de mago-la, no gosta? Por que sempre 
acredita em tudo que ela fala? Jamais tive a menor inteno me casar com Jili, nem no passado e muito menos agora quanto a ela cuidar das minhas dores de cabea, voc e todo mundo sabe que no as tenho. 
     Jill falou... 
     Cheguei de Austn to infeliz e sozinho que me embebedei. E a espertinha apareceu, com a desculpa de que ia cuidar de mim. 
     No foi isso o que ouvi. - Christina arqueou as sombrancelhas. 
     E no cr no que digo, no ? Bem, no posso culp-la. S cometo erros em relao a voc, desde o comeo. Passei a vIda mantendo as pessoas afastadas de mim. Amei Melina, a meu modo, mas at ela nunca foi to pr6xima a mim como voc. Sobretudo na cama. 
     No entendo. 
     Nunca perdi o controle com Melina, Chris. A primeira vez com voc foi especial. Jamais tinha me sentido daquela maneira. Eu a machuquei porque no pude me conter.  Sorriu.  Percebeu, no ? 
     Eu no sei muito a respeito disso. 
     Ento, descobri. Casada, mas Intocada. 
    Christlna tentou lembrar se dissera a Simon alguma coisa sobre John, mas no conseguiu. 
    Simon beijou-lhe a testa. 
     Vamos nos casar, Chris. Quero que meu filho nasa num lar de verdade. 
    - Simon... 
    Beijaram-se com carinho. Christina sentia o corao bater com fora no minuto em que seus lbios se tocaram. Seu corpo tremia de emoo e desejo. 
    Em seguida, fitou Simon com curiosidade para verificar se tambm ele estava emocionado. 
     Est certo, meu anjo, olhe para mim  vontade. Consegui esconder meu desejo por voc durante anos, mas agora no h mais necessidade disso. 
     Est dizendo que me desejava antes? 
    - Eu a quis desde a primeira vez em que a vi. 
    A mo de Simon desceu do pescoo de Christina para os rnamilos trgidos, aparentes sob o suter, e roou-os, observando-a estremecer, 
     Voc era a criatura mais linda que eu j tinha viSto, Chris. Mas era casado, e imaginei ser apenas a atrao fisica que s vezes um homem sente por uma mulher, mesmo que ela seja completamente inadequada para ele. 
     Para voc, eu era uma mulher fciL, 
     No, mas achei que fosse uma garota experiente.  Simou deixava claro seu arrependimento. - Joguei-a nos braos de John para me salvar, sem me importar com voc. Perdoe-me. Nunca pensei que eu fosse o tipo de homem que foge de problemas, mas foi o que andei fazendo. Eu no admitia ser vulnervel. 
    Christina entendeu o que Simon queria dizer. 
    - Nem eu, Simon. Charles era gentil comigo e sabia o que sentia a seu respeito, e tambm me usava para disfarar 
seu amor por Vanessa. Todos pensavam que ramos amantes. 
    Voc sabia que eu achava que era uma moa experiente quando a levei para a cama? 
    Sim. 
    - Mesmo quando voc soltou o primeiro grito, para mim tinha  sido por prazer no por dor. No me esquecerei, nem em mil anos, como me senti quando percebi como estava errado. Sei como foi ruim. Voc... est bem? 
    Sim,estou: 
    Simon encostou a testa de Christlna em seu peito e ficou pensando durante alguns instantes em que palavras pderia usar para compensar tudo que a fizera sofrer. Baixou as palpbras e beijou-a com muita ternura. Nunca se sentira daquele jeito antes 
    Christina suspirou e o abraou. 
    Simon sentiu-se percorrer por uma espcie de calafrio.   Ela ergueu a cabea e olhou para ele, curiosa. Seu roSto estava srio, os olhos brilhantes, e Christina no precisava ter   uma bola de cristal para entender o motivo. A to temida vulnerabilidade de Simon se abalara para sempre. 
    Christina sabia como ele era orgulhoso e como detestava se ver assim, enfraquecido. Mas, fazia parte do amor, 
era um lado com que Simon ainda precisava arender a conviver. 
     Vamos, Simon, no fique to preocupado. Posso consertar o que h de errado em voc. 
     - Como sabe o que h de errado em mim? 
     No seja tolo! - Cbristina sorriu e tomou-lhe a mo, levando-o at seu quarto. 
    Fechou a porta logo que entraram. 

   Quando acordaram, Christina se viu coberta com o lenol, os cabelos esparramados sobre o travesseiro. Deparou com Simon j vestido, faltando apenas o palet. Estava sentado na beirada da cama, olhando para ela.. 
    Christina nunca vira expresso semelhante no rosto de Simon. Havia ali algo que no conseguia decifrar. 
     O que foi Simon9 Alguma coisa errada? 
    Ele levou a mo ao ventre dela. 
    - Ser que machucamos o beb? 
    Christina sorriu, sonolenta. 
     No. Pode ficar tranqilo. 
    Simon no pareceu muito convencido. 
    No sei, Chris... O modo como fizemos amor desta vez... 
     Mas foi to bom! 
Simon apertou-lhe a mo. 
     O que foi bom? O modo como nos amamos? 
    O que mais poderia ser, bobinho? 
    Estive pensando... 
     No qu, meu amor? Ainda consegue raciocinar?! 
     Talvez fosse melhor que no fizssemos uma cerimnia rpida, com apenas um juiz de paz. 
    O que est imaginando? 
     Ser em uma igreja, com voc vestida de cetim branco. 
     Branco? Mas... 
     Isso mesmo.  As pupilas de Simon brilhavam.. 
     Est bem. 
    Simon relaxou um pouco. 
     No quero que as pessoas falem do voc, como se tivssemos feito algo proibido... Embora, na realidade, tenhamos feito. 
    Christina, enfim, o encarou. 
     O qu? 
     Eu costumava ir  igreja, e no me esqueci de como as coisas devem acontecer. Pulamos um estgio duas vezes, e no estou orgulhoso disso. Mas considerando as circunstncias...  Ps a mo sobre a barriga de Christina. 
 ...acho que seremos perdoados. 
      claro que seremos. Christina disse, com suavidade. 
 Deus  muito mais compreensivo que a maioria das pessoas. 
   E no agimos como seno quisssemos nos casar e 
dar a nosso beb um lar slido e com muito amor. Por isso, 
j pus tudo para funclonar. 
    - Funcionar? 
    Simon pigarreou. 
     Telefonei para meus irmos... 
    Christina sentou-se, de repente, com os olhos muito 
arregalados. 
     Para seus irmos?! Simon, voc no... 
     Calma, calma! No ser to ruim. Eles esto acostomudos com casamentos. Fizeram uma bela cerimnia para Corrigan. Voc foi, no se lembra?. 
    - Rey, Lo e Call fizeram tudo sem uma nica participao de Dorie! Os trs a raptaram, enrolaram-na em fitas e a carregaram para casa como presente de Natal para Corrigan! Sei tudo sobre aqueles malucos e garanto que vou providenciar tudo sem a ajuda deles. 
    Quando Christina acabou de falar, a porta dos fundos, a nica que haviam esquecido de trancar se abriu e ouviram-se vozes e passos no corredor.
    Sem pedir licena, Leopoldd, Reynard e Callaghan invadiram o quarto, sem o menor constrangirnento. Simon e Christina, estupefatos olharam para os trs irmos. 
    Callaghan encarou Simon. 
     Voc, seu grosseiro atrevido...  Ps as mos na cintura.  Como pde fazer isso com uma garota maravilhosa como Chris?!
     Estamos morrendo de vergonha de sua atitude, Simon Hart  Leopold acrecentou, com um sorriso malicioso, dirigindo-se em seguida para Christina, qu continuava no leito.  Ela no est linda? 
     No fique observando a sua futura cunhada desse jeito, Leo.  Reynard deu-lhe um aperto no brao.  Simon,  melhor resolvermos tudo com a maior rapidez possvel 
     Precisamos apenas do tamanho da roupa que Christina usa  Leopold a fitou de alto a baixo 
     No vou dar o nmero do meu manequimm, seus...trogloditas  Christina parecia enfurecida. 
    -  melhor comprar um tamanho maior, pois ela est grvida  Simon deixou escapar.  
     Oh, muito obrigada!  Christina enrubesceu.  Precisava falar isso? 
     Por nada..  Simon sorriu, sem graa. 
    Grvida?!  trs vozes ecoaram no silncio do aposento.    Os insultos se tornaram ainda piores, e Leopold comeou a bater em Simon. 
     Pai do cu!  Christina gemeu, escondendo o rosto 
      manequim quarenta e dois!  Reynard gritou, do closet, onde fora inspecionar as roupas de Christina.  Acho melhor comprarmos tamanho quarenta e quatro, e muita renda tambm. Poderemos chamar o mesmo pastor que realizou a cerimnia de Corrigan e Dorie, e no poder passar de trs semanas.  Estudou Simon de uma forma muito sria.  Levando-se em considerao as condies da noiva! 
     No  uma condio, Rey...  um beb  Simon o corrigiu. 
     E ns que pensvamos que os dois nem sequer conversavam!  Leopoid piscou, cheio de malcia. 
     Ainda no sabemos se h uma criana. . Christina tentava arrefecer os nimos dos irmos. 
    - Chris estava tomando milk-shake, no lugar de almoar. Por isso, suponho, com minima margem de erro, que est esperando nenm. 
     E, pelo que observamos, tem mais milk-skake no armrio da cozinha. Para que comprou tantas caixas, Chris? 
     Porque o camundongo adora. J que no consigo apanh-lo, achei melhor ser boazinha com ele. 
     Como  que ?  Callaghan perguntou, admirado. 
     H um rato que no foi pego por nenhuma ratoeira nem armadilha.  Christina suspirou.   J chamei trs exterminadores e eles desistiram. 
    Trarei Herman para ficar aqui durante alguns dias, ou at que consiga pegar esse danado . - Callaghan meneou a mo, como se j tivesse solucionado o problema.
     No!  os outros dois exclamaram ao mesmo tempo. 
     Quem  Herman? 
     Um  dos dceis bichinhos adotados por nosso irmo louco. No queira nem saber quem ele . 
    Christina no pde deixar de achar graa na expresso de Reynard. 
     Mas ele daria conta do tal camundo podem acreditar. 
    Sim, mas no sobrar pedra sobre pedra. 
     No que diz respeito  cerimnia Simon retomou o assunto do casamento , precisamos convidar o governador e sua equipe. 
    - Convidar nosso governador? . Christina se voltou 
para ele, surpresa.. O governador de nosso Estado? 
     Pode apostar, meu bem. Esqueci-me de dizer que 
aceitei o cargo de promotor. Espero que no se importe de 
morar em Austin.
    - Austin. - Christina repetiu, parecendo um tanto confusa. Simon se virou para os irmos, fazendo-lhes um sinal discreto 
    Acho que vocs deveriam se apressar, pois no temos tempo. E no se esqueam da imprensa, Sempre  
bom que um acontecimento poltico seja acompanhado de uma notcia sentimental. 
    - L vai Simon, ser poltico de novo... Callaghan resmungou. .. 
     E, ele vai, no  mesmo?  Reynard gargalhou.   Muito bem, rapazes, vamos comear a agir, Teremos um dia cheio amanh. 
    Ao chegrem  soleira, Callaghan hesitou. 
     Issono foi feito de modo adequado, Simon. Voc deveria estar envergonhado. 
    Simon chegou a corar. 
     Um dia voc entender, Call. 
     No conte com isso. 
    Cailaghan saiu, seguido de Reynard e Leopold, e fechou a
porta, deixando Simon e Christina a ss outra vez. 
     Call nunca se apaixonou, Chris. No sabe como  querer algum com tanta paixo que chega a doer. Christina olhou para ele com curiosidade. 
      assim que voc se sente? 
     Tanto hoje quanto na primeira vez. Mas, para o caso de pensar coisas erradas, no resolvi me unir a voc por causa do sexo, alis, maravilhoso. 
     Ah, no? 
     No. Nem por causa de nosso filho. Eu o quero muito, mas me casaria com voc mesmo que no houvesse um. 
    Christina ficada cada vez mais confusa. Aquilo significava o que parecia?. Teria alguma coisa a ver com poltica? 
    Decerto seria excelente para a imagem pblica de Simon ter ao lado uma mulher bonita, grvida e inteligente, ainda mais quando existia controvrsia. 
    Foi ento que a realidade da situao a atingiu em cheio. Christina ia se casar com um homem pblico. Simon seria nomeado promotor do Estado, no iria ser to somente um advogado local, e no ano seguinte teria de concorrer ao cargo. Eles iriam viver em uma gaiola dourada. 
Christina fitou  Simon horrorizada, ao imaginar todas as implicaes que isso acarretaria.
    Sentou-se no colcho, cobrindo-se com o lenol, sem desviar dele o olhar atormentado. Simon no sabia a respeito de John. Algumas revelaes poderiam ser perigosssimas, no s para ela, como tambm para Simon. 
    Teriam de considerar tambm o pai de John, um prspero homem de negcios. O que aconteceria se todo o Estado soubesse que John era homossexual? 
   O medo tomou conta dos pensamentos de Christina. Simon no tinha falado a respeito de John, e no sabia o que ele achava, agora que tinha conhecimento de que Christina no fora responsvel pela morte do marido. Isso poderia prejudicar o governador e todo o partido. 
    Christina mordeu o lbio e baixou a cabea. 
     Simon, no posso me casar com voc  sussurrou, com dificuldade. 
     Voc o qu? - 
     Tenho certeza de que me ouviu. No podemos nos casar, Simon. Sinto muito: 
    Simon se aproximou dela e a obrigou a encar-lo. 
    - Por que no? 
     Porque... 
    Ela no sabia o que dizer. No queria ter de revelar-lhe a verdade a respeito de seu melhor amigo. 
    Porque no quero viver em uma gaiola douradamentiu. Simon a conhecia muito bem. Conhecia-a at o fundo de sua alma. Assim, suspirou e sorriu, carinhoso e compreensivo. 
     Voc quer dizer que no quer que nos casemos por medo de que todos venham a saber sobre John, e, ao vir  tona, a notcia me prejudique quando eu me candidatar no prximo ano. 
    Christina estava to atnita que no conseguia falar. 
     Voc sabia?! 
    Simon meneou a cbea, num gesto afirmativo. 
     Soube na noite de sua exposio, na galeria, quando conversava com seu ex-sogro.  Simon enfiou as mos nos bolsos.  Harry me contou tudo. 
   Simon no conseguiu disfarar a tristeza. 
     Foi ento que soube o que eu havia feito a voc, Chris, e a mim mesmo. Ento, que cheguei ao fundo do poo. 
     Mas nunca me disse uma palavra a respeito, Simon... 
    De sbito, certas coisas vieram-lhe  memria.  Na verdade, falou que estava alegre por John no ter me possudo. Agora comea a fazer sentido. 
Simon assentiu. 
    Deveria ter sido mais carinhoso com voc. 
    Eu gostava muito de John e teria sido uma boa esposa, mas me casei com ele por pensar que nunca poderia t-lo, Simon.  O olhar de Christina deixava claro todo seu sofrimento.  Afinal, amava Melina. 
    Achei que a amasse -- retrucou. Eu amava uma iluso, uma mulher que s existia em minha imaginao. A realidade foi horrvel, quase acabou comigo. 
    Simon  afagou com incrvel delicadeza o ventre de 
Christina. 
     Voc nunca precisaria me perguntar como eu me sinto em relao ao beb, no  mesmo? ela perguntou, cobrindo a mo dele com a sua. 
    - Nem em sonhos, querida. Voc adora crianas. Fiquei aborrecido por ter perdido a festa de Natal da creche. 
   - Vi voc pela televiso, e entendi por que se encontrava de costas o tempo todo. Essa atitude foi mais eloqente que 
mil palavras. 
     Em compensao, Jill esteve l para me infernizar.
      Ela inferniza a mim tambm.  Simon ficou srio de Dente.  Chris, espero que acredite que no houve ningum em minha vida, nem em minha cama. 
    - Eu no conseguiria esquecer o que aconteceu entre nem que quisesse. Acho que se trata de prova suficiente. 
    Ele a abraou. Em seguida, a fez encar-lo bem dentro 
de seus olhos. - 
    - Voc no se importa de eu ser um aleijado? 
     Aleijado?I  Christina parecia bastante surpresa, 
como se aquele pensamento nunca lhe tivesse ocorrido. 
sua sinceridade era to genuna que Simon a estreitou 
     Meu amor, perdi metade do brao esquerdo, lembr-se?. 
      verdade?  Christina beijou-lhe os lbios, de leve. 
Tambm no precisa da prtese, no ? 
     Aparentemente no.  Olhou-a bem dentro dos olhos.- 
Como ainda pode me mar depois de tudo o que lhe fiz? 
    Simon estava to emocionado que temeu chorar. 
    Christina deixou o lenol escorregar, desnudando os selos 
maravilhosos, e perguntou, muito sensual: 
    - Ser por voc saber fazer amor muito bem? 
    - No, no  por esse motivo.  Simon meneou a cabea e tocou-lhe os seios, apreciando a imediata reao, que deixou os mamilos trgidos.  Hbito, talvez. S Deus sabe... 
Mas eu no a mereo. 
    - Nunca imaginei que voc fosse to vulnervel  Christina confessou.  Que pudesse ser carinhoso e fosse capaz de rir sem cinismo. Para ser sincera, eu no o conhecia. 
     E nem eu a voc.  Simou inclinou-se e a beijou com 
muita delicadeza.  Quantos segredos mantivemos, quantas verdade escondemos de ns mesmos! 
     No guardei tanto segredo assim. Todos, com exceo de voc, sabiam que eu o amava.  Fez uma pausa.  E quanto a John, Simon? Se vierem a saber sobre ele, isso poder prejudic-lo, bem como ao partido e at mesmo a Harry. 
     Voc se preocupa demais.  Acariciou-lhe os cabelos. 
    Se acontecer, quem vai se importar?  uma histria antiga. Pretendo ser um promotor competente, e quem se atreveria a atacar uma mulher linda e grvida? 
     No estarei grvida o tempo todo. 
     No? Tem certeza?  provocou-a. 
    Christina deu um tapinha no peito dele. 
     No quero ser me de um time de futebol. 
     Voc adorar.  Simon esboou um sorriso radiante, J posso v-los abraando-a, com os uniformes cheios de lama. 
      a voc que os garotos abraaro, Simon. Eu carregarei a bola. 
     .. Ter mesmo de fazer isso, porque eu...  Olhou para a prtese, melanclico. 
     Voc se incomoda muito com isso, no ? 
    Costumava me preocupar mais, Chris. At a primeira vez que fizemos amor.  Exalou um suspiro.  No pode imaginar como tive medo de deix-la ver o aparelho querida.     Depois, temi tir-lo por no saber se seria capaz de funcionar como homem sem us-la para me equilibrar e ter segurana. 
     Ns teramos encontrado um jeito  Christina afirmou, com simplicidade.  Sempre h maneiras de compensarmos o que nos falta. , . 
     Voc torna tudo to fcil...  Simon franziu o cenho carregado e beijou-lhe a palma da mo.
     Nem tudo. Diga-me, no se sente preso em uma armadilha? 
     Sinto como se tivesse o mundo em minhas mos, isso sim. 
    Eutambm.Ela sorri 
    Simon a fitou como se fosse dizer mais alguma coisa, mas. apenas a puxou contra si, abraando-a com amor. 
    Os preparativos para o casamento foram complicados. 
Em vez de uma cerimnia de casamento, parecia estar sendo preparado um encontro poltico. .. 
    O governador enviou sua secretria particular para ajudar, e os irmos Hart acabaram ficando furiosos e brigando 
com ela pelo controle da organizao do evento. 
    Simon teve de intervir para lembr-los de que no poderiam planejar tudo sem a assistncia de aIgum com experincia. Mas Lopold, Callaghan, Reynard insistiam que j haviam feito aquilo antes e para encerrar a discusso, Simon acabou desistindo e deixou que as coisas acontecessem sem sua interveno. 
    Christina tomava caf com ele na sala de visitas, em meio
a centenas de convites para a cerimnia, que estavam endereados  mo. Seriam quase quinhentos convidados 
    - Vou desaparecer no meio de tantos papis e envelopes. - Christina apontou para a pilha.  E o rato cotinua morando aqui. Encontrei-o esta manh embaixo de um envelope. 
    - Callaghan cuidar dele enquanto estivermos em lua-de-mel. Continuaremos morando nesta casa at que achemos um imvel em Austin, em um bairro de que voc goste. 
     Voc tambm ter de gostar dele, Simon. 
     Se for de seu agrado, tambem ser do meu. 
   Christma sentia-se um pouco perturbada por Simon deixar que ela tomasse todas as decises. Sabia que estava sendo mimada, mas no entendia bem por qual o motivo.
    -  seus lrms no apareceram at hoje. 
     Esto em reunio com a srta. Chase,a secretria do 
governador. Quando sa ela estava procurando um vaso 
Ela  uma pessoa muito decidida e de bom gosto, no deixar que os trs transformem nosso casamento em um espetculo circense.  
    - Mas Call,  Lo e Rey tambm tem bom gosto, Simon.
    -  Ah, ? Pois saiba que ligaram ps Nashville para saber quantos astros de msica country poderiam contratar  para a recepo.- . . .- 
     Oh, Deus do cu!  Ela gargalhou. 
    - No so esses os termos que a srta. Chase usa. Na realidade, ela precisa moderar a linguagem. At Rey fica rubrizado. 
     Rey tem o pior gnio de todos vocs. Consegue ser mais cabea-dura que Lo . Christina afirmou.  Mas aposto cinco dlares na srta. Chase. 
    Simon ficou observando-a levar a xcara de caf  boca. 
     Voc deveria estar ingerindo cafena? 
     Este  descafainado, querido. 
    A entonao, to carinhosa, o deixou um tanto sem graa.    Simon engoliu em seco. 
    A reao surpreendeu-a, porque Simon costumava se mostrar sempre to seguro de si... 
     Se no gosta que eu o chame assim,.no.... 
     De jeito nenhum, eu adorei E que no estou acostumado a situaes ternas, s isso. . 
    -  verdade, eu sei. No costuma usar expresses carinhosas com freqncia. 
     S quando fao amor com voc. 
    Christina baixou os olhos. No tinham mais se amado desde o dia em que ficaram noivos pela segunda vez, quando os irmos irromperam em seu quarto, intrometendo-se em suas vidas de maneira to adorvel. Gostaria de saber o motivo, mas era tmida demais para perguntar. 
     Ei, garota!  Simon segurou-Ihe o queixo, fazendo-a olhar para ele.  No  falta de interesse, mas de privacidade. 
Christina sorriu, aliviada. 
     Eu gostaria de saber por que no tem estado comigo durante muito tempo 
     Venho tentando organizar tudo no escritrio e com minha equipe, antes do comeo do anp. Tem sido um rduo trabalho, Chris. 
     claro. Sei que est sob muita presso. Se quiser, podemos adiar o casamento. 
     Nesse caso, voc acabar subindo ao altar numa bata de grvida.  o que deseja?. 
   A respost de Christina foi inesperada: caiu em prantos.     Simon levantou-se e a puxou de encontro a si, abraando-a com fora. 
     Tenho estado nervoso, minha adorada. Isso passar. desculpe-me, sim? 
    Mas Christina no parou de chorar. Pelo contrrio, ps-se a soluar, e molhou a roup de Simon. 
     Chris, o que h? 
    Veio. . . . 
     O qu? 
    Christina encarou Simon, com os olhos avermelhados.  No estou grvida, Simon. 
    Simon pegou um leno e enxugou-lhe as faces. - Sinto muito, Chris. 
    - Eu no sabia como contar-lhe, mas agora j  sabe. Por isso se no quiser... 
    Simon a fitava como se ela tivesse enlouquecido. 
    - Por que no iria mais querer casar com voc? 
    - Bem, no estou esperando um filho seu Simon. No 
ouviu o que eu disse. . . - . ,  
    Simon suspirou.. . 
    - Chris, j lhe disse que no iria me casar por causa da
gravidez. Mas voc no estava convencida, no ? 
    - Tinha minhas dvidas.  
    -  uma pena que no tenha engravdado, Chris. Quero 
muito ter um filho seu. Mas estou me casando com voc 
porque te amo. Pensei que j soubesse. 
    O corao de Christina dava saltos de alegria. 
     Voc nunca disse isso, Simon. 
     Algumas palavras so dificeis para mim.  Ele respirou fundo.  Imaginei.., eu esperava que soubesse que a amo pelo modo como fomos para a cama juntos. Eu nunca 
tinha perdido o controle antes, ao mesmo tempo que jamais 
havia sido to amoroso. Pensei que isso bastasse para provar meus sentimentos. 
    - Sei muito pouco sobre intimidade. 
     Mas aprender logo.  Simon fez uma pausa e ergueu sobrancelha.  E voc ia se casar comigo pensando que eu a queria por causa do beb? 
    -Eu amo voc, Simon. - Christina respondeu com simplicidade.  E achei que quando a criana chegasse, voc aprenderia a me amar.  Voltou a chorar.  E ento, soube que no estava esperando... 
    Simon a beijou, enxugando-lhe as lgrimas mais uma vez. 
     Entretanto, haver, minha querida. Na hora certa, comearemos nossa produo de garotinhos e garotinhas. Sim, porque haver mais de um. Agora, s quero que nos casemos, vivamos juntos e nos amemos muito. O resto vir no tempo adequado. O futuro dir.. 
    Christina olhou para ele e sorriu, com os cilios molhados. 
     Eu te adoro, Simon. - Soluou.  Mais que minha prpria vida. 
    - Que feliz coincidncia, Chris!  exatamente o que sinto por voc! 
    A cerimnia matrimonial, apesar do campo de batalha que se formou entre seus organizadores, correu com perfeio. Foi um evento incrivel para a midia,, e aconteceu na fazenda, em Jacobsville, com a presena de todas as famlias proeminentes de San Antonio. 
    Christina estava gloriosa em seu vestido de noiva quando caminhava sobre o tapete vermelho em direo ao altar, onde Simon, seus quatro irmos e o pastor a esperavam 
    Dorothy Hart foi a madrinha, e todos os Irmos Hart, os padrinhos. 
    A cerimnia foi breve, mas muito bonita. E, quando Simon ps a aliana no dedo da noiva, levantou o vu e a beijou, o fez com tanta ternura que Christina no conseguiu dizer mais urna slaba sequer 
    J casados, os noivos percorreram o caminho at a porta da igreja sob uma chuva de arroz e ptalas de rosa, com um sorriso de felicidade estampado nos lbios o tempo todo 
    Na recepo no havia cantoras de Nashville. Em vez disso, a Orquestra Sinfnica de Jacobsville tocava, enquanto a comida, vinda de avio de San Atonio era servida. 
    Foi uma festa de gala, e havia muitos convidados para apreci-la. 
    Christina disfarou um bocejo e sorriu para o marido, se 
desculpando.  
     Perdo, querido! Estou tio cansada que mal posso ficar de p. No sei o que h de errado comigol 
     Uma tima lua-de-mel na Jamaica vai cur-la de querer dormir tanto  Simon prometeu, provocando-a.  Voc  a noiva mais bela que j vi, e eu sou o homem de mais de sorte neste mundo.  
    Christina levou a mo ao rosto do marido e o acariciou, 
    - Eu sou a mulher mais sortuda deste planeta.
    Simon beijou-lhe a palma da mo. 
    - Gostaria que fssemos um pouco mais jovens, Chris. Perdemos tantos anos . 
     No pense dessa maneira. Tudo o que aconteceu serviu que venhamos a fazer nosso relacionamento ainda melhor e nosso amor, mais profundo e maduro. 
     Espero que celebremos nossas bodas de ouro, daqui a cinqenta anos. 
    Naquela mesma noite, Simon e Christina voaram para o Caribe. Callaghan, que havia se esquecido do camundongo, 
pediu a chave da casa e jurou  cunhada. que o rato no mais estaria l quando eles voltassem... 
    Christina sentiu um peso na conscincia, pois de certo modo, o animalzinho havia aproximado Simon e ela. Mas tinha de ser assim, disse para ai mesma. No poderiam viver com um camundongol 
    Na Jamaica, o hotel em que se hospedaram ficava na praia da Baa de Montego, mas eles passaram pouco tempo na areia. 
    Simon estava ardente, insacivel e incansvel depois de ter 
mantido distncia de Christina at que se casassem. 
    Ficavam deitados um ao lado do outro, mal podendo respirar depois da maratona de paixo que os deixava exaustos demais para se moverem e sair a passear. 
    - Voc precisa tomar mais vitaminas, Chris ele brincou, vendo-a bocejar outra vez.  No est agentando fazer exerccios. 
    Christina achou graa e virou-se para ele, suspirando. 
     Foi o casamento e todos os preparativos, meu bem. Estou apenas um pouco cansada, mas nem tanto assim. Eu agento, sim, senhor. - acrescentou, beijando-o.  Amo voc, meu marido. 
    Simon a trouxe para mais perto. 
     Eu te amo, sra. Hart. Mais do que possa imaginar. Christina apoiou a cabea sobre o peito forte, e ia falar alguma coisa, mas dormiu antes de conseguir. 
    Depois de uma maravilhosa semana, os noivos voltaram para casa vestindo camisas coloridas e com lembranas inesquecveis. 
     Estou com vontade de tomar caf, Chris. Quer que eu faa? 
     No, deixe que eu fao, enquanto voc leva as malas para o quarto. 
    Christina dirigiu-se  cozinha. Abriu o armrio para pegar o caf e deu de cara com o que lhe pareceu a maior cobra do mundo. 
    Simon ouviu um barulho no andar de baixo, largou a bagagem e correu para ver o que tinha acontecido. 
    Seu corao comeou a bater descompassado quando viu o armrio aberto, a enorme cobra e sua esposa cada inconsciente no piso. 
    Agachou-se, erguendo-a. 
    Christina, voc est bem?  perguntou, afagando-lhe os seus cabelos.  Pode me ouvir? 
   Ela se mexeu, as plpebras trmulas, fitou Simon e lembrou-se do que havia acontecido. 
     Simon, h uma cobra... 
     Herman. 
     H uma cobra no armrio..  ela conseguiu dizer. 
    -  Herman  Simon repetiu.   a cobra albina de Call. 
    - Est em nosso armrio. 
    - Sim, eu sei. Call a trouxe para pegar o rato. Herman 
 um grande caador de camundongos.  uma barreira para 
a vida social de Call, mas uma boa armadilha de ratos. 
    Agora, no teremos mais  que nos preocupar com o animalzinho. Que bom, no  mesmo?
    Enquanto observavam o enorme rptil, a porta dos fundos se abriu, e Callaghan entrou com um saco. Deparou com Christina e Simon no cho, e gemeu.- 
     Oh, Deus! Cheguei tarde demais! Desculpe-me, Chris, esqueci de Herman e, quando vi a data, tentei encontr-los no aeroporto, mas vocs j haviam sado.  Suspirou, 
     Quase a matei de susto, no  mesmo? 
    - Pode acreditar.  Christina olhou para o cunhado, do.  Tenho me cansado muito uitimamente. Estou ficando frgil com a idade. 
    Simon ajudou-a a levantar-se , observando-a com curiosidade. 
     Christina fez caf, enquanto Callaghan guardava Herman, lhe assegurando que no havia mais camundongos ali. Christina ofereceu-lhe a bebida, mas Callaghan no aceitou, dizendo que precisava levar Herman para casa antes que ele flcasse irritado. A cobra estava mudando de pele e pr isso no era uma boa ocasio para carreg-la. 
    - Para mim, nunca ser uma boa ocasio  ChIstina 
afirmou ao marido depois de Callaghan ter ido embora: 
    - Voc desmaiou, querida.  
    - No foi para menos. Fiquei apavorada. Quem no ficaria, ficando frente a frente com uma cobra? - 
    - Tem estado exausta, dormido muito e no tem tomado o desjejum...  Simon pegou-lhe a mo e a apoiou sobre o peito.  Voc tem certeza de que no est grvida, e tenho certeza de que est.  
    - Mas eu fiquei menstruada e... 
     Quero que v consultar um mdico . - 
    - Est bem  Christina assentiu e o beijou.  Mas no
quero me iludir. Devo estar com alguma disfuno hormonal comum s mulheres. - 

    O telefone tocou no escritrio de Simon, onde ele estava reunido com seus scios para deixar tudo organizado antes de tomar posse de seu cargo de funcionrio do Estado, em Austin. 
    - Al?  atendeu  ligao,  distrado. 
    - Sr. Hart, sua esposa est aqui. a secretria murmurou, com a voz impessoal de sempre. 
    - Est bem, sra. Mackey, faa-a entrar, por favor. 
     Eu... bem... acho que  melhor o senhor sair. 
     O qu? Ora, est bem... 
    Simon ainda pensava no documento que preparava, e no esperava pela surpresa com que se deparou. 
    Christina estava de p na sala de espera, usando uma bata de grvida, esboando um sorriso que ia de orelha a orelha. 
     Sei que ainda vai demorar algumas semanas at que eu precise de roupas apropriadas, mas no me importo. O mdico disse que estou esperando um beb, e resolvi usar traje de gestante. 
    Simon foi at ela, estreitou-a em seus braos e depois a fitou com os olhos brilhantes de felicidade. 
     Eu sabia! Eu sabia! 
     Gostaria de ter adivinhado.  Christina enlaou-o com fora.  Toda aquela lamentao e ranger de dentes para nada! 
     Que grande alegria est me dando, meu amor! 
     Para mim tambm , querido. Voc me leva para almoar? Quero comer pepinos em conserva e creme de morango. 
     Credo!   sra. Mackey no conseguiu se conter. 
     No se preocupe, sra. Mackey. Levarei Christina para casa e cidarei de sua alimentao. Pediremos para a sra. Lester preparar alguma coisa para comermos enquanto fico apreciando voc nessa bela roupa. 
    Christina pegou-lhe a mo, e foram em direo da porta sentindo-se como se tivessem o mundo a seus ps. 
    Mais tarde, a sra. Lester arrumou a mesa da sala de jantar e serviu um timo almoo com salada, omelete e caf descafeinado para Christina. A empregada tambm sorria muito, feliz da vida, porque ia com eles para Austin. 
     Um nen e um marido que me ama, uma estupenda cozinheira e um lar sem ratos. 0 que mais uma mulher pode querer? 
     Como assim, sem ratos? A sra. Lter arregalou os olhos. 
     Sim, no se lembra?  Christina perguntou, surpresa. 
 Call se livrou do camundongo quando estvamos em lua- de-mel, e a senhora, visitando sua irm. 
    A sra. Lester meueou a cabea. 
     Se livrou do camundongo, Chrid. 
    A sra. Lester foi at a cozinha, abriu a porta do armrio e
os convidou para irem olhar. Simon e Christina ento, 
depararam o animalzinho sentado na prateleira, roendo uma bolacha, sem dar a mnima ateno a eles. 
    - No acredito!  Christina desatou a rir. Mas o pior estava por vir. A sra. Lester ps o brao perto do armrio, e o rato subiu at seu ombro. 
    Ele  domesticadoa cozinheira lhe disse,com orgulho. 
- Outro dia, entrei aqui, e vi Manfred aoomodado no balco. Quando me viu, nem ao mens tentou fugir. Tentei peg-lo 
e ele subiu em meu brao, como fez agora. Fiquei desconfiada , coloquei-o dentro de uma caixa e levei ao veterinrio, que disse  que decerto Manfred foi animal de estimao de algum que se mudou e delxou o pais.  bvio que pertencia aos antigos donos da propriedade. Ento imaginei que, se vocs no se incomodarem,  claro ,vou ficar com ele e lev-lo para Austin, conosco. Christina se voltou para Simon, e todos se puseram a gargalhar. Manfred, que no tinha interesse na conversa, continuou a comer sua bolacha, tranquilo e a salvo, nas mos de sua nova dona. . 

